quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Enfim, só chatices...

Para as eleições presidenciais em Moçambique, entre o "oficioso" Guebuza e o "eterno" Dlakhama (uma espécie de "Savimbi" conformado), foram destacados pela "Comunidade Internacional" numerosos observadores, entre os quais alguns deputados e eurodeputados portugueses.
Já para as concomitantes eleições no Afeganistão não consta que esteja lá algum e entende-se bem porquê?
Para além das afinidades da língua e da cultura, ditadas por razões históricas, o clima em Maputo é muito melhor do que em Cabul que fica imensamente longe do mar, sendo por isso, difícil ir à praia; como se tal não bastasse os afegãos são muçulmanos o que torna quase impossível o consumo de cerveja e demais "néctares" fermentados e/ou destilados e pelas razões já apontadas de índole geográfica e cultural, também não costuma haver marisco.
Já do ponto de vista social as mulheres afegãs são muitíssimo recatadas e nada dadas a convívios com homens, demais a mais, estrangeiros, e os homens afegãos muito ciosos no seu resguardo pondo, por isso, imenso empenho na preservação dessa virtude, também não sendo muito dados ao "diálogo" que não seja à "mão armada".
Afinal, o que se poderia esperar de um país em que o desporto nacional é uma espécie de râguebi equestre em que a "bola" é um cabrito decapitado?!
Enfim só chatices...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Erro de Rangel

Ficou célebre o clamoroso erro de avaliação social de Emídio Rangel enquanto director da SIC ao, após uma época dourada de sucesso de audiências, ter recusado exibir a versão nacional do "Big Brother"; erro que lhe foi "fatal", pois acabou por lhe custar o lugar e permitiu que a TVI que "pegou" no programa que SIC "largara", a ultrapassasse até hoje.
Rangel subestimou a permeabildade do português comum à "modernidade" mediática, julgou que o pudor "católico" que constituira o estereótipo do "português suave" ainda vigorava. Enganou-se e para seu próprio prejuízo os portugueses mostraram-se tanto ou mais "desavergonhados" do que os outros povos "modernos".
Essa falta de pudor, esse abandono do cuidar, nem que seja das aparências de "moralidade", hipócrita ou não, deu lugar a um "desaforado" descaramento social que até se engalana de proselitismo.
Digo isto a propósito da data que hoje ocorre e assinala o "Dia Mundial do Idoso" que traz à colação o deplorável estado da assistência pública e mesmo privada que dedicamos às chamadas terceira e ,agora, quarta idades, a falta de respeito, dignidade e simples decência com que são tratados os cidadãos que cada vez vivem mais tempo, mas em piores condições.
As duas qualidades essenciais da governação contemporânea não são da esfera da acção, são antes a (má)retórica e a (boa)estatística e mesmo apesar de toda a demagogia, as carências são espantosas.
Temos um parque assistencial claramente deficitário, de baixíssima qualidade material e humana, permeável a ser explorado como um "negócio" escabroso e rapace, em que se empregam pessoas por exclusão de partes (e que portanto fazem aquilo - supostamente cuidar de idosos - por que não arranjaram mais nada e mesmo assim, nos intervalos dos subsídios), logo sem qualquer vocação e/ou preparação para o efeito que também está longe de lhes ser ministrada. Sendo um daqueles inúmeros sectores da sociedade portuguesa em que são necessários empenhos e "cunhas" para enfiar alguém num "Lar" muito minimamente decente e em que até a Santa Casa da Misericórdia (não esta ou aquela em especial, mas todas no seu conjunto), se é que alguma vez o foi, há muito o deixou de ser.
E não se trata de esmolas mas de direitos; quando vêm uns "engraçadinhos" neoliberais de trazer por casa, opinar que: " O Estado não pode fazer tudo".
Pergunta-se-lhes: Afinal para que deve servir o Estado? Apenas para tapar os buracos financeiros que os vigaristas provocam?!
As pessoas pagaram, fizeram descontos durante décadas, pagaram impostos, não estão a pedir que lhes seja dado nada, mas apenas que os seus legítimos direitos sejam respeitados.
À falta de tempo e de disponibilidade soma-se a falta de vontade e gratidão das famílias agora "libertas" por essa "nova" e liberal "moralidade" que permite que se "descartem" sem problemas de consciência dos "fardos" a que nesta sociedade da não-inscrição (cf José Gil) os que são chamados como costumavam ser os "trapos", constituem. Assim à descarada, sem remorsos, nem culpabilidades, nem pesos na consciência, que são tudo conceitos "passadistas" e que impedem que os que ainda podem vão, garganeiramente, "gozando a vida".
Este país não é mesmo para velhos!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Um Pai Tirano ou a Teoria dos Quatro Salazares

Logo a seguir ao 25 de Abril e na sequência de ter fundado, com um amigo, a Secção do Barreiro do Partido Socialista fui um dia, ainda em 74, à Sede Nacional do PS então em S. Pedro de Alcântara onde é hoje a FAUL e saí de lá carregado com propaganda para trazer para o Barreiro. Apanhei então um táxi para a estação do Terreiro do Paço.
O taxista, na melhor tradição da "classe", começou logo a "desbobinar" dizendo cobras e lagartos da "selva" a que "isto" tinha chegado e a "culpa" que o 25 de Abril tivera nisso tudo. Culpa, aliás, que estendeu a Marcello Caetano que classificou de "banana" e por isso a "coisa" terá dado no que deu. E acrescentou:
- "Sabe amigo (é claro que não reparou que a propaganda que vinha embrulhada e atada era do PS), sabe como é que isto se resolvia? Não era preciso só um "Salazar", mas quatro, um para cada canto do país e o "pior", quer dizer, o "melhor", ia para o Alentejo"!
É muito antiga esta pulsão nacional por um "pai tirano" (ou até por "quatro") que seja capaz de "cortar a direito" e que "ponha isto nos eixos" e foi neste "caldo de cultura" que emergiram figuras da democracia com um perfil entre o "severo" e o, pelo menos, "austero" - Eanes, Cavaco, Ferreira Leite e até Sócrates (de uma forma um pouco mais à Frei Tomás) são frutos políticos desses anseios de pôr fim a um certo "regabofe", nem que seja com outro de sinal contrário.
Este pano de fundo é, a espaços, temperado por "raposas" bonacheironas (pelo menos na aparência) como Soares ou pelo insular histrionismo de Jardim (conquanto não saia da Ilha).
Mas entre os "Salazares" que fazem (ou prometem fazer) e os que só "desfazem" (ou prometem desfazer), o "povão" prefere os primeiros.
Afinal, independentemente de quem "sonha" ou de quem "quer", é preciso mesmo é que a obra nasça!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Saramago que se cuide...

Um padre, de setenta e quatro anos, em Covas do Barroso, concelho de Boticas, foi detido na posse de um autêntico arsenal de armas, munições e explosivos que escondera na própria sacristia.
O Saramago que se cuide...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Malho

Augusto "The Hammer" Santos Silva terá agora como Ministro da Defesa uma oportunidade soberana para exercer os seus dotes de "Malhador" e vamos lá ver se terá "hortaliça" suficiente para falar grosso com a tropa. Aposto que não, que se tentar, muito rapidamente, meterá a "viola no saco".
É que ele, aliás como o "chefe", é dos tais "valentões" que só calcam enquanto sentem o piso mole.
Não se dará muito bem com "passeios fardados" de sujeitos armados.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"IF"


O que a notícia de maus tratos aos alunos no Colégio Militar tem de incrível é que pareça constituir um espanto público. É mais um daqueles "segredos de Polichinello" que abundam na sociedade portuguesa, pois toda a gente já, pelo menos, ouviu falar das violentas "praxes" a que os "veteranos" submetem os "ratas", penso que é assim que no calão interno e não deixa de ser esclarecedor, que são designados os alunos mais pequenos.
Sugiro um filme já com "barbas", mas sempre actual: "IF" de Lindsay Anderson (1968) onde poderão ver (ou rever) um magnífico desempenho do então jovem Malcom McDowell e ter uma visão, infelizmente ainda demasiado presente, desse tipo de "universos".

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Suma Teológica

Saramago provou que pode estar velho, mas não está parvo. Ele mais a Pilar ainda sabem como é que se vende um livro.
Nada como uma boa "polémica" para lançar o produto e, num tempo em que reina a imbecilidade, quanto mais imbecil melhor.
Pior do que ver um Prémio Nobel da Literatura esgrimir argumentos de um anticlericalismo "tabernícola", pois até o meu avô, que era analfabeto, dizia coisas da "profundidade" de "Caim nunca existiu!", é reparar que a esse propósito temos um povo de "teólogos instantâneos". Segundo um inquérito divulgado pela SIC-Notícias , um em cada dez portugueses afirma ter lido a Bíblia na íntegra.
Aposto que um em cada vinte leu a "Crítica da Razão Pura".
E pelo menos Passos Coelho afirmou que o seu livro preferido é "O Ser e o Nada".
Isto assim não é um País, é um Seminário de Doutoramento em Aldrabologia Aplicada.