domingo, 10 de abril de 2011

Olli, quem...Rena?!



Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha

Luís Vaz de Camões

O comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros, Olli Rehn, finlandês, glosou (e gozou) uma declaração do Presidente da República Portuguesa em que este pediu à Europa "imaginação" para lidar com o "problema" de Portugal. O nosso Olli tem ar de totó, mas como é comissário deve ter aspirações a "intendente", chalaceou com o apelo à "imaginação" e declarou do alto de uma soberba vexatória que não tornaria a "dialogar na praça pública com os dirigentes portugueses". Cavaco Silva parece ter-se tornado alvo frequente de comentários acintosos por parte de dirigentes estrangeiros (já tinha acontecido, em directo e ao vivo, com o "boémio" Vaclav Klaus) que não devem caber ao mais alto representante de um Estado, pelo menos de jure, soberano e de uma velha nação que tem que honrar os dedos, mesmo quando despojados de anéis. Ainda que toda esta crápula nos tenha posto a jeito, há limites de decência abaixo dos quais não se devem tolerar graçolas insolentes.
Herr "Flick" ou "Rena", ou lá como o diabo se chama:
Que tal se aproveitasse para ir limar as hastes nas coníferas da Lapónia e ver se ainda lá mora o Pai Natal!!!

sábado, 9 de abril de 2011

No pasa nada hombre (ou os malefícios de ter os olhos abertos)







Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o mundo é lisonjeiro,
e ninguém desenganado

Gil Vicente, “Todo o Mundo e Ninguém”





Soube pelos "media", “velhos” e novos, que um professor de Filosofia, João Paulo Maia (51 anos), foi agredido a soco ao ponto de ficar inconsciente por traumatismo craniano, após ter tentado evitar uma briga entre dois alunos na Escola onde trabalha, a Secundária Bocage (antigo Liceu Nacional de Setúbal). Só identifico o docente porque a sua identidade foi já revelada pelos jornais, bem como a do agressor.
Quero dizer que conheço o João Paulo há anos, conheço o seu trabalho, o seu empenhamento quotidiano, o seu dinamismo, as suas elevadas qualidades morais e humanas e aquilo que o vitimou - ter os olhos abertos no contexto de uma situação escolar em que “no pasa nada hombre”, em que ninguém vê nada e em que é frequente que quem não se demite, professores ou funcionários, tenha estas “agruras”.
Sou professor há trinta e quatro anos e pertenço, por isso, à geração da culpa - durante a minha infância e adolescência, enquanto filho, aluno e jovem, tudo o que corria mal em casa, na escola e na vida era por minha exclusiva culpa, no exacto momento em que mudei de lado e me tornei adulto, pai e professor, a culpa acompanhou-me e continuou a ser minha.
Apre que é preciso “pontaria”! Caso para dizer: má sorte ter tido culpa!
Tenho durante a minha vida profissional testemunhado e sabido de inúmeros casos deste tipo que parecem não incomodar mais ninguém: desacatos, agressões, grosserias, depredações de material, porcarias de todos os tipos, actos de extrema incivilidade a que “todo o mundo” faz vista grossa e “ninguém” parece ver.
Dos óculos com lentes de “paraíso” cor-de-rosa que o Ministério da Educação insiste em “vender” até ao estado de negação reiterado em que vivem muitas Direcções de Escolas e Agrupamentos (para não prejudicar “imagens”, afinal o que importa), passando pelo demissionismo militante de muitos professores e funcionários, que tal como o célebre “Guarda Geleia” do Jô Soares (o tal do: “homem - não me comprometa, eu não vi nada, eu não ouvi nada, eu nem sequer estava cá e quem disser o contrário eu NEGO, N-E-G-O, NEGO!!!”) – porque sabem que se virem, ninguém os respaldará e passarão a ser também vítimas de ter visto.
Quem não conheceu situações de colegas cujas aulas transbordam de algazarra e bagunça e depois afirmam peremptoriamente em Conselhos de Turma e até Pedagógicos: “não tenho quaisquer problemas com eles; comigo portam-se lindamente”?
Num País em que as políticas oficiais não passam de mascaradas e "trompe-l'oeil", em que o Sistema Educativo produz, deliberadamente e a partir de cima, cada vez mais “lixo social” que só o é porque se limita a seguir exemplos de “licenciados” ao domingo e por fax, de agressões verbais e físicas entre gajos (não lhes chamo pessoas) , por vezes até com o nome, mas só isso, de sábios e de santos, que dão entrevistas a mascar pastilha elástica (a metadona dos fumadores), que mandam apagar a luz e “regar” contrariedades; em que ser alarve, burgesso e “casca grossa” é vendido como sinal de sucesso - o João Paulo teve o azar de ter os olhos da alma abertos perto de um energúmeno.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Que lata - valham-nos todos os Santos (menos o Teixeira dos ditos)



Como continua a ser possível que uma figura (um "figurão") como o "engenheiro" Pinto de Sousa (aka José Sócrates) se atreva a candidatar-se a Primeiro-ministro após a declaração de ontem - fazer o tal "pedido de ajuda externa" quando tinha reiteradamente afirmado até à véspera, que nunca o iria fazer. É, sem dúvida, um case study talvez para uma futura cadeira universitária de Psiquiatria Política, que a sua palavra, como se dizia do Boletim "Mentirológico", se tenha tornado um sinalizador habitual do contrário e daí para baixo.
Disse que não ia aumentar impostos, foi a primeira coisa que fez, prometeu 150 mil empregos, perderam-se cerca de meio milhão, disse que não tocaria nas deduções fiscais da "classe média" (lembram-se do debate com Louçã), aí foram elas pelo cano abaixo, disse não ser necessário cortar salários e foi o que se viu e agora, com a "ajuda externa", vai tudo a eito conquanto se mantenham subsidiados os falsos pobres e intocados os interesses dos verdadeiros ricos. Aliás, foi por ordem dos banqueiros que lhe passou a "obstinação" tendo franzido o cenho e mandado afinar o teleponto para mais uma encenação da gravitas que naturalmente lhe falta. Passou, como gato sobre brasas, da invocação do "interesse geral" à do "intesse nacional".
Há putativas qualidades de carácter, como a tenacidade, que se não estiverem ao serviço de bons fins são tudo menos virtudes. Um mentiroso que o faça muito e bem é mais prejudicial do que um que o faça mal e um bom assassino não é, seguramente, um assassino bom.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O "Busilis" da Questão...



Sócrates parece estar obcecado com aquilo que, por facilidade de linguagem, se costuma chamar "Avaliação de Professores", e tem feito disso finca-pé mesmo que tecnicamente alguém lhe deva ter explicado, inúmeras vezes, o enorme embuste que isso é. Mas também as "Novas Oportunidades" são um enorme embuste e "isso agora não interessa nada", pois sabe (e estou a ser benevolente, ele talvez não saiba, quem o aconselha talvez sim - de qualquer modo são práticas do "senso comum" a que se chega por "intuição") que desde a Sofística, que o seu antigo e só nisso, homónimo, morreu por combater, a Maquiavel e a Goebbels, passando por Salazar, que "em política o que parece é". Está, aliás, nesta "missão" bem acolitado por toda a turbamulta dos “opinion makers” - da laicidade etílica ao incensório de sacristia. Esta gente já, também, entendeu que o "busílis" da questão, mais do que essencialmente financeiro, é de Poder, é de “pôr essa gentalha (os profs - servindo de "boi de piranha") - de vez na ordem”, é vexar, apoucar, amedrontar, para esvaziar toda e qualquer réstea de autonomia e encenar a "guerra às corporações". Por isso, nunca deixarão de agradecer a Sócrates e a Lurdes Rodrigues terem aberto o caminho e nunca desperdiçarão o “trabalho”, entretanto, feito. Sócrates acusa a oposição, sobretudo o PSD, de "eleitoralismo", por ter votado a suspensão do actual modelo de (Pseudo) "Avaliação de Professores" - mas mesmo dando de barato, que essa deliberação foi tomada de boa-fé, o que, neste jogo de sombras, não é líquido tantos os alçapões legislativos deixados em aberto, não sei de quem será a maior colheita eleitoral, se de quem apostou na suspensão, ou na sua miragem, ou de quem se obstina em continuar com o absurdo desse faz que faz, que com o diz que disse, é parelha timbre desta "democracia para lamentar".
Enfim, Sócrates mesmo com o "mundo a cair" e à beira da total rotura financeira para que contribuiu activamente, faz "cavalo de batalha" da chamada "Avaliação de Professores", faz disso o seu "ponto de honra".
Só noto uma ligeira incongruência:
É que para fazer pontos de honra é preciso ter honra!!!

domingo, 3 de abril de 2011

O outro diz que é "engenheiro", este agora é "doutor"!


Um tal Marcos Batista, nomeado administrador dos CTT, ele há grandes vidas mesmo com parcas obras, intitulou-se, para efeitos de currículo oficial, licenciado pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). Quando foi denunciado, pela própria instituição universitária, tal não corresponder à verdade, alegou que tinha "andado oito anos no ISEG e feito muitas cadeiras, pelo que julgava (!!!) estar já licenciado". Ora bem, se formos por essa ordem de ideias, conheço quem ande há trinta e oito em Direito, feito imensas cadeiras e saiba perfeitamente que não está. Até o castiço "dux veteranorum" - uma típica "instituição" coimbrã, sabe muito bem que só é "doutor" do "grelo".

sábado, 2 de abril de 2011

Basílio Horta (ou de como é compensador "animar a festa")



Basílio Horta é, (com Ferreira do Amaral, agora na Lusoponte) uma das provas vivas de que, entre nós, melhor do que ganhar eleições, só mesmo perdê-las - como se depreende do seu ensaiado "confronto" com Mário Soares nas Presidenciais de 91. Era preciso alguém que "animasse a festa" e a sorte calhou a Basílio Horta para que estivesse disposto a representar a "direita" e a "imolar-se" pelo regime, que necessita sempre de "challengers" para legitimar o passeio dos vencedores anunciados - caso das recentes "directas" no PS, em que foi exigido aos proponentes de Moções de Estratégia alternativas que se candidatassem a Secretário-geral para possibilitar a Sócrates mais um momento Kim Il Sung (atente-se que mesmo Manuel Serra em 1974, no I Congresso do PS em liberdade, não só não se candidatou, como propôs Mário Soares para o cargo). Afinal quando se mudam os tempos, não se mudam só os Tavares.
Basílio Horta, actual Presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) - afinal este pessoal tem sempre que ser "Presidente" de alguma coisa - vem agora declarar-se "humilhado" com a "imagem que Portugal está a projectar no Mundo" e com "a quebra do investimento estrangeiro". O curioso é que diz que tem vindo a notá-lo desde Janeiro, mas só agora, após a entrada em "gestão" do governo Sócrates II, o afirma em público, o que denuncia um certo "ralenti" controlado e muito "oportuno".
Ainda me lembro do ralhete de Mário Soares num daqueles debates televisivos com tanta credibilidade como certos combates de boxe em Las Vegas, quando o "pexote", extravasando o guião, acusou Mário Soares de "viajar muito à custa do erário público".
O "velho leão", estremunhado, replicou de pronto:
- "Ai é?! Pois fique sabendo que nunca mais o levo"!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Discurso do Método (ou como jogar à Cabra Cega)

Mundo, bô tem rolado cu mim
Num jogo di cabra cega, sempre ta persegui`m
Pa cada volta qui mundo dá

Dani Silva (Lua Nha Testemunha)

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos deu a mais espantosa das explicações para o súbito aumento do deficit das contas públicas de 2010, que até se constitui pelos mesmos algarismos, só que pela ordem inversa (dos 6,8 % anunciados aos 8,6 % homologados pelo Eurostat). Segundo o ministro tudo não passa de uma questão "metodológica" - ou seja: não incluir o buracão do BPN (e o "buraquinho" do BPP), mais os astronómicos deficits crónicos das empresas chamadas públicas de transportes, cujas administrações talvez continuem a organizar oa tais banquetes de arromba após divertidos rallies-paper, disputas de paintball ou experiências de banjee jumping com que costumam brindar os "convidados", ficando sem se perceber as razões comerciais de tanta vernissage, já para não falar dos popós topo de gama trocados quase todos os anos e revertendo para os próprios ao preço da chuva.

Este pessoal não se convence de que toda a gente está farta de jogos da "cabra cega" onde quem se lixa é, como de costume, o último a saber quando de repente acordar na "Argentina" com a insolvência do Estado e dos Bancos. Isto é "tesinho" que nem um carapau seco, sem pernas para o tango e farto de milongas.