sábado, 14 de novembro de 2009

Coerência

Sócrates, cujo diploma de licenciatura foi passado a um domingo, visita hoje, sábado, acompanhado da nova Ministra da Educação, várias escolas de Lisboa.
Isso é coerência meus senhores; o homem poderá ter muitos defeitos - percursos irregulares, amigos pouco recomendáveis, "esqueletos no armário" e "rabos de palha" por todo o lado, mas que é coerente - lá isso é!
E até pode ser que hoje, nas escolas que vai visitar, encontre os tais miúdos que o Governo contratou a uma agência de castings como figurantes aquando do lançamento do, agora esquecido, "Magalhães".

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Deixa-me rir!

A TSF acaba de perguntar a Vital Moreira a sua opinião, enquanto "jurista", acerca da publicação de notícias sobre a existência de "escutas" por parte da PJ de conversas entre Sócrates e Vara.
É assim como perguntar ao Arcebispo de Braga se acha que o Papa poderá ser pedófilo?!
LOL!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Queda do Muro


A efeméride do dia são os vinte passados desde a "Queda" do Muro de Berlim que simboliza, mais ou menos consensualmente, o fechar de pano da século XX. Havendo até quem tenha, com pretensões "hegelianas" e de forma rídicula, diga-se de passagem, querido ir mais longe e testemunhado o momento do "Fim da História".
Já ao tempo, eu que sou pouco dado a "crendices", tive a então estranha sensação de que estavam a ser deitados "foguetes antes da festa". É claro que entendi perfeitamente a euforia dos alemães, sobretudo dos de Leste, ao verem a sua pátria reunificada e a ditadura "comunista" perto do fim tornando possível o acto, para nós banal, de comprar bananas que me lembro de terem sido os primeiroa bens de consumo a serem "devorados" pelos Ossies em justificado delírio.
Mas parece que a euforia não durou muito e percebe-se porquê: se a teleologia "comunista" faliu e os "amanhãs que cantavam" foram de facto "ontens" muitíssimo duros, não é menos verdade que a "religião" do mercado erigida em pensamento único pelos que se apressaram a decretar a "morte das ideologias" (todas menos a sua é claro) não revelou, antes pelo contrário, uma "terra de leite e mel" e o mundo pós "Guerra Fria" evoluiu para um sem número de guerras quentes.
É que a História costuma ser teimosa e recusa-se a acatar "decretos" imbecis.
Duas décadas depois, o Mundo está pior - é uma evidência - menos próspero, menos seguro, menos habitável.
O capitalismo liberto do "socialismo real" (que, apesar de tudo, o continha "em respeito") tomou o "freio nos dentes" e (re)começou um galope à desfilada; muitas conquistas que custaram imenso sangue, suor e lágrimas (horários de trabalho, Estado social) estão a regredir a olhos vistos para práticas próximas das do século XIX no "mundo desenvolvido", pois no "Terceiro Mundo" é a total e absoluta escravatura (sobreexploração e trabalho infantil, sem direitos, nem quaisquer condições, por uma "malga de arroz") em nome de uma sacrossanta "globalização" que parece só se aplicar à ganância e à infame rapacidade da exploração desenfreada e do lucro a qualquer custo, desde que não custe a quem o "empocha", como é óbvio.
Surgiu em cena toda uma "retórica" politicamente correcta dos "direitos humanos" que, em muitos casos, serve para aquilo que Marx, que ao contrário dos apressados epitáfios está mais vivo do que nunca, disse que servia a "ideologia" - para representar a realidade de "pernas para o ar".
É nisso que converge todo o poder da "Matrix" - criar a ilusão do "melhor dos mundos" na "aldeia global", imbecilizar e empaturrar de veneno, desde a alimentação à economia, passando pelos media, a vida da "mundo industrializado" e prosseguir o saque do restante (que até já vai dando algum "troco" através do terrorismo, agora também global, que apenas vitima inocentes); "socializar" as agruras, privatizar as "delícias".
Vender fancaria em low cost enquanto valer a pena, ir de "Protocolo" em "Protocolo" até ao colapso ambiental cuja presença é indisfarçável através das alterações climáticas, tão súbitas e drásticas que uma curta vida humana é suficiente para as verificar.
Havia nos idos de 70 do "século passado" uma expressão curiosa acerca do mundo, então bipolar, que denunciava a falsa alternativa entre "a miséria do quotidiano" e o "quotidiano da miséria".
Ora, nunca como hoje estivemos tão totalmente imersos na primeira e ameaçados pela segunda!

Face Oculta

Neste processo designado "Face Oculta" têm surgido nomes de envolvidos que, só por si, justificam a designação.
Ele é um "Namércio" (e porque não "Mamúrcio"?), ainda por cima, "Cunha". Ele é um "Chocolate Contradanças"!
De facto, com nomes destes é natural preferir ter a face oculta.

sábado, 7 de novembro de 2009

E porque não?

A propósito da "guerra dos crucifixos" que passou a ser um dos temas mais "fracturantes" do Portugal educativo, atrevo-me a propor uma solução radical.
Porque não tornar a pôr os retratos do Salazar?

Vida Fácil


A quantidade de gadgets que apareceram ultimamente para nos "facilitar a vida" é deveras impressionante e tem, muitas vezes, o efeito paradoxal de a complicar ainda mais ou de ser bastante difícil que através deles a vida seja, de facto, mais fácil.
Faz-me lembrar aquela anedota "clássica" da mulher que vai a julgamento por prática da prostituição (então um ilícito) e perante a pergunta do juiz:
- A senhora sabe do que vem acusada? (não, não é a que estão a pensar que é muito "grossa" e eu não sou assim tão ordinário).
- Não senhor doutor juiz, não sei!
- É acusada de ser uma mulher da vida fácil!
-Fácil senhor doutor juiz!? Pois experimente Vossa Excelência fazer ... ... a um bêbado!
É exactamente o que se passa com a mitologia da "inovação" e mesmo sem querer ser muito luddite é óbvio que estes conceitos "balão" não resistem a evidências como a dos nazis terem sido "inovadores" com a utilização da câmara de gás; com efeito matar tanta gente em tão pouco tempo foi recorde só batido pelos americanos em Hiroshima e Nagasaki.
Até há uma velha "maldição" das mentes geniais da tecnociência serem, em geral, mais profícuas na destruição do que na construção. Foi assim em Los Alamos e se o Bill Gates (para quem a vida ficou, sem dúvida, muito mais fácil) não é, como alguns dizem, o "Anticristo" (se bem que o Maligno use de muitas manhas, com uma fronha daquelas ninguém ia acreditar) o que é verdade é que os seus artefactos tornaram possível, a meias com o telemóvel, a "escravatura" total e a total devassa da vida privada, que entretanto deixou, pura e simplesmente, de existir.
Hoje ninguém escapa ao braço longo do "patrão" a impingir tarefas fora de horas, (fora das horas que ele paga, entenda-se) e ao fim-de-semana e, muitas vezes, em momentos que queremos de lazer ou privados, lá toca o telefone e ou é serviço ou publicidade agressiva e parece não haver volta a dar-lhe.
Sendo justo, também é verdade que estou a publicar este texto num blog.
O mais engraçado de tudo isto é a crescente retórica acerca dos direitos, que é tanto maior quanto menos efectivos eles são, o que a torna autêntica "música para camaleões".

domingo, 1 de novembro de 2009

O "Escritório"

Defronte da minha casa está, há uma boa meia dúzia de anos, um (que já foi) automóvel, abandonado.
Já teve, há cerca de um ano, uma notificação da Câmara colada no pára brisas, mas já não tem; passaram todos os prazos dados a toda a gente e é claro que a burocracia é quase sempre estúpida: se o proprietário o quisesse não o teria deixado ali, a menos que seja roubado, mas se o foi, alguém deve ter participado às autoridades “competentes” e só se estas fossem muitíssimo incompetentes é que o teriam deixado lá permanecer todos estes anos.
O que é certo é que o carro, agora “mono”, lá está a ocupar um precioso lugar de estacionamento e a poluir visual e socialmente a zona. Mas como a inventividade humana não tem limites, acaba por não estar ao “deus dará” e cumpre até uma importante função socioeconómica na cadeia de serviços, tratando-se de uma das raríssimas bolsas de estacionamento oficialmente livre do cento do Barreiro (o olival semi-baldio junto à Biblioteca Municipal), a viatura serve de “escritório” a uma espécie de “empresa” de estacionamento que me parece, por observação empírica directa, funcionar num regime de carácter “cooperativo” dado que várias equipas de TPAs (Técnicos de Parqueamento Automóvel – vulgo “arrumadores”) se revezam com funções distribuídas, numa organização racional de serviço à população, que pelo preço de uma singela “moedinha”, vê satisfeita e em geral bem, a sua necessidade de estacionamento com tarifa única e independente do tempo de permanência.
Ora, iniciativas destas são de acarinhar, trata-se de uma autêntica “start up” e num país e região tão carecidos de apoios à iniciativa privada como via de salvação da nossa depauperada economia e recuperação do emprego, não serão de enjeitar.
Rogo pois, a quem de direito que tire de lá o “chaço” e arranje aos rapazes um escritório em condições.