sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Joker


O primeiro Joker já está em campo.
Como escrevi recentemente neste blog, tudo está a ser feito para que Manuel Alegre não tenha a mínima hipótese e como já queimaram a "raposa", vêm agora com o "cordeiro".
O que vale é que: "The Lamb Lies Down on Broadway".

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CTT


Há coisas que não mudam. Nalguns casos ainda bem, na maior parte seguem aquela velha regra de Lampedusa de que "é preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma".
É o caso das estações dos CTT, agora com uma cosmética modernaça, toda fashion, mas com as intermináveis bichas ("filas" no linguajar contemporâneo), que até são de estranhar, já que na era do email ir aos Correios é um acto muitíssimo mais raro. Mas adiante, o que vale é que se continuam a perder horas nos CTT, só que agora esse tempo pode ser parcialmente compensado com uma instrutiva leitura, pois os CTT deram em vender livros em regime de self-service e só há que aproveitar. Enquanto se espera é deitar mão aos escaparates e pôr a leitura em dia com títulos que vão do já clássico "Poder do Pensamento Positivo" até ao Dalai Lama, passando pelo "saudoso" Cunha Rodrigues. Há tanto tempo para ler que até é escusado trazer algum, o que se espera dá para "devorar" uma obra maneirinha.
Já comprar se torna mais difícil uma vez que, apesar de toda a cosmética inovadora e malgrado a "Revolução Tecnológica", não há Multibanco.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Contra-Ataque


A "rapaziada" do PS/Tacho, já incapaz de impedir a divulgação de canalhices e traficâncias várias, vira-se agora para, numa espécie de contra-ataque, "denunciar" que afinal houve outros que também "empocharam" dinheiro do Godinho das Sucatas (o Bibi da "Face Oculta") e avança com nomes ligados ao "PPD"/ PSD/Santana Lopes e ao CDS/PP/"PP" (Paulo Portas - não há outro).
Em suma: como não há moralidade, comem todos!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Imagem





O chefe do Grupo Parlamentar do PS, Francisco Assis, pessoa que considero séria e politicamente bem preparada, verberou o comportamento do eurodeputado do PSD, Paulo Rangel, pessoa acerca da qual faço o mesmo juízo de valor, por ter denunciado no Parlamento Europeu os crescentes condicionamentos que em Portugal vão sendo, paulatinamente, postos à liberdade de expressão, utilizando o velho, relho e bafiento argumento que ele estava a "denegrir a imagem de Portugal" nesse areópago.
Ora, esse argumento é justamente o que costuma ser utilizado nos ambientes mais ou menos mafiosos, como os da "bola" e outros que tais, quando não se quer ir ao fundo (ou até ao meio-fundo) do que realmente importa. Além de ter sido o argumento por excelência do salazar-caetanismo em relação às vozes críticas. Foi, aliás, nesse contexto que surgiu o célebre "mito" de Mário Soares a "pisar a Bandeira Nacional" em Londres e outras baboseiras do género.
Não fica, pois, bem, usar argumentos desse jaez a uma pessoa assisada como o deputado Francisco Assis, que pode não ser nenhum "santo" e ninguém lhe pedirá isso, mas é um homem com provas dadas de idoneidade e coragem e estou a lembrar-me do episódio de Felgueiras, em que o demonstrou à saciedade.
Meu caro, a "má imagem" de Portugal é dada principalmente pelo espectáculo constante de corrupção, nepotismo, compadrio e aboletamento; pelas enormes e crescentes desigualdades económicas e sociais; pela crise constante da Economia; pela inoperância da Justiça (que por não ser célere, passa a ser celerada), pelo faz-de-conta na Educação, com os custos presentes e futuros de um país de analfabetos funcionais certificados; pelos Governos que em vez de governar, se governam; por um Primeiro-Ministro que se "licenciou" a um Domingo numa "Universidade" que pouco tempo depois tratou de mandar encerrar(!!!) e cujo nome aparece associado a tudo o que são moscambilhas (e o meu amigo sabe, tão bem ou melhor do que eu, que "em política o que parece é") e com uma "família" e uma "roda de amigos" de pôr os cabelos em pé ao Rasputine, quanto mais a S. Francisco de Assis.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sidónio Mães ou a Barriga de Aluguer


Perante a quantidade de escândalos, é caso para dizer que "cada cavadela sua minhoca", em que aparecem sempre os nomes da mesma "trupe" e que vão desde os negócios de sucata à comunicação social (para "vender" mais "sucata"), passando pelos do grande imobiliário, que de reserva natural passa por "artes "mágicas" a Outlet (Don`t Let me Down) e às "energias alternativas", é caso para dizer que este regime está infectado pelo síndrome da "Barriga de Aluguer", tal é a quantidade de porcaria que traz no bojo.
As altas entidades judiciais perante posições consistentes quer da investigação policial (PJ), quer da investigação judicial (Ministério Público e juízes), primeiro "chutaram para canto" e agora, que se tornou impossível ignorar o que vemos, ouvimos e lemos, optaram pela estratégia da aranha: dar caça ao mensageiro e não "escavar" a fonte da mensagem. A este propósito é chocante ouvir as declarações quer do senhor Procurador-Geral da República, quer do senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que mais parecem tudo fazer para encobrir do que para descobrir. Ora, isto acaba por ser mais denegar a Justiça do que promovê-la.
É o que se tem visto nos casos "Apito Dourado" e mutatis mutandis, "Face Oculta", que se revelam farinha podre do mesmo saco bichoso em que está transformado Portugal, um autêntico Octopus Garden.
E por ser esta a ditosa Pátria que tais filhos tem, o melhor ainda seria voltarmos às "receitas" da I República, mas não propriamente à célebre "Sopa" do Sidónio de que, por este caminhar, em breve estaremos todos, (menos a "Quadrilha" como é óbvio), precisados.
Era canja!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Manigâncias" ou de Como se Ganham Eleições?


Em Portugal e descontando as numerosas circunstâncias em que melhor do que ganhar eleições, é só mesmo perdê-las, há um conjunto de procedimentos preciosos para ganhar eleições que constituem mesmo um autêntico "Manual", uma daquelas "Sebentas" cujo autor fosse o Alves dos Reis para ser dada em aulas pelo Vale e Azevedo.
Senão vejamos - Sócrates e o Partido Socialista, depois do "susto" das Europeias, fizeram uma campanha contra o "pessimismo" e os "Velhos do Restelo", (o último parece que foi o Américo Thomaz), pela "positiva", prometendo uma dinamização "keynesiana" da Economia através de uma espécie de New Deal à "vara larga" com estradas, pontes, TGVs, energias alternativas, clusters diversificados desde as eólicas à força das ondas, passando pelos carros eléctricos sem trolley.
Afinal e mercê da sua sábia governação o País tinha resistido exemplarmente à "pior crise dos últimos oitenta y anos" (na inimitável pronúncia "socrática"), o deficit era de menos de 3%, mais coisa, menos coisa, e não iria haver qualquer Orçamento rectificativo. Só era preciso "vestir a camisola", "acreditar" e outras patranhas do género mais puro estilo motivacional a la Meirim - "mentalizem-se"! Não se lembram?!
Subir impostos, mais uma vez - vade retro!
Tendo sempre ficado por explicar a súbita demissão de Campos e Cunha na versão 2005 do Wonderland. Eis senão quando, Teixeira dos Santos que pegou no estandarte, depois de anunciar retomas e melhorias várias vem, após a desconfortável maioria relativa de 2009, revelar que afinal se tinha "enganado" no cálculo e que o deficit era na realidade de mais de 9%, sem que o altamente remunerado e muitíssimo perspicaz Governador do Banco de Portugal tenha, desta vez , dado por isso e que, por esse "ligeiro" e assumido "erro de cálculo", uma boa parte, senão a totalidade, de toda essa traquitana, não passará do, agora muito in, mundo virtual.
Para aprovar o Orçamento de Estado está a ser precisa a litle help from my (no fundo, no fundo) friends e até o homem das "inventonas" é agora parte essencial da "salvação" tudo fazendo para que a crise continue a ser paga pelos mesmos do costume, os que pagam impostos e cujo modo de vida fica cada vez mais ameaçado, empobrecendo com a grande desvantagem de não ser reconhecido oficialmente como tal, antes pelo contrário, tendo que sustentar os que sendo ricos, são pobres para o Fisco e os que sendo oficialmente pobres, continuam a fazer vida de "ricos", pois nada pagam. É notório que hoje em dia a situação social das "famílias" deixou praticamente de se determinar pelos rendimentos, para, de facto, se determinar pelos encargos sendo, por estas e por outras, que toda esta "estória" está muito mal contada.
E agora, paulatinamente, assim como quem só quer a "coisa", o Governo vai deixando cair "bandeiras", betão e desenvolvimentismo acelerado por TGVs e aeroportos pois ainda é cedo para eleições (o PS aparelhista até anda a ver se consegue arranjar outro joker que permita, mais "espião", menos "escuta", que Cavaco seja reeleito) e depois logo se vê!
Este modus operandi faz-me lembrar uma situação que presenciei nos idos de 60 quando foi inaugurada a Secção que viria a ser o Liceu do Barreiro e foram recrutados dois homens para "contínuos" (era assim que se designavam na altura os funcionários que, após se terem designado "Auxiliares de Acção Educativa", se designam agora por "Assistentes Operacionais") um deles foi encarregado de gerir a Papelaria, não resistiu e deu uma "banhada" de 60 contos ou coisa assim, (um "balúrdio" ao tempo), foi despedido. O outro entrou a pé e ao fim de uns anitos já andava de BMW, hoje está reformado da Função Pública e é, precisamente, grossista de material de papelaria tendo por principais clientes vários estabelecimentos de ensino, incluindo aquele em que foi "chefe-maior do pessoal menor"...
Viver não custa, o que custa é saber viver!!!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Penduras & Penetras


Nesta sociedade em que a "política", não a "teórica" a que ninguém liga, mas a "prática", já só serve para as clientelas continuarem o saque enquanto "moralizam" os outros e a "festa" continua apesar dos protestos "liberais" dos que acham que também só os outros pesam no Orçamento, tem vindo à colação a problemática da dependência em relação ao Estado.
O problema do Estado em Portugal é como o de Lisboa, o resto é paisagem. Não temos, entre nós, verdadeiras empresas privadas, na verdade não temos sequer verdadeiras empresas. Teremos, ou melhor, terão, quando muito privatizados os réditos dos "negócios" que o Estado, ou seja, quem ocupa o aparelho de Estado distribui à tripa forra por alguns "parceiros", "players" que nunca arriscam o deles claro está, arriscando sempre o que por direito é de todos.
O PCP nos anos 60, quando tinha teoria, quer dizer, quando Cunhal estava vivo e pujante, tipificou o sistema económico português como "Capitalismo Monopolista de Estado", ironicamente a designação que os economistas esquerdistas davam ao sistema soviético, mas o PCP queria dizer que o Estado Português do tempo do salazarismo, mais do que o da "modernização" caetanista, através de mecanismos de privilégio e exclusão como a Lei do Condicionamento Industrial, entregava a alguns (os tão decantados Mellos e Champalimauds) o monopólio ou quase dos sectores produtivos e, por arrastamento, dos mecanismos financeiros. Ora, hoje é mais ou menos o mesmo que se passa, sem que ninguém o teorize, nem sequer o denuncie com muita e evidente convicção.
Estranhos tempos estes!
Os "Penduras" e os "Penetras" são duas das espécies mais protegidas no Portugal Contemporãneo e isso deve merecer-nos preocupações de carácter social, político e mesmo estritamente científico.
O Estado (e "territórios adjacentes") encontra-se alapado de ladrões que gritam "agarra que é ladrão" para desviar de si as atenções; em geral os grandes e pequenos "penduras" vivem muitas vezes "à grande e à francesa" do subsídio, do favor, da mordomia, da prebenda. Para entrar neste domínio e conseguer viver "à pendura" é preciso começar pela condição de "penetra"; como para estas bodas não costuma haver convites, cada um tem de se convidar a si próprio e, como agora se diz, "chegar-se à frente".
É o cartãozinho certo na altura certa e sempre manteigando o "chefe" que está a dar, são os "amigos" convenientes, é a troca certa na altura exacta (é, sem dúvida, o aristotélico problema do kairos) penetrando noutras esferas, quando a ocasião se propicia, pois como ficou estabelecido como um quase dogma do regime "democrático" em que vamos vivendo - "só os burros não mudam de ideias" e como ninguém quer ser burro...
A este propósito é ver a quantidade de "altos penetras" que enxameiam a nova "União Nacional" e que começaram a carreira de "penduras" noutros quadrantes, tendo posteriormente feito o azimute mais acertado e corrigido atempadamente a trajectória.
Esta, mais do que meramente taxonómica, relação entre "penduras" e "penetras" é verdadeiramente ontológica, comungando a essencialidade e transcendendo mesmo as contigências fenomenológicas em que por uma vocação não meramente acidental, mas de profunda substancialidade, Ser e Devir se conjugam numa única e inequívoca manifestação de identidade de Condição e Destino.
Para ser "pendura" é necessário ter sido "penetra" e todos os "penetras" visam a perenidade dessa condição, independentemente do Espaço e do Tempo, numa realização plena da Metafísica como verdadeira ciência através da muito almejada Unificação dos Campos que tanto tem dado que fazer ao mundo da investigação, encontrando-se Portugal como Obra Colectiva em condições de mais do que para o Guiness (até porque o mau tempo estragou o record de brindes com champanhe marado em Albufeira), candidatar-se ao prémio Nobel da Física por esta monumental integração holística da Relatividade e da Mecânica Quântica com a dimensão sapiencial da Existência.
Dos "penetras" e dos "penduras" só mesmo os mágicos como Harry Potter terão uma fórmula encantatória para nos livrarem deles que, apesar de ser secreta, presumo que deva ser algo como:
- "Cleptorum Expectum"!