sábado, 11 de fevereiro de 2012

Vale Tudo



A crescente falta, já não digo de ética, mas de simples respeito pelos princípios mínimos da coexistência social e política aliada ao simplismo demagógico e populista, ao sensacionalismo paparazzo e à pura e simples falta de chá, têm vindo a traduzir-se numa série de incidentes de percurso como as declarações dos alamanos (povos bárbaros também conhecidos por suábios), Merkel e Schulz, as diatribes fanfarrónicas de Passos Coelho e a inenarrável (o "Livro se Estilo" da TVI no seu melhor) captação de uma conversa, que era para ser privada, entre Wolfgang Scheuble e Vítor Gaspar.
Tudo isto faz parte da degradação moral a que se tem vindo a assistir nos últimos anos, em que um autêntico "vale tudo" vem substituindo a velha, mas útil, "hipocrisia" diplomática dos "vícios privados, virtudes públicas". A cortesia era o acervo de boas maneiras que se usavam nas cortes e, mesmo entre cortesãos, é conveniente manter as aparências para que os povos não percam os últimos laivos de confiança ao ver a que nível se vai descendo no topo da hierarquia. Para se ser cortês basta alguma sobriedade, não é preciso ser "cavalo de cortesias". Não é por acaso que se diz da hipocrisia ser o tributo que o vício paga à virtude.
Eis-nos chegados à "Era do Aquário" de água chilra. Pura pornografia, é tudo às escâncaras.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Every Good Boy Deserves Favour"



- Rapaz Gaspar, aprochega-te!
- Diga tio Wolfgang.
- Olha, diz lá ao palonço do rapaz Passos que se o primo Evangelopoulos deixar de ser piegas e acabar com as birras, lá mais para o Verão talvez se arranje qualquer coisinha para vocês. O pior são os broncos que sentam a bunda no Bundestag e a opinião pública que é muito salsicheira e ainda está com a ressaca da Oktoberfest. Mas deixa-os poisar... depois das eleições a gente fala.
- Obrigado tio Wolfang, a gente tem-se portado bem, a gente merece. Prometo que fazemos o trabalho de casa e, se vocês deixarem, comemos a sopinha toda. Dê lá beijinhos à tia Ângela.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Herr Schulz (ou o "Trangalhadanças")




"O grande defeito das cabeças alemãs consiste em não terem o sentido da ironia, do cinismo, do grotesco, do desprezo e da zombaria."
Otto Flake

Martin Schulz é um homem agigantado, barbudo, de calva proeminente, com um ar desajeitado, algo assim para o "troglodita", e uma evidente bonomia. É aquilo a que a minha avó chamava um "trangalhadanças". Como bom alemão, já que estamos em maré de estereótipos, não deixa de partilhar algumas das características "psíquicas" dos seus concidadãos - o tal "excesso de franqueza" que roça o desaforo e ignora as subtilezas da diplomacia, com uma ignorância dos preliminares e uma falta de jeito que faz lembrar a "clássica" do elefante na loja de porcelanas e o leva a ser também e recorrendo, mais uma vez, ao maravilhoso léxico da minha querida e saudosa avó, "bocajana" (alguém que "fala demais" e diz o que não deve). Já Descartes dizia que "não basta ter o espírito bom, é preciso usá-lo bem" - decidamente Herr Schulz (como Frau Merkel, estão bem um para o outro em "graciosidade") independentemente de satisfazerem o primeiro requisito, estão a milhas de o fazer em relação ao segundo.
Herr Schulz poderá pensar o que entender acerca de tudo o que lhe aprouver, mas terá de ter o discernimento suficiente para entender também que há cargos maiores do que as pessoas que eventualmente os ocupam e que, nessa conformidade, inibem (ou deveriam inibir) os seus titulares de exprimir certas opiniões em público (e por maioria de razão em entrevistas).
Fica, pois, tão mal ao Presidente socialista do Parlamento Europeu imiscuir-se na vida de países pelo menos formalmente soberanos, que têm uma agenda diplomática e económica própria, como à conservadora "Kaiserin" Merkel invocar a frio os maus exemplos alheios como o da Madeira, ou as míticas folgas meridionais, e "moralizar" acerca das relações comerciais de Portugal com Angola ou a China. Já agora o que terá ido a Frau Merkel fazer à China, não me digam que foi provar o "chop-suey"?
Se o problema são os direitos humanos é duvidoso que Herr Schulz transija com a Aliança Euro-atlântica, pois em muitos Estados da Federação Norte-americana há pena de morte. Aliás, Herr Schulz já tinha protagonizado incidentes em que, por muita razão ou boas razões que tivesse, se "espalhou" no estilo que utilizou e na avaliação que fez do "adversário". Antes de desempenhar o cargo que ora ocupa, Herr Schultz, então líder da bancada socialista do Parlamento Europeu, travou-se de razões com Berlusconi tendo "Il Cavaliere" conseguido ridicularizá-lo alegando que ele desempenharia bem o papel de guarda de um Campo de Concentração Nazi (ou alemão, nunca será demais recordar que os nazis só governaram a Alemanha entre 1933 e 1945 porque os alemães os elegeram) num filme sobre a Segunda Guerra Mundial que iria produzir em Itália.
A proverbial rudeza dos saxões (não anglo-saxões, saxões "tout cour") aliada à demagogia populista e a uma falta da tal alegada "ética protestante", sobrando-lhes apenas o "espírito do capitalismo", deixa entrever algum despeito pelo "atrevimento" de alguns dos vassalos de continuarem a ter uns laivos de soberania e uns assomos de política própria. Vai daí começam os "pepinos espanhóis", a "preguiça dos meridionais" e outras pepineiras que insistem em fazer carreira na política interna da Alemanha e vizinhança onde, como em toda a parte, o "pathos" cínico é um trunfo eleitoral. Algum motivo, para além do clima, há-de encontrar-se para que tantos milhares de cidadãos de língua alemã (alemães, austríacos, suíços) e adjacentes (holandeses, etc.) tenham optado por cá residir (e por Espanha, Itália, Sul de França, Malta, Grécia, Chipre) à grande e à portuguesa, isto é, com uma vida que só não é completamente como a nossa, porque os seus rendimentos são à alemã e, em geral, já não trabalham, fazem-no naquilo que lhes dá prazer ou nunca o fizeram.
Que razão levará gente como a Frau Merkel e Herr Schulz a ter uma memória tão selectiva? Se não se esqueceram da hiperinflação, também deveriam recordar-se de até onde foram levados (e acabaram por levar o Mundo) pela "escola" do preconceito.
Por enquanto ainda só têm o "queijo na mão, imaginem se ficam sós com a "faca"?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pieguices




Confesso que tenho andado assim um bocado para o piegas e nostálgico. Sinto saudades de Portugal e de termos por governantes pessoas dotadas de suficiente sentido do decoro para não nos enxovalharem com comparações absurdas.
Estes "meninos" que nunca souberam o que foi estudar (veja-se a idade com que concluíram os "cursos" e em que "universidades"), nem trabalhar a sério, fora das "jotas" e das "empresas" dos "tios", não bastando já as "medidas", estão com imensa queda para o disparate e para a provocação gratuita. Pena é que não se lhes arranje espaço para caírem.

Já quanto a "trincar a língua" será melhor, para eles claro, que o não façam, não vão morrer envenenados.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pôr a Maralha nos Eixos (ou no "Eixo")




Depois da anunciada "razia" nos Feriados, nos dias de férias de bónus por completa assiduidade e até na recuperação do sábado como dia "útil", acabando com a "semana americana" (o modelo também já não será bem esse, está mais a Oriente), chegou agora a vez da "tolerância de ponto" de terça-feira "Gorda" ser anulada de supetão em mais uma medida meramente "disciplinar", já que é absolutamente anti-económica. Basta pensarmos no turismo interno e em municípios como Torres Vedras, Loulé, Ovar, Mealhada e outros, que têm tradições arreigadas, vultuosos investimentos feitos e cuja economia depende em muito destes festejos.
Claro que o estilo verdadeiramente "trapalhão" do Governo assenta em premissas tão esdrúxulas como esta de matar a economia para a "salvar" (no género "matem-se os homens, salve-se a Humanidade"). Mas o real objectivo não é esse, a verdadeira finalidade é vexatória e punitiva, é "pôr a maralha nos eixos" e mostrar quem manda, porque sim! É, tão só, condicionar, como aos cãezinhos de Pavlov e aos ratinhos da "caixa" de Skinner, fazendo-os passar da salivação ao temor do castigo.
Cavaco tentou o mesmo em 93 e levou sopa: o pessoal foi "trabalhar" mascarado num "arraial" de caixão à cova. Creio que desta vez não irá acontecer algo de semelhante, o "ambiente" é todo outro (é o da tal caixa de Skinner, voltou a "Feira Cabisbaixa" do grande O'Neill) e, para mal dos nossos pecados, nessa conformidade costuma esbater-se muito a diferença entre ratos e homens.
Portugal é hoje o reino do medo e "o medo guarda a vinha". Mas, claro está, não a protege do míldio.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vaga de Frio




Para além das únicas "vagas" que há em Portugal serem as de frio no Inverno e as de calor no Verão e suscitarem sempre uma miríade matizada de "alertas" de várias entidades e os conselhos algo paternalistas do simpático Director-geral de Saúde, ficámos a saber que na Polónia (país que integra a União Europeia) e na Ucrânia (que com ela está a organizar o "Europeu 2012") morreram já mais de 200 pessoas (números oficiais) de frio, na maior parte gente sem abrigo, idosos ou que acumulam (naquele tipo de "acumulações" que ninguém deseja) as duas condições.
No tempo do "comunismo" não consta que tal tenha sucedido. Das duas, uma: ou ocultavam informação, ou não havia gente sem abrigo, ou os idosos podiam pagar o aquecimento.
A verdade encontrar-se-á num pouco de tudo isto.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Quem?!




Custe o que custar a quem ?! A si não deve ser, de certeza.