domingo, 1 de maio de 2011

Em Vermelho, em Multidão: Viva o 1º de Maio





A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua – Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário – Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro – Eis o maio que eu quero!
Sou terra – O maio é minha era!

Vladimir Maiakovsky

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Conto Como Foi - Os 37 Anos do PS no Barreiro





Assinalam-se hoje e pelo menos eu e estou certo de que o António Cabós, comemoramos os 37 anos da abertura da Secção do Barreiro do Partido Socialista. Comemoro porque para mim, enquanto viver, tal constitui um motivo de orgulho e grata recordação que ninguém me tirará, apesar dos silêncios e das omissões, nuns casos deliberadas, noutros por simples inércia e hábito de considerar que o mundo começou connosco há instantes e logo a memória não interessa para nada. Mas interessa e se bem que não se possa viver de recordações e o tempo, ao contrário da única canção "proibida" depois do 25 de Abril, não volte para trás é muito útil conhecer o passado para que se possa construir o futuro. Infelizmente são mais as vezes que este preceito é ignorado do que seria desejável, pelo que o Mito de Sísifo continua a fazer todo o sentido.
No dia 29 de Abril de 1974, escassos dias após a Revolução, dois miúdos, apesar do nosso mais de um metro e oitenta, um com dezanove anos fresquinhos (o António Cabós) e outro à beira dos dezoito (este vosso amigo) foram a Lisboa, à Cooperativa de Estudos e Documentos, falar com o João Soares, então também muito jovem e expuseram-lhe o seu intuito de abrir um "Núcleo", era assim que se dizia, do PS no Barreiro. Ele mostrou-se entusiasmado com a ideia e disponibilizou-nos Declarações de Princípios e Programas recém impressos, ainda cheirando a novo, que carregados até mais não, trouxemos para o Barreiro de táxi até ao Terreiro do Paço, de barco até ao Barreiro e novamente de táxi no Barreiro, onde até tivemos que enfrentar a acrimónia bronca e reaccionária do motorista (ainda anda por aí) que chegou ao ponto de "sugerir" que se a "coisa voltasse para trás" ainda poderíamos "aparecer pendurados nalgum candeeiro". Felizmente para todos a "coisa não virou" (pelo menos logo) e nem nós, nem ele, "aparecemos pendurados" onde quer que fosse.
A primeira sede do PS no Barreiro situou-se na Rua Almirante Reis junto ao então (e por mais cerca de 30 anos) quartel dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública, numa casa térrea que tinha sido dos pais do nosso amigo e camarada José Manuel Ferreira ("Bandeireiro"). Foi aí que se juntaram jovens como Carlos Alberto Dias, João Paulo Carvalho, Vítor de Almeida e menos jovens, pelo menos de idade, como José Coelho Fraga e o saudoso Mestre Manuel Cabanas, estes dois últimos já membros do Partido, e se iniciaram as actividades políticas, então num contexto muito difícil, do PS no Concelho pautadas pela unidade na acção com todas as forças democráticas e anti-fascistas, apesar de todas, e foram muitas e variadas (uma delas até está na origem do nome deste blog, como verão se recuarem até à primeira postagem) as vicissitudes que o processo então iniciado comportou.
Para que fique assinalado a bem da verdade e para que a memória se não apague.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Madrugada






As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;




Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo




Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Fiat Lux !




"A violência é um desporto!"

Graffiti no Estádio da Luz

De súbito - uma prodigiosa hierofania se produziu no meu espírito incréu e, por arreigado hábito, dado ao cepticismo. Finalmente entendi o sentido profundo dessa altíssima medida de preservação do "Estado Social" que é a não taxação pelo máximo do material de golf.
Se assim não fosse, o que seria das claques e como reagiria a gandulagem se lhe taxassem os projécteis?
Decerto fazendo algo socialmente desaconselhável.
Afinal quem disse que o golf não é um desporto de massas?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Povo Luta pelo Pão, os Estudantes pelo Fiambre (ou de como os Pratos de Lentilhas vieram abandalhar isto tudo)




A consigna que serve de título a este post é, com "As putas ao Poder porque os filhos já lá estão", uma das mais certeiras do nosso PREC (1974/75) e exprime uma situação de que a "natureza humana" nunca se desviou. Em suma, "quem não chora, não mama". Ora como "Provedoria sem comedoria é gaita que não assobia" e aviso desde já, que hoje estou muito "proverbial", isto da perspicácia do povo é, para algumas coisas, um filão inesgotável de sabedoria - o dr. Fernando Nobre, candidato inventado pelo clã Soares e adjacências para boicotar activamente as possibilidades de sucesso da candidatura de Manuel Alegre, já que o "velho", tendo feito o primeiro frete a Cavaco e a Sócrates, não tinha mais espaço para cair, passou-se agora de armas e bagagens para os braços de Pedro Passos Coelho e decidiu desbaratar o seu capital político em proveito de outros capitais.
Ei-lo, o "homem bom" que arriscou ocupar a posição "cultural" da Santa da Ladeira, "surfando" o atavismo de algumas elites parolas e o oportunismo de muitas "trutas velhas", que tinha afirmado com categórica retumbância não ter ambições políticas dentro do Sistema, a candidatar-se a um dos lugares mais institucionais da República, que só pode mesmo ser ocupado por um "bonzo", o de Presidente da AR, autêntica flor de botoeira, bem paga e regalada. Não está mal para quem vem da "Cidadania" e arrisca-se a ser para o próprio e para o PSD/PPC um enorme "tiro no pé", fazendo lembrar aquela veleidade de Mário Soares quando concorreu a presidente do Parlamento Europeu e acabou por ser derrotado por uma senhora a quem, numa manifestação típica de mau-perder "progressista", tratou de chamar "dona de casa".
O exemplo de Alegre de que tentara imitar a estratégia, devia também avisar Nobre para a diferença entre "turismo" (ser "outsider") e "emigração" (estar numa institucional). Afinal - "a cidade é tão bonita quando vamos de visita".
Se fosse adepto das teorias da conspiração, diria que se estão a congregar esforços para que Sócrates lá fique.
A ala "tacho" do PS venha agora dizer o que quiser, cantam bem mas nunca me alegraram, mas não sei o que dirá o "people" da franja pastoril do Bloco, aquela rapaziada e raparigada das "medicinas alternativas", quando toda a gente já percebeu que a receita do doutor é, no fim de contas, absolutamente convencional.
Só mais um provérbio, desta vez "ready made".
"Nunca digas - desta água não beberei" e deste champanhe, então, nem se fala...

Viva A Maria da Fonte!!! Nem mais um ceitil para essa escumalha!!!



Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Zeca Afonso, "Os Vampiros"



Portugal confronta-se com a bancarrota e com a miséria eminente para uma grande parte da sua população, aquela parte a que os governantes não fizeram o que dizem querer agora fazer - "Defender". Enquanto isto no Parlamento Europeu volta a falar-se em "cobrar um imposto directo a todos os cidadãos da UE que reverta a favor dos serviços comuns". Querem eles dizer das viagens em executiva, das ajudas de custo astronómicas, dos elevadíssimos salários e das desbragadas mordomias seja qual for o nível de vida e o ponto de vista e que, ainda por cima, se recusaram, há poucos dias, a limitar
É de bradar: "Aux Armes Citoyens" e um óptimo motivo para uma Patuleia!!

Os Congressos do PS enquanto "pérolas" da Ética Republicana





"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros."


George Orwell, "Animal Farm"


Se há verdadeiras "pérolas" da coerência e da Ética "xuxialista" e republicana o seu paradigma maior são os Congressos do PS. Nos vários mais recentes de que tenho experiência própria e a situação tem vindo a degradar-se, o que não será de espantar, pois não é preciso ser o Hegel para entender que o geral contamina o particular, as inscrições para intervir faziam-se de véspera na sessão de abertura para que os debates se iniciassem na tarde de sábado, primeiro momento "útil" do único dia "útil" do evento; a princípio era a total balbúrdia na ordem das inscrições, completamente inescrutável, depois os militantes que se iam inscrevendo começaram, por iniciativa minha e do António Cabós (um amigo-irmão que comigo fundou, ou melhor eu com ele, pois é um ano e meio mais velho, a Secção do Barreiro do PS em 29 de Abril de 74) isto no Congresso de 2001 no Pavilhão Atlântico - "Portugal pela Positiva" (foi o que se viu) para que tínhamos sido eleitos pela lista de Henrique Neto (11 delegados em 1500), a exigir senhas com a ordem de inscrição. Lá o pessoal de apoio à COC (sigla típica dos congressos "xuxas" que quer dizer "Comissão Organizadora do Congresso") nos deram uns papelinhos de folha rasgada com o Nº 1 para o Cabós e com o Nº 7 para a minha pessoa, avisando-nos com solenidade para estarmos na sessão da tarde impreterilvelmente às 14.30h, se não, perderíamos a oportunidade de intervir.
Fomos almoçar, à pressa, ao Centro Comercial Vasco da Gama e com a pontualidade como dizem que era a britânica, estávamos lá à "horíssima". Pena que não estivese lá mais ninguém, o António foi obrigado a falar para uma sala às moscas, com a lusa pontualidade a sobrepor-se à nossa e este vosso modesto amigo foi chamado a intervir, pese embora ter na mão a senha nº 7, quase às 2 da manhã com dois ou três gatos pingados na sala enquanto o "eterno" Almeida "Secas" (o tal que acha que nisto das crises "não devem ser só os governos a sofrer, mas também o povo") dormia de cabeça pendida e o Toni Guterres falava ao telemóvel. Escusado será dizer que, entretanto, falou toda a "nomenklatura" dos vários naipes disponíveis que costumam ser e por ordem de entrada em cena: membros do governo, quando e se o PS está no governo, o que tem sido o caso nos últimos malfadados (para nós bem f...dos) tempos; "históricos e referências morais" - sempre os mesmos, o que prova a sua rijeza e longevidade, alguns estão para lavar e durar, não se têm dado mal com o regime; eurodeputados; deputados nacionais; governadores civis; presidentes de Câmara (prioridade absoluta para os de Lisboa e do Porto se calharem a ser PS) e de uma ou outra Junta de Freguesia; sindicalistas da UGT e da tendência socialista da CGTP; "revelações", "reforços" e "coelhos da cartola" (só às vezes, como este que o Passos - "macaquinho de imitação" - tirou agora); eminências pardas de várias castas e proveniências e "last but not the least", cromos como o Tino de Rans que até fez uma "birra" quando lhe cortaram o som e foi corrido do palco, porque estava a dizer umas larachas às 8 da noite, a hora "sacramental" dos telejornais que é, obviamente, para o Secretário-geral. O tempo atribuído a cada interventor é simbolicamente de 3 escassos minutos, mas o seu estatuto pode multiplicar esse número por 10, até o malquisto, mas bem recompensado, Manuel Meria "Sarilho" conseguiu falar 20 minutos debaixo de pateadas e apupos e do aviso constante do Presidente da Mesa: "Camarada terminou o seu tempo !". Mas ainda houve pior - a psicanalista Maria Belo, então eurodeputada, falou durante cerca de meia hora num discurso inextricável que talvez nem Freud ou Lacan tivessem conseguido decifrar.
Enfim - tudo "pérolas" típicas da Ética Republicana de um Partido que se proclama igualitário e que agora se propõe, depois de o ter enterrado, "Defender Portugal".