sábado, 31 de maio de 2008

Racismo e Xenofobia (2)

" I'll say it only once ! "
A minha postagem " Racismo e Xenofobia" parece que deixou alguns amigos agastados, ou mesmo furiosos, de tal modo, que pela consideração que me merecem, quero deixar alguns esclarecimentos :
Primo :
O uso do termo "falcões" , longe de querer atingir pessoalmente quem quer que seja, é no contexto em epígrafe, utilizado como recurso estilístico, como paradigma de modo a designar genericamente um conjunto de sujeitos que assumem determinada posição pública.
Sendo figuras igualmente públicas, até pela notoriedade que lhes é atribuída nos media, é natural que possam ser visados como exemplo num contexto crítico sem que, no entanto, tal signifique que se queira visá-los enquanto pessoas. Não é pois, a sua pessoa que está em causa e muito menos a sua honorabiidade pessoal, mas a posição que assumem no espaço público, que não é e ainda bem , isento de controvérsias.
Não tenho culpa absolutamente nenhuma que entre nós exista o nefando hábito de "fulanizar" tudo e de tudo ser tomado à conta de "ataque" pessoal.
Secundo :
A posição antropológica evidenciada pelos defensores da "cartilha" do politicamente correcto em relação à candura do homo naturalis em oposição ao homem ocidental e urbano, revela essa sim, um paternalismo que não é mais do racismo disfarçado.
Racismo porque discrimina, ainda que alegamente pela positiva, o homem incapaz de se prover a si próprio, vítima da acção criminosa do colonialismo, do imperialismo, do etnocentrismo ou de outras malfeitorias e que por isso necessita da protecção providencialista de "exploradores" arrependidos, que renegando a sua própria "classe" militem pelos "discriminados" e "oprimidos" deste mundo, demais a mais tendo falhado recentemente objectivos políticos supostamente igualitários, o campo da "luta" deslocou-se para a esfera socio-cultural.
Os defensores de tais estórias ficam obviamente desorientados quando os factos, como os recentemente ocorridos na África do Sul, se encarregam de desmentir tão idílicas convicções acerca da bondade natural de uma parte da humanidade e antes, indiciam que o "selvagem"nem sempre é assim tão bom, algo que no entanto é sabido desde as primeiras expedições à Amazónia quando foram encontradas tribos altamente generosas que não conheciam a propriedade, nem o ciúme e logo ao lado havia outras que os matavam comiam e mirravam a cabeça para pôr ao pescoço , por por muito que doa à mitologia rousseauista, de que Rousseau fugiria a sete pés, estou convencido .
Faz-me lembrar e mais uma vez sem qualquer tipo de ofensa, o estimável Professor Bacelar de Vasconcelos quando há uma dúzia de anos era governador civil de Braga e houve uns sarilhos com uns ciganos em Vila Verde (ou na versão politicamente correcta : incidentes com membros de uma comunidade de etnia cigana - o" nacional nominalismo", sempre o "nominalismo") e ele do alto da autoridade de que estava legitimamente investido e da sua "sapiência" jurídico-sociológica em versão pós moderna, afirmou que o patriarca da comunidade lhe tinha dado a sua "palavra de honra"de que as responsabilidade pelos ditos incidentes lhes não pertenciam e de que era um "cavalheiro". Ora acontece que o "cavalheiro" estava, passado pouco tempo, preso por tráfico de drogas e que certamente nunca deve ter ocorrido ao honorável Professor Vasconcelos oferecer os jardins da sua casa de família para que a dita comunidade acampasse e talvez esta tivesse sido uma excelente solução, dado o respeito devido ao estatuto do nosso Professor; o problema de quem reflecte em abstracto sobre certas situações complicadas é que raramente as experiencia e então torna-se fácil assumir posições que decorrem mais de uma mitologia bucólica do que da nudez rude da realidade em concreto !
Tertio :
Quanto à minha posição coincidir com a do PCP, e daí ? Um relógio mesmo parado está certo duas vezes por dia !
Sabem que mais :
Fim de papo !!!

No hay hombre, no hay !

Numa das minhas viagens de Verão com o meu amigo Zé Carlos, decidimos ir para o Norte, passámos para a Galiza e demos um "saltinho" a Vigo, nessa altura, início da década de 80, isso significava uma ida ao "estrangeiro". Ainda foi no tempo dos passaportes, antes da entrada de Portugal e Espanha na, então, CEE e muito antes do espaço Schengen, vá lá que para as terras de nuestros hermanos já só tinha que se exibir o Bilhete de Identidade; foi também ainda muito antes do euro, ainda havia escudos e pesetas, só que dos nossos escudos existiam ainda notas de 20, de 50 e de 100; pesetas, já só existiam notas com o valor mínimo de 100.
Quando do nosso regresso na estação ferroviária de Vigo, conhecendo bem o "feitio" do Zé, um pouco "agarrado", diga-se de passagem, para lhe evitar uma desilusão, avisei-o de que os bancos não cambiavam moedas, por isso seria melhor trazer os trocos em notas e gastar as moedas que sobrassem.
Ele assim fez e como havia um quiosque de chocolates "Toblerone", foi lá para "derreter" as moedas sobrantes; como o homem do quiosque ainda lhe tivesse dado de troco alguma coisa como 20 e tal pesetas, o Zé vira-se para ele e diz-lhe, mostrando as moedas na mão aberta :
- Hombre, tienes papel, tienes billetes ? No quiero moñedas, quiero papel !
- No hay hombre ! - respondeu o homem .
Mas o Zé insistiu :
- No tienes ?!
- No tiengo no, hombre, no hay ! - respondeu o outro.
Mas o Zé voltou à carga :
- Pero no tienes ?!
Nisto o outro, já desesperado, insiste :
- No, hombre, no hay !
E o Zé, lancinante, com as moedinhas na mão, continua :
- Pero hombre, porque no hay ?
O outro já perfeitamente louco furibundo, grita :
- No hay no porque no tienga hombre, no hay porque no hay, no hay porque no existe, no E-X- I-S-T-E , entiendes, N-O E-X-I-S-T-E !!!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Alquimia e Materialismo

Nas primeiras eleições autárquicas no pós 25 de Abril, que ocorreram em 1976, o PCP concorreu sob a sigla FEPU ( Frente Eleitoral Povo Unido ) e teve como compagnons de route o MDP/CDE e a FSP, que era uma cisão do PS, liderada por Manuel Serra (o célebre "Manecas das Intentas"), veterano anti-fascista, envolvido no Assalto ao Quartel de Beja e que tinha abandonado o Partido Socialista com uma fracção depois da vitória da linha social-democrata no congresso da Reitoria em Dezembro de 74.
No Barreiro calhou à FSP um lugar elegível, o 10º da lista se não me engano, para a Assembleia Municipal e o António Cabós foi o candidato, aliás eleito. A primeira reunião plenária de todos os candidatos a todos os orgãos autárquicos do Concelho (tudo somado entre Câmara, Assembleia Municipal e Freguesias, efectivos e suplentes, o evento ainda mobilizou umas largas dezenas de "camaradas"), decorreu no saudoso Clube 22 de Novembro numa sexta ou sábado à noite, sendo obviamente reservada aos candidatos e dirigentes das forças políticas integrantes da FEPU, isto é aos dirigentes do PCP e ao António Cabós, que solitário, tentava aguentar o embate de tanta "camaradagem" junta.
A mim, por ser, tal como o Cabós, da Direcção do Clube coube-me abrir a porta, mas como teria também que a fechar e deixar tudo em ordem e já agora, por estar com o "bichinho" da curiosidade em relação ao que se iria passar, decidi armar-me em "espião do Celtic", como se dizia na altura, e escondido por detrás dos reposteiros de um camarote do pequeno S. Carlos que era o 22, deixei-me ficar a assistir ao encontro.
Quando começou a ser debatido o Programa Eleitoral da FEPU colocou-se o magno problema da descentralização do poder e o António Cabós no seu estilo voluntarioso e brilhante, como ainda hoje, rico na argumentação política, defendeu intransigentemente a descentralização do poder autárquico em toda e qualquer circunstância, aliás, na linha do socialismo auto-gestionário e basista que caracterizava o programa político da FSP.
Os dirigentes locais e nacionais do PCP ouviram, ouviram e contra-argumentaram ao estilo leninista, aliás outra coisa não seria de esperar, dizendo :
- Calma lá camarada, isso do poder dever ser sempre descentralizado é tudo muito bonito, excepto numa condição, que é a de sermos nós a ocupar o poder central, e nessas circunstâncias , tenha lá paciência, mas o caso muda de figura e o poder terá que ser centralizado !
O Cabós encandalizadíssimo com o cinismo do argumento ripostou :
- Não camaradas, tenho muita pena, mas em coerência com os princípios democráticos da Revolução de Abril, o poder deve ser sempre, mas sempre, descentralizado !
Os homens do aparelho perante o efeito de simpatia que os argumentos firmes e a inflamada convicção do António estavam a causar nos camaradas menos politizados e por isso, mais ingénuos, lançaram os ataques radicais do costume, que o que era preciso era "unidade" e coisas deste género, aliás o PCP era exímio nesta "arte", quando a conversa não lhes estava a correr de feição, interrompiam os debates aos gritos de "unidade, unidade", desde que a "unidade" fosse nos seus termos, claro está !
O Cabós decidiu-se então por uma cartada sumptuosa e exclamou com a sua conhecida e costumada veemência :
- Os camaradas são marxistas, não é verdade ? Mas parecem-me profundamente ignorantes da teoria marxista, pois conforme afirma Marx na sua doutrina da "transmutação dialéctica do materialismo", sem margem para quaisquer dúvidas, o poder deve ser sempre, mas sempre, descentralizado!!!
Foi de facto uma cartada de meste, pois na verdade, eram profundamente ignorantes teoricamente e nem sequer foram capazes de objectar e denunciar a pura e simples inexistência e total incongruência de tal mistura entre a alquimia e o materialismo, tartamudearam, praguejaram e acabaram por fazer como de costume, apresentaram um requerimento para que se passasse imediatamente à votação, pressionaram os "ingénuos" a votar no que os dirigentes indicaram e usaram a esmagadora maioria que tinham naquela "coligação" para reafirmar o velho lema que "contra factos não há argumentos", por muito bons e justos que possam ser !
Eu é que tive que ter muito cuidado para não me denunciar pelo riso, pois o único elemento da plateia que tinha conhecimento da minha presença era precisamente o "sócio minoritário", António Cabós Gonçalves, que daquela vez não conseguiu levar a sua avante, talvez porque os "camaradas", nunca lá tinham lido ( no Avante) tal coisa !!!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Maio de 2008

Está a chegar ao fim este Maio triste , ao contrário de outros Maios que foram de festa, mas mesmo então já se dizia :
" Deus morreu, Marx também ( não neste blog) e eu próprio não me sinto lá muito bem ! "
Alors, ça ira, ça ira, ça ira !!!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Passos Coelho dixit

Passos Coelho afirmou que uma das condições preferenciais para liderar o PSD é não ter "rabos de palha" e já agora "coração a pilhas" !

E se a máscara cair ? ( O regresso do Bloco Central )

Já toda a gente percebeu que o Governo Sócrates tem nesta conjuntura e com as contas furadas por factores que não domina, poucas hipóteses de se fazer confirmar eleitoralmente , pelo menos com maioria absoluta, o que acaba por ir dar quase ao mesmo. Assim e seguindo o proverbial destino do poder no regime constitucional português: easy comes, easy goes, se a onda de descontentamento engrossar por obra do agravamento da crise internacional da subida dos preços dos combustíveis e dos alimentos que neste momento ninguém está em condições de saber até onde irá parar, é muito natural que o poder caia no regaço do PSD.
Dirimida internamente a questão da liderança e os dois únicos canditatos com possibilidadesde ganhar-Pedro Passos Coelho e Manuela Ferreira Leite, estão para Sócrates e sus muchachos como Dupont está para Dupond, poderá pôr-se de novo a questão da "estabilidade" governativa num quadro que sirva obviamente os interesses do costume e no caso mais do que provável de não haver maioria absoluta do PS ou do PSD com ou sem CDS e a diferença entre os dois maiores partidos for ínfima, então pode ser que a máscara do antagonismo irredutível entre os dois acabe por cair e se "ressuscite" o Bloco Central ao rebate dos sinos do "interesse estratégico nacional".
Nessa conformidade, veremos como se esfumam as diferenças que mais têm servido para disfarçar a falta de reais alternativas e para alimentar as guerras da clubite partidária que entretem e dá "gás" aos núcleos duros dos "fiéis ao tacho" e se dará o dito por não dito, em termos de considerações acerca de capacidades e competências, desde que se salve o essencial para o sistema e a crise continue a ser paga pelos mesmos.
É que em matéria de crise, o pior ainda pode estar para vir e se de facto , esta crise (e oxalá que não, longe vá o agoiro !) assumir proporções semelhantes à de 29, então as condições em que temos estado a viver nos últimos sessenta anos decairão substancialmente e enfrentaremos um cenário de guerra ( "bichas", racionamento), mesmo sem guerra; mas nunca deixando de lado que este tipo de situações costumam precedê-las. Direi como o meu amigo Zé Batista, biólogo, diz do vírus da SIDA: não é dos mais malignos , basta que imaginemos, e não será de todo em todo impossível , um que tenha os seus efeitos, mas se propague como o da gripe .
Lembram-se certamente da curta história da relação cambial entre o dólar e o euro, pense-se neste cenário em relação ao preço dos combustíveis, mas com as moedas em paridade de valor: por exemplo, com o barril de petróleo a qualquer coisa como 130 euros; é claro que aí aos nossos governantes já só restaria fazer como Maria Antonieta e dizer : "Se não têm pão , porque não comem brioches ?"
E escusa Sócrates de pedir desculpas, o excesso de actos de contrição , demais a mais , quando a coisa começa a ficar tremida, não abona a favor da verticalidade de ninguém, muito menos da de quem medrou sob a imagem de "cortar a direito"- é que fumar, que eu saiba ainda não é crime , será no caso, mera contra-ordenação e quanto às desigualdades elas são como que uma matriz, existem em Portugal pelo menos desde o século XII, ou seja desde que Portugal existe. Sócrates e o seu governo têm-se limitado a deixar tudo como dantes ("quartel-general em Abrantes"), o que é objectivamento uma forma de as deixar aumentar, mas não por "culpa" especificamente sua, nem sequer da invocada "direita".
O que se passa é que por cá, na terra da não inscrição, as desigualdades se inscreveram de tal modo no tecido social , que passam por ser aquilo que Althusser disse da História : "um processo sem sujeito".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Guess Who ?

Já vi nas obras do centro do Barreiro junto ao Mercado 1º de Maio, placas da Mota-Engil :
- Hello George !!!