O termo “social-fascismo” foi usado a torto e a direito nos idos do PREC para acusar de práticas totalitárias principalmente o PCP. Foi usado um pouco a despropósito jogando mais com o impacto da palavra do que com o rigor do significado. Foi sobretudo usado por grupos radicais da chamada “extrema-esquerda” de tonalidade maoísta (“m-l”, como se dizia na altura), um dos mais aguerridos desses grupos era o MRPP, outro mais moderado era a “velha” UDP.
Destes dois grupos e de outros como o MES e os movimentos trotskistas são oriundos muitos dos homens e mulheres de poder e influência hoje em dia:
Não o actual Primeiro-Ministro que era da JSD, mas Durão Barroso, Maria José Morgado, José Luís Saldanha Sanches, Jorge Coelho, Pacheco Pereira, Santos Silva, Ana Gomes e tantos outros. Também havia alguns que eram do PCP, quando “estava a dar” e como não são “burros” , trataram de “mudar de ideias” assim que a oportunidade surgiu: Zita Seabra, José Magalhães, Mário Lino, Pina Moura, Vital Moreira (a este que me incluiu numa suposta “manada”- ver
http://www.causa-nossa.blogspot.com/_ como aliás, a Manuela Ferreira Leite, não me esquecerei de em consonância com tal douta opinião, quando com ele me cruzar, e não perderá pela demora, lhe dar uma grande marrada) e muitos mais.
Alguns destes manifestaram durante o PREC e até algum tempo depois, um extraordinário afã inquisitorial que trouxeram intacto para o serviço da nova causa, normalmente a “esquerda mais à mão”( ou mais à “mãozinha”), o PS.
Mas a designação ao tempo carecia de fundamento histórico e não passava de uma analogia deslocada, uma vez que o termo “social-fascistas” originalmente designava os governantes alemães do SPD (social-democratas) que em 1919 mandaram assassinar os dirigentes da Liga Spartacus, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.
Agora poderemos usar o termo com propriedade para classificar o comportamento governamental de uma espécie de Bando dos Quatro: a troika do Ministério da Educação, com “Chiang Ching” M.L.Rodrigues à cabeça, acolitada por Lemos, Pedreira e pelo “eterno” pai, Albino, obedecendo aos ditames da “linha justa” do Partido amordaçado do Grande Timoneiro, “Pol Pot” Sócrates, na cruzada contra os “privilegiados” de que os professores são o Grupo mais tenebroso e portanto a abater, os autênticos “inimigos do povo”.
Esta “cruzada” contra as “corporações” começou por “morder as canelas” aos magistrados e aos farmacêuticos, passando depois aos médicos e aos polícias, chamuscando em seguida os militares, que assim que “mostraram os dentes”, fizeram engolir a famosa “coragem” socrática aos “valentões” do Governo, até se fixar nos professores.
Entende-se porquê: os professores são um grupo socioprofissional muito numeroso, logo muito “caro” e muito heterogéneo, ou seja, uma “corporação” muito pouco corporativa, em grande parte descartável pelo menos na concepção minimal‑mecanicista que este homo magalanicus vulgaris linei tem de “Educação”, com um exército de desempregados disponível muito grande (e quem disse que Marx está morto?!), que são capazes de fazer aquilo que o Politburo quer que seja feito, isto é, realmente nada, por metade do preço (e digo realmente nada porque é lixo, papelada, papelada para encobrir a vacuidade); quando se pretende apenas martelar estatísticas sem que rigorosamente nada mude para melhor a não ser o conformismo e a subordinação do novo proletariado docente e discente a que esta tropa fandanga de aventureiros semi‑analfabetos que nos (des)governa, nos quer reduzir e cujo único objectivo é reproduzir a cartilha e adestrar na acefalia acrítica os operadores da máquina que convém ao sistema idealizado pelas verdadeiras corporações, as dos interesses económico-financeiros que não hesitam com as suas gananciosas traquibérnias em atirar para a miséria ou para a extrema fragilidade, que acarreta a dependência, milhões e milhões, perante a sonolência complacente dos supervisores-mores .
Ora, a Avaliação é indispensável para o Sistema Educativo se conhecer e ser conhecido, para os contribuintes que o pagam, como aliás pagam todos os serviços públicos, dele poderem ter prestação de contas, aliás como deviam ter prestação de contas da Saúde, da Justiça, das Obras Públicas, da Economia, das Finanças, etc., etc.
Mas infelizmente não é com este Sistema de Avaliação de Professores, que não são os únicos actores do Sistema Educativo, não nos esqueçamos da legião de burocratas da imensa máquina do ME, dos Programas inexequíveis, da ”inovação” que nada inova e do constante tropel legislativo, frenético e incoerente que mais não faz do que corroborar a velha máxima de que:” É preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma”, ou pior, acrescento eu!!!
Que sistema de avaliação seja do que for, empresa, banco, seguradora, multinacional, existirá que contenha dezasseis fichas e não apenas uma como candidamente mentiu, aliás como já é infelizmente costume, a senhora ministra e perto de cento e cinquenta, leram bem, cento e cinquenta, itens?
Que sistema de avaliação se destina a ser “em vez de”, como na velha piada dos cigarros como método anticoncepcional, em que à pergunta: “Antes de … ou depois de…? Se respondia também candidamente: “ Em vez de …”.
Um qualquer sistema de Avaliação de Desempenho tem que avaliar o desempenho normal do serviço em causa e não um desempenho unicamente dirigido e orientado para essa avaliação, senão o que estará a ser avaliado não será o que era para ser, mas um mero simulacro, uma fraude ou perto disso, destinada a impressionar o avaliador e a preencher artificialmente as “grelhas” em questão.
A isto chama-se falta dos critérios essenciais de que qualquer constructo racional metodologicamente consistente tem que estar dotado: validade e fiabilidade, sem os quais não se atingirão os objectivos a que supostamente se propõe e de modo algum se medirá com rigor o que quer que seja, a não ser lixo, que é o que as resmas de papel dos incensados e infantilizantes portefólios, irão ser em breve.
Estaríamos pois condenados a ser medidos pela famigerada régua de borracha que tendo um metro de comprimento, tanto permite ser esticada e medir metro e meio, como encolhida e medir cinquenta centímetros, tal é o conceito de "rigor" desta gente – trata-se de dar ao sistema os resultados que ele pretende, só, mais nada!!!
De facto, não estão sequer previstos no modelo mecanismos sérios de controlo do processo e isso é um claro indicador de que os seus reais e não confessados intentos são na verdade a generalização do facilitismo e a inflação de classificações a que este absurdo sistema irá compelir os professores e, perversamente, penalizar os profissionais de maior rigor, porque os outros farão o que sempre fizeram para não terem chatices.
Até há dois, três anos, um professor que atribuísse cem por cento de classificações positivas teria certamente uma inspecção a quem teria de justificar documentalmente os resultados; pois doravante irá passar (se deixarmos, claro) a acontecer exactamente o contrário, quem não atingir essa miraculosa marca será penalizado na sua carreira profissional.
As aulas, no fundo, aquilo em que consiste o essencial da tarefa do professor, são deixadas para a elaboração de extensas planificações para que não estão previstos quaisquer meios de verificação da sua execução e para a observação de três, leu bem três aulas em mais de cem dadas por ano lectivo; claro está que essas aulas irão estar soberbamente encenadas e ser muito, muito ensaiadas e se numa se usarem portáteis, noutra quadros interactivos e na última se fizer um role play por exemplo, tudo estará no “melhor dos mundos”.
Mais, se o objectivo de toda esta confusão tivesse sido, pura e simplesmente pagar menos aos professores e impedi-los de progredir na carreira, bastaria ter dito a verdade e pôr o problema com frontalidade e clareza, explicando que o erário público não o permite (é claro que também não deveria permitir intervencionar Bancos que vigaristas premiados levaram à falência). Mas não, o objectivo concomitante foi para lá da retórica justicialista, vexar, vergar e desmotivar todo um grupo profissional, minando-lhe a auto-estima e o amor-próprio reduzi-lo à condição de meros amanuenses que enquanto perdem tempo com a papelada e os gadgets tecnológicos usados sobretudo a despropósito e como fuga para a frente, menos disponibilidade e energia lhes sobra para avaliar as disposições falaciosas de que são obrigados a ser agentes.
O timbre deste modo de fazer política não é o da verdade, mas o da propaganda oca e o da retórica balofa, afinal das velhas e relhas tácticas que denunciam a total falta de estratégia e consistem no circo, sobretudo quando falta o pão e na venda de ilusões dando à populaça o sangue que esta reclama, utilizando a velha técnica do “salame” que consiste em dividir a sociedade às fatias, isolar algumas e pô-las umas contra as outras, cobardemente, sem assumir claras responsabilidades e iniciativas que não venham embrulhadas no ressentimento social típico de um país velho e desde sempre marcado pela mesquinhez da inveja e da subserviência.
Vai-se ao ponto de distribuir pelas distritais do PS, “argumentários”, ou seja cábulas, para serem utilizadas por gente que à falta de argumentos e contaminada pelo ódio ao pensamento e à liberdade, as vai repisar canhestra e acriticamente olhando para o papel, que isso do teleponto é só para o “Zé, à espera que, como teorizou o sinistro Goebbels, o repisar da mentira a converta em “verdade”.
E chega a ser patético ver na televisão, em debates, “jovens turcos” e outros já menos jovens, que eles sim, nunca fizeram nada na vida a não ser as figuras que andam a fazer, a insultar e a caluniar gente séria, em troca do “prato de lentilhas” do costume.
Um último apontamento: se os Sindicatos de Professores foram empurrados pelo movimento visceral e espontâneo dos profissionais para denunciar o famigerado “Memorando de Entendimento” que em má hora subscreveram dando assim ao
set governamental “pano para mangas”; também não é menos verdade que o ME não cumpriu minimamente a sua parte, voltando exactamente ao lugar de origem, tendo sido este episódio apenas uma trégua que muito “à portuguesa” deixou tudo em “águas de bacalhau”.
Mais uma e calo-me já!
Existe na Europa desenvolvida algo de semelhante?
Não, não existe, nem na Finlândia, onde o Presidente Sampaio viu os professores mais de cinquenta horas nas Escolas (tem piada que nessa altura, por coincidência, estava uma delegação de professores finlandeses na escola em que trabalho e logo o desmentiram), nem na Irlanda, nem na Alemanha, nem na Suiça; o modelo foi completamente copiado do Chile (!!!) e mesmo assim mal copiado, pois lá está completo e vai até ao enunciar dos descritores, por cá ficou-se pelos habituais enunciados de intenção e deixa-se à tão propalada “autonomia” das Escolas (só para o que convém) e pondo a competir entre si avaliadores, que são parte interessada, o que certamente nem sequer será legal, e avaliados, a magna tarefa de nos trucidarmos uns aos outros!