quinta-feira, 25 de junho de 2009

"Volver la Tortilla" ou o Folhetim da "Arrogância"

Uma das acusações mais fundamentadas em atitudes e factos evidentes tem sido a enorme arrogância da governação desta maioria absoluta "socrática". Não é preciso ser "politólogo" para entender que a chave da sua derrota eleitoral nas "Europeias" passou muito por aí.
Eis senão quando, talvez influenciada pelo passado maoísta de muitos dos seus actuais dirigentes (o PS e o PSD estão cheios de ex-"MRs" e quejandos, com proeminência para o actual Presidente da Comissão Europeia - José Manuel Durão "porreiro pá" Barroso), uma das tácticas mais vulgares tem sido o clássico virar a acusação contra o acusador, ou seja, volver la tortilla e agora é o PS que a propósito do "folhetim" Provedor de Justiça e mesmo antes, comentado a reacção de Paulo Rangel aos resultados eleitorais, vem acusar o PSD de "arrogância".
Talvez estivessem à espera que o homem pedisse desculpa por ter ganho e quando este fez notar a acrimónia grosseira, malcriada e ressentida das "felicitações pela televisão", logo o staff do PS inventou uma nova figura contraposta ao seu próprio evidente mau-perder, o "mau-ganhar".
É a velha técnica do ladrão que grita "agarra que é ladrão!" - muito ao gosto dos ex-pregoeiros do "Luta Popular".
Então agora o PSD é que é arrogante por não se sujeitar a "papar" o Professor Jorge Miranda como Provedor de Justiça, ele que até já foi do PSD, ou pelo menos do PPD?!
O "argumentário" está tão bem "ensaiado" que até já o próprio Jorge Miranda, ao renunciar a essa pretensão, o repetiu.
Ora bem, é isso mesmo, há um conjunto de figuras ligadas à direita "histórica", que talvez nostálgicas da velha União Nacional, numa fase já adiantada da vida, decidiram investir neste PS para aceitarem prebendas e sinecuras.
Afinal, o Professor Freitas também é fundador do CDS.


quinta-feira, 18 de junho de 2009

"Quando um homem quiser"

É curioso ver como a aproximação da data das Eleições Legislativas tem sido tratada nos media, sobretudo nos situacionistas, que são a maioria, diga-se de passagem.
Antes das Europeias, as tais que, segundo as sondagens, o PS ia ganhar de certeza, faltavam apenas dois meses para as legislativas; agora que o PS perdeu as Europeias e apesar de estarmos a passar dos meados de Junho, ainda faltam quatro meses (TSF esta manhã).
Talvez seja o tempo considerado necessário para Sócrates "retocar" a "imagem".
Enfim, o tempo é assim como o Natal, quando um homem quiser!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Uma TV Multiculturalista

As repórteres da RTP evidenciam há já algum tempo uma acentuada queda para o multicuturalismo.
É ver Márcia Rorigues no Irão a fazer a cobertura das presidenciais de tchador que, aliás, já tinha usado numa entrevista ao embaixador daquele país em Lisboa.
E também Sandra Felgueiras em Goa envergando um magnífico sari.
É caso para perguntar quando é que a RTP transmitirá do Meco?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Olhe que não senhor engenheiro, olhe que não!

As luminárias que delinearam a estratégia política do “seu” PS, que devem ser as mesmas que determinaram a escolha de um trânsfuga do PCP para “colher votos à esquerda” com os resultados que estão à vista, procuraram desde o princípio do mandato sufragado com uma maioria absoluta que resultou de um Programa Eleitoral muito diferente do que veio a ser o Programa de Governo, que por sua vez foi superado pela prática governativa em arrogância, prepotência e autismo, como há muito não se usava na sociedade portuguesa, determinar-lhe uma táctica.
Essa táctica assentou no “combate aos interesses corporativos”, tendo sido eleitos para bodes expiatórios das maleitas nacionais, os funcionários públicos e em especial, os professores. Entende-se a escolha, dentro de uma lógica cínica, que foi a que orientou a operação, era preciso dar "sangue" às massas e os professores constituem um grupo profissional, logo uma “corporação” no muito fraco entendimento das tais “luminárias”, muito pouco "corporativa", económica e socialmente mais débil do que outros “corpos especiais” da função pública (médicos, magistrados, militares); mas foi subestimado um aspecto, o número, de facto 150000 são muitos votos directos, fora o resto, as famílias, etc. . Aí, as contas saíram furadas.
Se, numa primeira fase, a manobra parece ter arrastado uma certa "opinião pública" típica de um país pobre e sempre adiado, logo, muito permeável à inveja e ao ressentimento; numa segunda fase, toda a gente percebeu que ninguém ia ganhar nada com isso e o élan perdeu-se.
Quando ouço figuras como advogados de negócios, empresários da grande construção civil, da grande distribuição e da Banca, elogiarem publicamente a sua “coragem” e “determinação” na luta contra as “corporações” e os “interesses” não pode deixar de me dar uma imensa vontade de rir.
Não é preciso ser particularmente “iluminado” para perceber que governar contra a base social de apoio natural do Partido Socialista é, claramente, um erro e não é porque um Governo, mesmo oriundo de um catch all party, deva governar para contentar todos, mas isso não significa vilipendiar, vexar e atirar às “feras” grupos sociais inteiros como foi feito aos professores.
Mais que não seja porque “quem não se sente não é filho de boa gente” e como “cá se fazem, cá se pagam”, os professores reagiram massivamente e não votaram, nem votarão PS enquanto o senhor engenheiro (o que quer que isso queira dizer) estiver à frente do Partido.
Queria aparentar “virar à esquerda”, conseguiu-o, parabéns, na mouche! Basta ver os resultados da CDU e do Bloco, e por favor, não me venha com a “cantilena” da “incompreensão” e das “dificuldades em fazer passar a mensagem”, se tivesse tido uma melhor formação humanística e melhor formação tout court, conheceria certamente o poema de José Régio, as pessoas não são estúpidas e sabem muito bem, pelo menos, o que não querem.
Não pude deixar de reparar como quase não aplaudiu as palavras, sábias diga-se de passagem, de António Barreto na cerimónia do 10 de Junho, compreendo-o, interroga-se profundamente, tanto quanto consegue, por quem os “sinos dobram” e parece-lhe que pode ser por si!!!
Não tenha dúvidas, com a sua brilhante estratégia, conseguiu várias coisas:
“Devolver”, logo em 2005, a maioria das câmaras municipais em terreno tradicionalmente “hostil”, ao PSD e à CDU e agora nem com Santa Bárbara, nem com Santa Clara, nem com Santos-o-Velho, serão recuperáveis.
Alienar a base social tradicional de apoio do Partido Socialista como grande partido do povo de esquerda, em favor principalmente do Bloco e ressuscitar o PSD, que agora convoca para a “guerra” da bipolarização, mais uma vez (irra que não aprendem!) tentando “comer” o eleitorado por parvo!
Comprometer, mas se calhar era essa a ideia, os grandes projectos de interesse público nacional, como o TGV, o novo Aeroporto de Lisboa e a Terceira Travessia do Tejo.
A não ser que queira arranjar uma maneira, ainda que pouco airosa de se ir embora, o que aliás vindo de quem vem não me espanta nada, parece-me desastroso!
Mas o senhor é que sabe, aliás de acordo com a presumida auto‑suficiência que o tem caracterizado, mas depois não diga que “ninguém o avisou”.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Regresso da "Bipolarização"

Não sei se o "Estado-maior socrático" já a teria engatada ou se foi tirada ali mesmo a ferros enquanto ruminavam o desaire, mas a verdade é que devem ter ido ao baú dos argumentos in extremis e com um tremendismo que, temos bons motivos para supor, se irá radicalizar numa intensidade crescente de "dramatização" de acordo com a agenda eleitoral, e ressuscitaram a velha teoria da "bipolarização", fazendo uma interpretação no mínimo "manhosa" dos resultados das europeias.
Assim e a pretexto da famigerada "governabilidade" que os levou à maioria absoluta de 2005, o que lembre-se, lhes permitiu pulso livre para governar fazendo o oposto do que tinham prometido na campanha e compor um Programa de Governo que depois serviu de alibi mistificatório, por lançar deliberadamente a confusão, muito diferente para pior do Programa Eleitoral de Partido (no fundo o truque de prometer à esquerda e agir à direita).
Em suma o argumento é este, e tem um forte cunho salazarista, a democracia portuguesa só funciona se fôr pouco ou nada democrática e as eleições deverão ser uma espécie de plebiscitos em que o "pagode" se limita a escolher um caudilho para os próximos quatro ou oito anos, se não tiver carisma arranja-se, mandam-se escrever os panegíricos dos "meninos de ouro" e dos "meninos-guerreiros" (isto, óbvio, se forem do estilo "meninos" e se o mantiverem mesmo depois dos cinquenta, na categoria dos forever young); se não tiverem currículo académico forja-se mesmo com "licenciaturas" por correspondência e diplomas passados aos domingos (aqui trabalha-se porra!!!). É preciso não esquecer que a mulher do Ceausescu também sem nunca ter posto os pés numa Faculdade, a não ser, obviamente, em funções protocolares, era doutorada em Química.
Pois agora perante o fantasma da "ingovernabilidade", com um "povão" ingrato, que nem sabe reconhecer o que os "engenheiros" matam a cabeça a fazer por si e que não se governa, nem se deixa governar, (ao contrário dos "engenheiros" que se "governam" muito bem), o que é preciso é "ou nós ou eles", e o resto do espectro político que as sondagens "marteladas" davam por inerte ou mesmo morto, que se lixe, ainda que o eleitorado se tenha pronunciado no sentido inverso e aberto muito o leque.
Não desistem facilmente estes bufarinheiros que entre as asas do desejo e as asinhas do tacho, insistem agora no terrorismo de cenário para condicionar os ingratos e as "ovelhas tresmalhadas" de quem se julgam donos e não perdem tempo a pôr em cena o velho jogo das "habilidades", como o daquela sondagem da 25ª hora que dava a vitória a quem perdeu, mas só depois (nas próximas legislativas), ainda que tivesse sido feita antes (das europeias do próprio dia).
E ainda dizem mal do Estaline por mandar apagar fotografias.
Uma coisa é certa, com esta "lógica" demolidora, estamos perante um "argumentário" que confirma a inferência que relaciona tradicionalmente o "olho do cu" com a Feira de Beja:
É que toda a gente que vai à Feira de Beja costuma ter "olho do cu", tirando, claro, as poucas pessoas que têm a infelicidade de serem ostomizadas.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Na Mouche ou Toma, Embrulha e vai Buscá-la!

O bom senso político, mesmo a nível meramente táctico, não é evidentemente a coisa melhor distribuída do mundo.
Não sei o que terá passado pela cabeça das luminárias estrategas do PS/Sócrates para irem buscar para cabeça de lista uma (triste) figura como Vital Moreira com a tonta alegação que captava votos "à esquerda", na verdade, era bom de ver (e eu disse-o neste blog), nem à esquerda, nem à direita.
Não capta à esquerda, porque a esquerda não costuma valorizar troca-tintas, ainda por cima assanhados profissionais que mudam de "dono" com facilidade e põem, com o proselitismo típico dos recém-convertidos, todo o fel do seu estilo "comuna-rasca", ao serviço das suas próprias "Novas Oportunidades" a quem devotam mais manteiga que o Marlon Brando no "Último Tango", e não capta à direita, porque a "direita" não confia neles dado o seu passado "duvidoso" e um certo "jacobinismo de sacristia laica" bem visível nos artigos no Público e no "Causa Nostra".
Quem teve essa ideia e "vendeu" este "trunfo" ao aparelho do PS, devia ser galardoado com a "Medalha de Cortiça" ou mesmo com um "Óscar Alhinho", pois até o Professsor Freitas, não fossem as "dores nas costas", arrancaria um resultado melhor.
Mas era preciso "virar à esquerda" e virou-se, é só ver os resultados do Bloco e da CDU e poder-se-á clamar:
"Parabéns! Missão Cumprida!"
Como quem semeia ventos acaba por colher tempestades, até as sondagens "marteladas" que davam invariavelmente a vitória ao PS e decretavam a extinção do CDS, acabaram por "ajudar à festa". Sim senhor, melhor era impossível. Na mouche!
Saiu tudo mal, o "efeito Marinha Grande" procurado com a exposição deliberada a "agressões" na Manif. da CGTP do 1º de Maio, as "divergências" combinadas com Sócrates a propósito de Durão Barroso e Lopes da Mota, o "emporcalhamento" da campanha, tentando colar o PSD à roubalheira do BPN, "casca de banana" em que o PSD se recusou a "escorregar", como também se escusou a fazer "jogo sujo" com o caso Freeport, por exemplo, mostrando elevação e sabedoria estratégica na exacta proporção em que estas faltaram ao PS que, aliás, rematou a noite do desastre eleitoral com mais uns requintes de mau-perder e da acrimónia bacoca que o tem caracterizado, ao não felicitar pessoalmente o vencedor do dia, Paulo Rangel, que não deixou de apontar publicamente essa malcriada omissão e quebra de protocolo, (que esta "rapaziada" da "esquerda moderna" desconhece, assim como desconhece qualquer noção elementar de cortesia, deve ser por isso que andam tão preocupados com a "Educação").
Cometeram até a proeza de ressuscitar o PSD que ao vencer as eleições com uma campanha inteligente e séria, personificada no seu excelente cabeça de lista, Paulo Rangel, um osso duro de roer para aldrabões, criou espaço para a afirmação interna e nacional da drª. Ferreira Leite.
Melhor não podiam ter feito e se antes era a maioria absoluta que estava em causa, agora é a própria vitória eleitoral nas Legislativas. Isto porque o eleitorado já percebeu a marosca e, um pouco por toda a Europa, penalizou fortemente os "socialistas sapateiros" que pegam nos votos do povo de esquerda e fazem políticas de direita, enfrentando as corporazõezinhas para não enfrentarem as verdadeiras corporações do capital e de Banca vigarista, (é por isso que o dr. Constâncio, antigo Secretário-geral do PS, está metido numa grande embrulhada, mas nós os que pagamos impostos e pior ainda, os mais de 150 mil que perderam o emprego e os mais de 200 mil que nem subsídio recebem, ainda estamos mais); mas já vimos a "coisa" como ela é :
Se é para fazer políticas de direita, então que venha, sem disfarces, a própria Direita!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Paradoxos (ou de como a Teoria Económica esbarra na dureza da realidade)

Numa lógica empresarial é suposto que quanto melhores forem os desempenhos, maiores sejam os lucros. A esta inferência estão, no entanto, a escapar os resultados financeiros das SADs dos nossos maiores clubes de futebol, cujo deficit aumentou na razão directa dos sucessos desportivos com especial destaque para o Futebol Clube do Porto cujos responsáveis atribuiram o avolumar dos prejuízos ao aumento dos encargos com a rubrica "Despesas com Pessoal" devido ao pagamento de mais e maiores prémios de jogo.
Ora batatinhas, se é para ser assim esta "empresarialização", mais vale fazer como aquele clube da última divisão dos distritais do Porto cujo presidente após dezasseis derrotas consecutivas (!!!) afirmou à "Liga dos Últimos" nos tempos em que ainda tinha piada, que "os objectivos da época estavam alcançados"!
Perante a estupefacção da entrevistadora que lhe disse qualquer coisa como: "mas, senhor fulano de tal, quais eram esses objectivos?"; o homem exclamou sem hesitar: "a manutenção"; a jornalista verbalizou a estranheza: "a manutenção após dezasseis derrotas seguidas?!"; aí o homem esclareceu:
" - É que já não há mais para baixo!"