quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Não Sigamos o Cherne (a Propósito de uma Luta entre Dignidade e Preço)

 
 
 
 
  


"No reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode-se pôr em vez dela qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então tem ela dignidade."

      Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, II

Durão Barroso veio, mais uma vez, ao bolsar pressões explícitas sobre o Tribunal Constitucional Português  (é curioso como ninguém se lembra de o fazer sobre o alemão, por exemplo) para além de demonstrar o enorme servilismo que lhe deu o lugar que (ainda) ocupa, ameaçar que o "caldo estará entornado".
Ora esta persistente situação de chantagem  por parte da direita paroquial e dos "decisores europeus" traz à colação a luta entre a dignidade que a Constituição da República Portuguesa  assume para Portugal como Nação Soberana e os que representam as continuadas diligências em que vale tudo, na incessante tentativa da sua derrogação fáctica, já que têm falhado as  de "profunda revisão constitucional" para a desfigurar.
Sendo certo que, como avisou  o "pragmático" Passos, o texto constitucional não dá emprego e por extensão de comer a ninguém, não é menos verdade que em estados de direito as leis e demais a mais a lei fundamental, são de mister a servir para alguma coisa. Por isso mesmo já o velho Heráclito de Éfeso (não, não estou a imitar Socrate le Jeune) avisa que devemos bater-nos por elas como pelas muralhas da cidade.
O "caldo entornado" de José Manuel (forget about the Durão) Barroso é mais um lembrete de que "quem não tem dinheiro não tem vícios", nem se pode dar ao luxo de ter leis ou democracias. Vindo de quem vem não é de estranhar, nem sequer é original destas horas amargas, que o direitismo mais oportunista e socialmente reacionário venha dos ex-esquerdistas convertidos ao radicalismo de sinal oposto. Barroso foi, nos anos 70, um assanhado militante da "linha vermelha" do MRPP de ideologia Mao/LinPiaoísta, que se inspirava no Bando dos Quatro e na hecatombe humana que foi a chamada Revolução Cultural Chinesa. Linha que  também inspirou os khmeres vermelhos e a "obra" que fizeram no Cambodja.
É claro que  Durão Barroso arrepiou caminho e assumiu um verniz mais "civilizado", mas não nos iludamos, o bichinho ficou lá.
Este é, aliás, um fenómeno recorrente na Crise que mediou entre as duas Grandes Guerras do séc. XX. Aconteceu algo de semelhante a ambiciosos arrivistas que da "esquerda", muitas vezes mais extrema, passaram à direita radical. Sem querer estar a engrandecer o "camarada" Zé Manel, foi o caso de Mussolini e de uma vasta gama de colaboracionistas franceses.
Esses acabaram mal. Por enquanto quem está a passar mal são as massas de cidadãos que em nada contribuíram para esta sangria e sobre quem os arrivistas e colaboracionistas do presente ameaçam "entornar o caldo".
Lembremo-nos de que a Constituição  foi forjada num processo de recuperação da nossa dignidade colectiva enquanto Povo e Nação e isso exclui qualquer preço, demais a mais, sem indícios de "tabelamento" garantido.
Desta vez não sigamos o cherne!!!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Grandes Paineleiros


O (des)governo  quer criar mais uma entidade, parece que a Autoridade da Concorrência não chega, reguladora para os preços dos combustíveis. Deve ser para regular aqueles painéis nas auto-estradas que avisam que dali a um ror de quilómetros há outros painéis que, por sua vez, avisam que dali a outro ror de quilómetros há vários postos de abastecimento de combustíveis que diferem nas marcas, mas têm os preços iguais até à terceira casa.
Grandes paineleiros!!!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Socrate e Sócrates




Numa coisa Socrate Le Jeune se adiantou a Sócrates o Antigo, publicou um livro, o que o outro nunca fez.
Cá para mim também deve ter arranjado algum "Platão"...

domingo, 3 de novembro de 2013

É dos (Maus) Livros.. (ou Alô Daqui Fala o Morto)


Afinal parece que a tradição ainda é o que era. Pelo menos a avaliar pela alegada (e muitíssimo retardada) nova resposta policial portuguesa ao mistério do desaparecimento de Maddie McCann, há mais de seis anos na Praia da Luz, perto de Lagos no Algarve. Agora o  principal suspeito é um morto - um antigo empregado do complexo turístico Ocean Club com antecedentes criminais e entretanto convenientemente falecido. É um clássico do culpado ideal e também uma peça recorrente na "História Universal da Infâmia",  os mortos não costumam, a não ser em circunstâncias muito especiais que envolvem mesas de pé-de-galo, falar e assim o resultado interessa a (quase) todos, tirando obviamente os pais da criança.
Como foi no então Allgarve, está a tentar encerrar-se o caso em passo de corridinho, de maneira que à voz do mandador se possa cantar:
- E, palminhas, acabou e ninguém se enganou !!!
Seria engenhoso, se não fosse tão ascorosamente corriqueiro, para além daquele pequeno pormenor de também ser ignóbil.


Coisas do Carvalho






Proença de Carvalho em entrevista a Henrique Garcia na TVI 24 (ronda dos "presidenciáveis" de direita para  que o Professor Marcelo não se sinta só) declarou que achava lamentável, e cito de memória, que a Procuradora-Geral da República não tivesse pegado no telefone e ligado ao seu "colega" de Angola a dar-lhe os "parabéns" pelo arquivamento do processo de averiguações.
A candura é de facto uma coisa admirável, ainda que colida com o semblante mefistofélico do dr. Proença. Faltou ter dado o "guião", agora que estão na moda, para a chamada:
- Como é madié? Náo vale a pena armares maka por coisa tão pouca. Mas olha meu, não te preocupes, está arquivado. Aquele Abraçaço!!!
Para além da consciência clara da realidade do "espírito santo de orelha" que induz a violação sistemática do "segredo de justiça" (o único segredo em Portugal é o de Polichinello) e do "milagre"  dos arquivamentos providenciais (o que, mais uma vez, vem provar que "neste país" o que tem que ser tem muita força) ficamos, mesmo em tempo de descrença, com uma certeza reforçada:
Ele há coisas do Carvalho !!!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Portas em mais um momento Jonet










Paulo Portas "descaiu-se" em mais um "momento Jonet" ao declarar que os verdadeiros pobres (os "pobrezinhos" quis dizer) não vão a manifestações, nem a protestos. Pois não, os que vão a manifestações e a protestos são aqueles e aquelas que, a páginas tantas, julgaram ter como fruto do seu próprio esforço, construído uma vida digna sem "sacaduras" e sem terem que mendigar as sobras nas portas de serviço ou do lado de fora dos portões das quintas e a quem se possa dizer "bom homem ou mulherzinha, tenha paciência!" depois de se terem posto à mercê da "esmola que aprouver a Vossa Senhoria, meu fidalgo".
Aliás, Portas para além de gozar de uma certa "inimputabilidade estatutária" - que uma velhota castiça explicou a uma amiga minha, exemplificando com o juízo público acerca das infidelidades conjugais por parte das mulheres: se for da "alta", teve um "caso"; se for da "assim-assim", um "deslize" e se for do "povo", é uma "puta" - protagoniza mais um episódio que para além de o requalificar (pena que não como na Função Pública) como um Frei Tomás muito pouco "católico" (ou antes, um católico muito pouco "ortodoxo") reitera o “estilo” a que já nos habituou, uma espécie blasé de "candura" snob. Tendo dito coisas como que tem muita pena que em África, "infelizmente", haja muita gente "sem meios para almoçar ou para jantar". Só faltando ter especificado se à luz das velas, se com rosas (tudo menos cravos) no centro da mesa e se começavam por um gin tónico ou por um dry martini.
Ainda por cima, nesses locais da tal "África" de que fala, nem sequer costuma haver as "sopas dos pobres" para onde quer atirar os "ingratos" e a cambada de "privilegiados" que vão às tais manifestações e a protestos.
Mesmo sendo, em regra, céptico de atitude, costumo ter faro para "meretrizes" (para não usar o vernáculo da outra senhora...).

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

De Maduro a Podre




As recentes declarações do Ministro da Propaganda, o "experto" Poiares Maduro, acerca das pensões de sobrevivência, constituem mais um escabroso exercício de subestimação da inteligência alheia por evidente e primariamente falacioso. Mesmo por absurdo as pensões de 25 000 euros, a existirem (talvez a da avó ou da mãezinha dele), serão uma muito ínfima parte das que irão ser cortadas. Tal só dá conta da miséria moral, da falta de carácter, do cinismo e do "vale-tudo" argumentativo para "justificar" o injustificável. 
E nisso, em falta de vergonha na cara, este governo é coerente, quer interna, quer externamente. Vejam-se  a resposta de Passos no Parlamento acerca da retroactividade dos cortes das pensões: "nenhum pensionista vai ter que devolver seja que importância for"; o caso Machete que vai das "incorrecções factuais" às inconfidências luso-tropicais e o indisfarçado regozijo de Paulo Portas pelo "penta" autárquico do CDS em detrimento das "coligações" em que se terá afundado "só" o PSD (com "amigos" destes...).
Estamos perante uma "lepra", títeres que querem ser bonecreiros de um estado de excepção não declarado em que tudo o que era suposto ser sólido se dissolve no ar, em que a  mais despudorada das petas substitui a confiança institucional e a máscara de uma pretensa "equidade", apenas na desgraça, espalha a cizânia e o ressentimento mercê das mais velhas, relhas e desacreditadas técnicas de "comunicação política" do mundo, o famigerado "dividir para reinar" reiterando o aforismo do sinistro Goebbels acerca da ascensão da mentira, muitas vezes repetida,  à categoria de "verdade" funcional, sem esquecer o salazarento (mas a milhas do original) "em política o que parece é". Estes rapazolas, que passam a vida a encher a boca de "inovação", afinal não inovaram coisa alguma, o livro que andam a ler foi escrito por outros e arrisca-se a, para utilizar a sua própria cretino-terminologia, não ter qualquer tipo de "aderência" à realidade. 
Claro que no conjunto das medidas "justicialistas" também se incluem alguns anunciados beliscões nos verdadeiros interesses corporativos, como aquele do impostos sobre as rendas da energia.
Vai uma apostazinha que ou serão os clientes a pagá-la ou se arranjará uma isençãozita para os chineses da "Garganta Funda", accionistas da EDP.