quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Boletim "Mentirológico"




Nestes tempos de chumbo, a crise parece também ter chegado ao tempo e à sua previsibilidade. Bem sei que as previsões meteorológicas, como todas as previsões científicas (e já para não falar das outras), são falíveis em certa medida e contêm uma margem de erro que pode não se dever à falta de rigor metodológico da pesquisa, mas à imponderabilidade dos próprios factores.  Porém começamos a ter também nos vários "mídia" autênticos Boletins "Mentirológicos", como se dizia no tempo da mono RTP, assim um bocado ao estilo dos célebres "prognósticos depois do jogo".
Há uns tempos ouvi numa Rádio de "referência" um locutor, logo pelas oito da matina, ler a previsão do estado do tempo para esse mesmo dia:
- "Céu limpo em todo o País" - isto enquanto era muito audível o ribombar de trovões, se viam os relâmpagos e  se sentiam as bátegas de chuva grossa - "pelo menos é isto que está aqui à minha frente e me deram para ler"!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A Nova Desordem Informativa



Hosni Mubarak foi, em poucas horas, dado primeiro como morto, depois como "desmorto"; já a Kadhafi tinha acontecido mais ou menos o mesmo durante meses até ser verdade; os filhos de Kadhafi ou estavam mortos ou capturados, também durante meses, até aparecerem a dar entrevistas vivinhos da costa; os resgates financeiros à Espanha e à Itália foram anunciados como "prontos" durante meses;  a Grécia sairia do Euro e este acabaria no prazo de meses que, entretanto, já passaram. Hollande não teria quaisquer hipóteses de ser eleito até ter o sido e muitas, muitas mais tranquibérnias informativas têm sido frequentes, o que denota grande desnorte, uma imensa falta de profissionalismo e muita, muita desinformação e contra-informação a circular por dento dos "media" convencionais (ou seja, promiscuidade e mercenarismo informativo). É um espanto (ou talvez não) que, na era "tecnológica", a fiabilidade das notícias esteja muitos patamares abaixo da do tempo do "telex" e da rotativa.
Enfim, já há mais de um século Chesterton definia "imprensa" como "a  arte de dizer que Lord Jones morreu a quem nem sequer sabia que ele tinha nascido" e também Mark Twain se viu na contigência de declarar ao "New York Journal": "a notícia da minha morte foi um pouco exagerada".

sábado, 16 de junho de 2012

"Sêmos Todos Irmões"



O Presidente da República atreveu-se hoje a verberar uma iniciativa constitucional legítima, ainda que aritmeticamente votada ao "fracasso", promovida por um Partido político (o PCP) com um Grupo Parlamentar (catorze deputados) eleito - uma Moção de Censura - alegando a necessidade de "estabilidade política" para exibir aos  "parceiros" e sobretudo aos "credores". 
Enfim, a mensagem a passar seria "sêmos todos irmões".
Só que mesmo entre "irmões" e como dizia um de uma numerosa família "camarra" (barreirense da borda d'água) : 
"Entre os irmões dividimos tudo às àmetades, mas eu, como sou o irmão mais velho, fico com a àmetade maior"!
Afinal a figura que institucionalmente deveria estar "acima da política partidária", quando os "tintins" apertam, desce a terreiro.
Palhaço!!!

Os Bicos da Casa




Está bom de ver que o "povo" português só  se manterá "estóico" enquanto o deixarem ser "epicurista".
A atribuição da Casa dos Bicos à Fundação Saramago, apesar de inquestionável pela dignidade do espaço, faz deles os "Bicos" mais caros de todos  os tempos. Na tradição, e aqui põe-se-me o problema da "dialéctica" entre o "original" e o "bom" (pode o "bom" não ser "original" e o "original" não ser "bom"), de Portugal ser um rectângulo onde bestas quadradas costumam discutir casos bicudos, em mesas redondas.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Casa Fronteira




Uma das "manchetes" de hoje foi a abertura (não sei por alma de quem) da possibilidade das autoridades terem a faculdade de efectuar visitas domiciliárias com poderes inspectivos a casas particulares em que estejam domiciliadas crianças até aos quatro anos, para verificarem a conformidade das condições de segurança face a medicamentos; detergentes; instalações eléctricas e afins; mais varandas e janelas.
Ao ouvir notícias como estas sinto um terrível impulso de me beliscar para ver se estou mesmo cá.
Então um Estado que se afirma liberal e se vai desresponsabilizando de tudo aquilo que contribui para a dignidade mínima da vida dos cidadãos: Saúde, Educação, Emprego, Economia, pretende agora devassar domicílios privados em busca de falhas nos cuidados dos cidadãos face às suas responsabilidades "naturais"?!
Sei que há muita negligência, mas também a há em higiene, condições de vida, segurança estrutural dos edifícios, animais perigosos e cem mil outras coisas em que nunca vi tanto zelo (ou sequer "ameaça" dele).
Faz-me lembrar uma peça com Raul Solnado (1969), certamente parábola às duas Alemanhas (RFA e RDA) e à "Cortina de Ferro", mas que também servia para criticar o "Estado Velho", em que um casal vivia numa casa situada exactamente na linha de fronteira e esta passava a meio da cama, cada vez que se queriam chegar um ao outro tinham que carimbar o passaporte num posto alfandegário, com o respectivo agente fardado, em pleno quarto.
Agora é que se está a abater sobre a Europa uma autêntica "Cortina de Chumbo", a da estupidez e da total ilegitimidade que pretende imbecilizar e infantilizar as pessoas, regulamentando tudo até ao mais ínfimo pormenor e dando poderes discricionários a cada vez mais entidades policiais e para-policiais para fiscalizar e punir coisas que só podem mesmo lembrar ao diabo, num ambiente claustrofóbico de verdadeiro "estado de sítio".
Liberal?! Liberal sou eu!!!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

"Fluvius Me De Hoc"





O  resgate financeiro ("perdón", abertura de "linha de crédito")  ao Reyno (como Rajoy tratou de frisar e nem Franco já sublinhava) de Espanha numa operação "especial" que prova o que há muito é sabido - mesmo nesta "União" há (como na "Animal Farm" de Orwell) sócios mais sócios do que outros e, afinal, "size matters"- foi apresentado como tendo custo zero para os contribuintes.
É certo que se estão a comemorar os duzentos anos dos contos dos irmãos Grimm, mas mesmo assim e recorrendo ao velho "latinório" macarrónico:
Fluvius me de hoc...(Rio-me disso).

domingo, 10 de junho de 2012

O Dia da "Raça"







Hoje é o dia que já foi chamado da "Raça". Ainda há bem pouco tempo o Senhor Presidente da República, certamente à deriva entre as brumas da memória, o designou como tal. Acaba por ser o dia das medalhas, em que se poderia acrescentar ao tradicional: "Foge cão que te fazem barão"! "Para onde que me fazem conde"? -  o "Corre estupor que te fazem comendador"!
Mas que "Raça" vem a ser esta que tem por Primeiro- ministro um tipo que perante o enxovalho de ser concedido a um grande caloteiro - a Espanha - um "resgate" especial (sem memorandos de "austeridade" imposta) e enquanto outros como a Irlanda reivindicam  igual tratamento (ou há ou não há "União"), logo nas primeiras declarações que presta, diz: "Portugal não tem razões para renegociar os termos do Acordo".
Deve ser da "raça" dos lacaios, não é certamente da minha!