sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Síndrome de Egas Moniz



Marx avisou que a história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Não será assim de estranhar que o dr. Gilberto Madaíl, presidente da FPF, tenha manifestado o Síndrome de Egas Moniz e também ele tenha ido a Castela de "corda ao pescoço" rogar desta feita aos reis da bola madrilenos, que nos dispensem o valido Mourinho, o único que pode salvar as hostes lusas nos próximos prélios com os vikings, depois de dois desastres seguidos e mais umas partes baixas que levaram à destituição do condestável Queirós.
Se é golpe de teatro, coelho da cartola, fuga para a frente ou, como se diz na nova língua "perteguesa", "ambas as duas", não sei, mas é de mestre.
O homem pode ter muitos defeitos, mas que não é parvo, não é não senhora!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Confissões



"Deus morreu, Marx também e eu próprio não me sinto lá muito bem"

"Confissão" mural do Maio de 68





Estas "Confissões" não sendo as de Santo Agostinho, nem as de Jean-Jacques Rousseau, não deixam de ser significativas. Francisco Assis, líder parlamentar do PS, ao desmentir, ontem no "Frente-a-Frente" da SIC - Notícias, a insinuação de Morais Sarmento de que o Partido Socialista continuava a ser "marxista" e por isso obstinava-se a não querer nenhum tipo de revisão constitucional, respondeu com uma assertividade fulminante, deixando o antigo boxeur num autêntico estado de knock out argumentativo:
- "Então se acha que isso é verdade e sendo o actual Governo do Partido Socialista, achará certamente que é um Governo marxista, olhe que não me parece!".
De facto, nem a ele, nem a ninguém!
Só me ocorre outra "confissão" mural soixante-huitard: "Je suis marxiste, tendence Groucho"!
Um tiro num porta-aviões. Xeque mate!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"Manchester England, England"


Não há dúvida que o professor Carlos Queiroz é um sujeito aprumado, ao ponto de não perder a compostura mesmo quando parece ter perdido as estribeiras. Terão certamente reparado no preciosismo de virar o casaco do avesso em plena arruaça, antes de o atirar ao chão.
É certo que nos tem brindado com actos que não suspeitávamos possíveis como a agressão ao jornalista Jorge Batista ou a alusão às partes pudendas da progenitora do dr. Luís Horta (médico-chefe da Autoridade Anti-Dopagem), mas tudo isso poderá ser pelo menos atenuado se considerarmos o carácter auto-sacrificial de quem aceita cargos como o de seleccionador nacional de futebol num mundo em transe e num país em que a crise é particularmente aguda ao ponto de agravar o crónico problema da má relação de certos políticos com a verdade. Quem se lembrou de "levar a democracia" ao Iraque quando o Saddam Hussein era o "nosso" (dos Estados Unidos, claro) filho da puta? Quem se lembrou da "equidade", invocada para baixar salários e suprimir benefícios, quando havia dinheiro?
O caso Carlos Queiroz assume o carácter "sacripântico" de quem precisa de um pretexto para correr com ele sem lhe pagar o que está no contrato que, pese embora, possa ser um disparatado "balúrdio", terá sido o "isco" que mordeu de boa-fé.
Carlos Queiroz demonstrou não apenas ter um perfil de bom cristão, mas seguir a via da autêntica "Imitação de Cristo", como a pregaram os padres José de Anchieta, Manuel Bernardes e António Vieira, quando aceitou vir dar-se em holocausto e suportar a inevitável passagem de salvador a ovelha ronhosa num ápice, devendo saber antecipadamente que os mesmos que lhe cantaram hossanas, seriam os que, pouco depois, clamariam pela sua "crucificação", trocando-o por um qualquer Barrabás, que isto entre ladrões vai dar tudo ao mesmo.
O professor só pode merecer o nosso mais alto reconhecimento e patriótica devoção mística, demais a mais se pensarmos que a sua situação em Manchester não se resumia apenas a um qualquer "engano de alma ledo e cego".

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eu bem dizia! ("Oh Elvas, oh Elvas, Badajista à voz")


Once upon a time in the very beginning of the Caso Casa Pia, ouvi nos media as razões da acusação aos arguidos e verifiquei que enquanto a esmagadora maioria eram pronunciados por crimes de abuso sexual sobre menores, uma senhora, Gertrudes Nunes, o era só "por ter casa em Elvas", o que me suscitou uma grande perplexidade. Como poderia ser crime "ter casa em Elvas"?!
Afinal o acordão deste longo caso veio dar-me razão e de todos os arguidos, apenas Gertrudes Nunes foi absolvida, tendo o douto tribunal considerado que "ter casa em Elvas" não constitui qualquer tipo de ilícito. Foi um processo de apenas (!!!) oito anos até à decisão em primeira instância a que seguirão provalvelmente outros tantos de recursos sucessivos. Extremaram-se posições, decapitou-se a direcção mais à esquerda que o PS conheceu, pronunciaram-se e despronunciaram-se pessoas, destroçaram-se vidas e até se misturaram coisas não miscíveis, como demonstraram alguns comentários muito pouco "católicos" (vindos de quem vieram) a (des)propósito da morte de Michael Jackson.
Como era de esperar "lixou-se o mexilhão" e o "Bibi" leva mais do dobro dos anos de "pildra" do que os mais penalizados de todos os outros, provando que, na prática, "Roma" continua a "não pagar a traidores" e que, à semelhança do processo das FP 25, quem se "chibou" foi quem se "prejudicou" (que estranha maneira de dizer os "efes").
Só uma coisa me anima neste folhetim judicial - a minha firme convicção de que uma réstea de bom senso haveria de prevalecer e de que ninguém seria preso só por "ter casa em Elvas".
Era só o que mais faltava!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

Eureka ou os intestinos do pombo


Desvendei finalmente o real motivo do "pó" ressabiado do "Bichano" (filho do "Tareco") Sousa Tavares aos professores. É ele próprio quem o explica na sua página hebdomadária do "Expresso" em que como de costume e a propósito do "poder das corporações", começa pelo Ministério Público, faz uma incursão, que, diga-se de passagem, consome a página quase toda, pelos professores (como não podia deixar de ser) e quase no fim, volta à "vaca fria", ou seja às "malfeitorias" da magistratura. Explica pelo meio, que ainda hoje está para entender porque razão o chumbaram só porque não sabia o sistema digestivo do pombo.
Ora, sendo eu sensivelmente da idade do dr. Sousa Tavares, compreendo a sua frustração; nós tínhamos que "encornar" os tubos digestivos e outros pormenores de vários animais e a reprodução das plantas (que a dos animais era então considerada obscena) e eu, ao contrário dele, ainda hoje, mais de quarenta anos passados, me lembro da "moela", do "papo" e da "cloaca" do pombo, bem como, passando aos quadrúpedes ruminantes, do "barrete", do "folhoso", da "coelheira" e, claro, do "bandulho" do boi. Estudávamos também outros animais como a lagosta, que tem caca na cabeça e o caracol, que fornica com ela.
É agora clara a razão do recalcamento do dr. Sousa Tavares Júnior, era de facto, trampa a mais.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Fonte


Se o Ministério da Educação anunciou o "fim das retenções", há, pelo menos, uma que o Ministério das Finanças nunca deixará acabar. Refiro-me à "retenção na fonte".

A Cereja


A Longa Marcha para o Sucesso Educativo Total, em curso, só tem paralelo nas cifras do "Pleno Emprego" anunciadas nos "bons velhos tempos" de Cavaco PM e Guterres; agora que o "oásis" se desfez e os "camelos" emagrecem a olhos vistos é preciso arranjar outras miragens e, vai daí, a que está mais à mão é a do sucesso educativo por "Plena Certificação" - eles foram "Currículos Alternativos", eles são "Territórios Prioritários", "CEFs", "EFAs", "RVCCs", "Profissionais" que em nada profissionalizam e mais um ror de ficções designatórias que, pese embora revelem bastante "imaginação", o inevitável cotejo com a verdade da vida se encarrega de avaliar com, salvo raras e honrosas excepções, fraquíssimos resultados.
A luta por este desiderato tem sido longa e porfiada, desde as pressões constantes sobre os docentes tentando fazer depender a sua própria classificação profissional do "sucesso" estatístico dos seus alunos, sem nenhum mecanismo fiável e válido de aferição e controle, donde só os tolos se prejudicariam e não teriam pleno "sucesso", até ao facilitismo nos exames e à criação de cursos de "caracacá" com tantas "épocas especiais" quantas as necessárias, passando pela "validação de competências" e mais um sem número de expedientes. Mas o "Esforço" requeria mais empenho e a "Causa" mais aplicação e para isso o trunfo mor estava para vir - é preciso extirpar os "chumbos", não havendo "chumbos" não há insucesso e o povo fica contente.
Afinal, num tempo de "camelos magros" como cumprir as metas do 12º ano como escolaridade obrigatória se houver o empecilho do "chumbo" que, para além de sair caro, por antipático incentiva ao "abandono". Curiosa esta constante, noutros Sistemas Educativos como os do Luxemburgo ou da Suíça onde os professores não são a "corporação de malandros" que por cá existe, os luso-descendentes são os que menos sucesso educativo têm e os que mais abandonam. Será genético? Não o creio, deve ser porque o "pessoal", cá dentro ou lá fora, tem sempre mais que fazer!
A melhor maneira de erradicar o "insucesso" e o "abandono" é dar (literalmente) o 12º ano a toda gente e porque não mesmo uma "licenciatura" (daquelas como o "velho" Melhoral, que não faz bem, nem faz mal)?! É curioso notar que na jihad do "Grande Timoneiro" e do "Bando dos Quatro" (Maria de Lurdes Rodrigues, Pedreira, Lemos e o sr. Albino - que ainda hoje vê, em medidas como esta, "revoluções educativas"), contra "os inúteis mais bem pagos do mundo" ("Bichano", porque filho do "Tareco", dixit) tentou acabar-se com os "chumbos" por mobbing, gorada a tentativa e já no consulado da "Dama dos Sorrisos", a "Obra" tende a completar-se e a "Grande Revelação" é proclamada: «Nada tendes a temer povo da Lusitânia, o monstro do "chumbo" vai ser imolado na fogueira do "Sucesso Garantido"», tanto mais quanto menos o passa a ser qualquer tipo de "Rendimento" ou de "Inserção".
Eu, que sou da geração da culpa, testemunho a ironia do destino de um mundo bipolar de que este país é um fiel barómetro, sempre pronto a adoptar com ligeireza os as aspectos mais "folclóricos" daquilo que outros (os míticos "nórdicos") fazem a sério, é por isso que as nossas escolas feitas segundo o modelo sueco tinham lugares para skis mesmo que fossem em Beja. Enquanto jovem, aluno e filho, a "culpa" era sempre minha por algo que corresse mal, quando cheguei à idade adulta a "culpa" mudou de lado e continuou a ser minha, desta feita como professor ou pai.
Como estudante do Secundário e mesmo da Faculdade lembro-me do prestígio das "Feras", daqueles professores que davam imensos "chumbos", tomados por critério de grande "rigor" e "exigência", nunca concordei nem com o "método", nem com a fama; agora só um louco tentaria ir por um caminho ainda que vagamente semelhante a esse, seria imediatamente lançado às verdadeiras "Feras", as da Burocracia Educacional.
Dos mitos com que nos "embalam", o da Educação e o da Demografia são dois dos maiores embustes políticos da actualidade. Se a Educação só por si garantisse o que quer que fosse, em vez dos ucranianos e dos russos virem para Portugal, seriam os portugueses que para lá emigrariam (o que não quer dizer que não possa ainda vir a acontecer, longe vá o agoiro!); se a Demografia com saldo populacional amplamente positivo fosse o remédio santo para a sustentabilidade da Segurança Social, então a Argélia teria dos maiores índices de Protecção Social do planeta e os seus cidadãos não iriam sobrecarregar a da França.
Solução para o "Enigma":
"It`s the Economy stupid!"