quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Paz Celestial


Passam hoje hoje vinte e cinco anos sobre os acontecimentos da Praça de Tiananmen ("Da Paz Celestial") em que o exército chinês, a mando da cúpula política do Partido Comunista da China, esmagou, literalmente, as manifestações estudantis que pediam  a democratização do regime. A nomenklatura chinesa após uma aparente hesitação inicial decidiu não embarcar em "perestroikas" e optou por reprimir com extrema brutalidade a dissidência e confirmar a sua "quadratura do círculo" com o "melhor" de dois mundos: "liberalismo" económico  (falso, aliás, o tecido empresarial é quase todo, se não mesmo todo, estatal) e ditadura política (essa absolutamente verdadeira).
Note-se que a capa ideológica da "democracia" (neo)liberal é apenas isso mesmo, uma "capa", um regime "comunista" como o chinês faz as delícias do plutocratas ocidentais que tentam impôr uma espécie de "sovietismo" neocapitalista: privatização dos ganhos, socialização das perdas e a democracia que se lixe, já que só serve para atrapalhar.
Nesse dia realizava-se uma reunião sindical na sala de professores da minha escola, que decorria pachorrentamente até entrar de rompante o colega Gonçalo, liga o televisor e exclama para o delegado sindical que conduzia os trabalhos:
- Olha Rui, vê com os teus próprios olhos o que os teus amigos comunistas estão a fazer aos estudantes na China. Vê!... Estão a matá-los, é o que é !!! 
Nisto o colega António, sempre muito mais preocupado com questões pragmáticas, retorquiu:
- Onde Gonçalo? Na China!... Isso é lá tão longe. Eles que se matem pá... Ó Rui diz lá mas é quanto é que vamos ganhar para o ano.

2 comentários:

Carlos Vieira disse...

Bom comentario, Toze!

imank disse...

Olá Carlos,
Muito obrigado. Às vezes há coisas que andam "convenientemente esquecidas", são os "não acontecimentos". É preciso espevitar as memórias.
Um Abraço,
Tozé