terça-feira, 16 de setembro de 2008

Muito Breve Aconselhamento Financeiro

Se tem que ir ao Banco é melhor despachar-se antes que ele vá à falência !

"Blood, Sweat and Tears" !

Sócrates tem uma relação "light" com a Política, como aliás com a generalidade das coisas, é um caso típico de homem "insubstancial", produto adequado para funcionar na "perfeição" num mundo dominado pelo "dictakt" da irrelevância e da mediocridade. Mas dentro desse registo é, com certeza, treinado para emular nas suas intervenções, discursos paradigmáticos que se tornaram "bordões" retóricos correntes.
Caso notório, o de ontem, 15 de Setembro, dia oficial de arranque do ano lectivo e, já agora , dia oficioso de arranque de, não uma, mas duas campanhas eleitorais: a de Sócrates com vista às legislativas e a de Cavaco com vista a repor a "coabitação" no "melhor dos mundos" de onde o Estatuto Autonómico dos Açores e a Lei do Divórcio
( imagine-se o que seria se o PS legislativo avançasse para o casamento entre homossexuais) a tinha apartado e a reposicionar-se para as presidenciais.
Sócrates discursou no antigo Liceu D.Dinis em Chelas, (que conheço bem porque lá trabalhei no, já longínquo, ano de 78/79) para reinaugurar a Escola depois de vultuosas obras de beneficiação e apoiou-se, ou foi apoiado pelo "advisor" que lhe escreveu ou alvitrou a intervenção, no célebre discurso de Churchill perante a eminência da "Batalha de Inglaterra": -"We shall fight on the beaches..."; Sócrates proclamou -"Lutaremos pela Educação" !
O estilo enfático, o rigor do "facies" e a alusão bélica, para além do comprometimento com o "enriquecimento do espírito", indicam que temos Homem: está encontrado o Churchill da Zona J !

sábado, 13 de setembro de 2008

É A RÚSSIA ESTÚPIDO !!!

Neste proclamado "Fim da História", depois da "Queda do Muro" e do desmoronar do Bloco de Leste e da própria União Soviética, o "mundo ocidental"embandeirou em arco com o fim da "Guerra Fria" e o alastrar, qual mancha de óleo, da "democracia".
Milagre! Milagre! Gritaram os prosélitos da capitalismo neo-liberal,"neocons" e quejandos com o frenesi dos recém-convertidos, e daí ao delírio geo-estratégico foi um passo; e vá de estender a NATO até às fronteiras da Rússia; vá de fazê-la intervir em teatros de operações fora dos seus limites geopolíticos "naturais", a não ser que a Globalização já tenha universalizado o Atlântico Norte.
Ora tudo estava no melhor dos mundos quando aconteceu o impensável e as Torres Gémeas soterraram perto de três mil inocentes; o crime fez emergir um novo, mas difuso, "challenger" impossível de localizar e "bring to justice". Depois, foi o que se viu, as invasões do Afeganistão e, já agora, do Iraque (dá um certo jeito), com o derrube e a execução de Saddam Hussein ("vae victis"como diziam os romanos e, pelos vistos, continua cheio de actualidade).
Mais um pequeno passo até ao reconhecimento da "independência" do Kosovo, desacatando a velha "détente" tida como fora do prazo e mais umas "revoluções" de cetim ou de veludo, aqui e ali. Na Ucrânia o Presidente eleito sofreu, literalmente, na pele os efeitos dos velhos métodos do KGB e até a própria Rússia de sede do "Império do Mal" passou a ser uma "democracia"onde funciona em pleno a "economia de mercado"e foi deixada entretida com a Tchetchénia . Os novos membros da NATO da periferia russa, como a Bulgária e a Roménia e até candidatos a fazer parte dela e antigos membros da própria URSS, como a Geórgia, enviaram tropas para o Iraque integrando a Aliança nesta versão das "Stars (and Stripes) Wars".
Só faltava mesmo a Rússia entrar para a União Europeia, converter-se à "moeda única", integrar o "Espaço Schengen" e já agora, porque não a China entrar para a NATO e tornar tudo ainda mais "multicultural".
Até que a Geórgia e o seu ocidental (não lhe olhem ao penteado) Presidente tentando um "golpe de mão" e sentindo-se, erradamente como a seguir se viu, com "as costas quentes" decide repor as suas fronteiras e invade uma pequena região secessionista russófila, a Ossétia do Sul, dando o pretexto ideal ao Grande Ivan de mostrar quem manda naquelas paragens. É claro que o Tio Sam que poderá parecer parvo, mas não é totalmente estúpido, se ficou "nas covas" e não arriscou uma "Guerra Quente" por causa de um "midget" em bicos de pés.
À custa de mil e tal mortos, casas destruídas e muita devastação a Rússia, impante de petróleo e gás e dona da torneira europeia, governada pelos herdeiros directos da camarilha do costume, que agora até é "democrática"(mais jornalista assassinada, menos ex-espião liquidado, mais coisa, menos coisa), respondeu à letra e no velho estilo e esmagou o minúsculo exército da Geórgia, mesmo reforçado com o contingente regressado do Iraque, o que , diga-se de passagem, não comoveu por aí além o Tio Sam, nem fez empalidecer a "Condi" Rice, que se limitou a tartamudear umas desculpas esfarrapadas e umas ameaças vãs !
A Rússia teve e aproveitou, assim, uma oportunidade de tirar as teimas sobre quem continua a ser a potência dominante naquela região e repor o seu lugar na "nova ordem internacional" que parece não ser lá muito diferente da "velha", sem precisar desta feita do "comunismo"para nada, aliás reiterando claramente o papel que Marx atribuiu à "ideologia".
Enfim, que saudades de Brezhnev ! ( E pensar que a URSS acabou quando chegou ao poder Gorbatchov, o primeiro homem sóbrio em várias décadas !?).
Mas a "Rússia Eterna", a "Grande Mãe", não se desvanece assim de um dia para o outro e sobrevive ao fim da "Soyuz"; quem pensou que eram "favas contadas" revela, além do mais, uma profundíssima e parola ignorância da História !
Post Scriptum :
Já não falo do regresso em forma de farsa, aliás como é costume, das crises militares às costas dos States, agora com Fidel moribundo é o foclórico mas destemido Chavez, que faz as "honras da casa" e rosna ao Império nas suas próprias barbas, "molhando a sopa" na mais badalada família texana desde os "Ewing" e do "JR"!
A candidatura de Obama está a passar um vídeo de campanha em que "goza" com a suposta inadaptação de McCain (72 anos) à "revolução tecnológica", isto fez-me lembrar o filho de um colega meu, com quatro anos, que sempre que encontrava alguém dizia :
-"Queres ver, queres ver, já sou grande, olha, olha, escuta, escuta: Computadores, feijoada" !!!

domingo, 31 de agosto de 2008

Brevíssima Olímpica

Só uma sugestão; que o nosso lançador ensonado passe a usar o "nome de guerra":
Marco "Bed Boy" Fortes !

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Smart Fire

É sabido e consabido que a antropomorfização do real e até um certo "animismo" são inevitáveis na expressão humana, mas que há enormes exageros lá isso há, como o que ouvi muito recentemente na RTPN, que aliás, presta um muito bom serviço informativo, superando mesmo muitas vezes, na minha opinião, a SIC Notícias.
Estando a relatar um incêndio florestal o "pivot" de serviço afirmava :
-" O incêndio aproveita as rajadas de vento para alastrar" !!!
Como diria a minha avó : "mau, mau Maria" !

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Portugal Surreal


Para quem, como eu, pensava que os maiores vultos do surrealismo português eram figuras como Cesariny ou Cruzeiro Seixas, foi sem dúvida uma surpresa testemunhar que essa grande tradição tem entre nós continuadores de mérito como o atleta olímpico Marco Fortes e um senhor de que desconheço o nome , mas pareceu-me que, de algum modo, representava ou explicava o comportamento de um bombeiro que terá sido surpreendido a atear um incêndio.
No primeiro caso o atleta questionado pela sua muito fraca prestação na prova de lançamento em que participara justificou~se alegando ser negativo para o seu biorritmo o horário da mesma uma vez que e passo a citar :
-"De manhã estou bem é na caminha ...e depois àquela hora começam-me a faltar as perninhas"!
Na segunda situação o tal senhor engravatado, que sinceramente, não tive tempo na televisão de reparar se era advogado do tal bombeiro que foi "flagrado"como se diz na variante brasileira da nossa velha e bela língua, a atear um incêndio florestal, tentava justificar o acto insano do homem, jovem ao que parece, dizendo mais ou menos e só posso citar de cor :
-" Os senhores compreendem, quando um bombeiro se treina para apagar incêndios e depois não há incêndios, existe sempre o risco de para combater o tédio serem elementos das próprias corporações a ateá-los"!
Ora feita uma avaliação estilística destas declarações é inegável que no caso do lançador olímpico estamos na transição entre o surrealismo e o dada e no segundo, sendo embora um clássico, o típico "bombeiro incendiário", estamos perante um caso de surrealismo mais de série, já a caír na pop.

sábado, 5 de julho de 2008

Os Eunucos

Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os pais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais
José Afonso
Afinal noventa e um anos depois da Cova da Iria e por intercessão da "santa" da 5 de Outubro e sus muchachos (y muchachas), produziu-se finalmente a hierofania matemática: no curtíssimo espaço de um ano lectivo, o prodigioso sistema educativo português conseguiu transformar largos milhares de portadores de inumerismo em génios do cálculo e do raciocínio abstracto, é de facto, uma demonstração cabal de que querer é poder: Sócrates quer, Milú sonha e a obra nasce !
E ai de quem tiver alguma dúvida, aí de quem alegar que tais resultados são o produto de uma grosseira "martelagem" que avassala todo o Ensino Público condenado a ser uma fantochada permanente que compromete seriamente o futuro de quem por ele passa e vai passando sem que aprenda o que quer que seja que não possa ser aprendido noutro sítio qualquer.
Ai dos hereges que se atrevam a pôr em causa a monumental fraude em curso, em que tudo se certifica mas nada se ensina a não ser a aproveitar a boleia da conjuntura.
A grande sacerdotisa de serviço já avisou os professores de Português, disciplina onde apesar de bem propiciado, o milagre teimou em não acontecer, de que têm que se esforçar mais e seguir o exemplo dos colegas de matemática ( talvez os mande estagiar em Hogwarts).
Esta situação que neste momento, atinge o paroxismo da total escandaleira pela redução dos níveis de exigência até à insignificância, atestada pelos especialistas a quem a senhora ministra acusa de "terem acordado mal dispostos" e "dizerem mal porque é moda dizer mal", tem vindo a ser preparada há já algum tempo, com a introdução de grupos de "escolha múltipla" onde são várias as opções correctas mas só uma é, arbitrariamente, considerada como tal, com questões mal formuladas cheias de erros lógicos crassos que, no entanto, são admitidos como a mais pura das verdades, com "descritores" de orientação de resposta que são um autêntico atentado à inteligência, tornando claro que a intenção já nem sequer velada, desse pretenso "objectivismo" é evitar o pensamento e treinar apenas a mecanização rebarbativa, (também para passar uma vida a "teclar" é capaz de não ser preciso mais !).
Claro que tudo isto se passa entre discursatas de inflamadas proclamações de "exigência", de "rigor" e de "sucesso" e de outras patacoadas vazias do género que tão bem compõem o ramalhete da mediatizada demagogia contemporânea, fazendo lembrar os bairros manhosos que têm quase sempre um nome apelativo, mas bonito, bonito só mesmo o nome porque o resto é que costuma ser, como dizia a minha rica avó, " o bom e o bonito", não passando tudo de manobras clássicas de propaganda rasteira a que Orwell chamou newspeak.
Não resisto a contar um episódio bem revelador da presença deste "espírito" : a minha mulher que como eu é professora de Filosofia ( afinal assim só estragámos uma casa), fez estágio profissional no fim dos anos 80 na recém criada Universidade Aberta que tinha por característica essencial a então grande modernice de ser tudo "à distância"; de tal modo que mesmo quando os formandos lá se dirigiam pessoalmente para falar com o Assistente de serviço para qualquer esclarecimento, não lhe viam a cara e era-lhes, na portaria, passado para as mãos um telefone para comunicarem com o dito,(ainda não havia Internet generalizada). Um dia acompanhei-a lá para esclarecer o conteúdo de uns Testes Formativos que vinham pelos Correios e depois de resolvidos eram devolvidos sendo posteriormente enviadas as formandos as soluções, nós reparámos que várias questões de "escolha múltipla" estavam mal formuladas, havendo mesmo uma que era um completo contrasenso. Quando lá chegámos e a funcionária da portaria nos deu o telefone para falarmos com uma Assistente de quem nem sequer sabíamos o nome e expusemos o problema, a senhora respondeu dizendo que mais de 60% dos formandos tinham optado pela resposta que era considerada correcta; nós objectámos dizendo não ser a verdade uma questão de natureza estatística ou de relação maioria/minoria, se assim fosse o Marco Paulo seria um grande cantor e exemplificámos com uma situação hipotética : se questionássemos mil pessoas sobre a capital do Brasil ou dos Estados Unidos provavelmente a maioria das que presumem saber, responderia coisas como o Rio de Janeiro ou Nova Iorque sem que isso faça dessas cidades as capitais dos referidos países.
A resposta da dita Assistente à distância foi de "cabo de esquadra":
- "Vejam lá , têm razão, mas o professor que elaborou esse Teste Formativo vai também elaborar o Exame final e ele costuma fazer muitas desse tipo"! Ou seja :" ponham-se a pau, quem vos avisa vosso amigo é"!!!
Eis o prenúncio da situação que hoje estamos a viver em pleno e que nos obriga à cautela de ter sempre à mão de semear duas opiniões: a verdadeira, para uso privado , a de que isto é tudo uma grande vigarice e não passa de uma versão aggiornata da estória da única vaca de uma falida exploração pecuária da antiga União Soviética que obrigada ao tratamento estatístico anual e como por temor, o responsável de cada instância sucessiva do Estado e do Partido, que aliás, se confundiam, ia acrescentando um zero, quando o relatório chegou a Moscovo, as vacas já eram um milhão ! Depois temos também que exibir uma "posição" institucional para exprimir oficiosamente, quando em reuniões ou relatórios profissionais, nos vimos compelidos a tecer loas à barbaridade. Mais uma vez à , mais do que coincidente, semelhança dos famigerados processos de Moscovo em que as vítimas chegavam ao ponto de sabendo-se de antemão condenadas, fazerem pungentes autocríticas para salvar ao menos o pão dos filhos !
Ora Portugal tem sido quase sempre o país do medo, se exceptuarmos os curtos e felizes poucos dias de Abril e mais uns quantos episódios de genuína alegria colectiva na nossa longa história, poucos terão sido os dias em deixámos de" perfilados de medo" agradecer" o medo que nos salva da loucura"!!!
Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam de saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos querem mais
José Afonso