quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Cenas da "Prova" em Imagens da Minha Terra



Três  citações e um provérbio:
 
"Não perguntes por quem os sinos dobram...";
 
"A nau de António Faria leva no bojo escondida, a cabeça do corsário que lhe quis tirar a vida";
 
"Roma não paga a traidores".
 
"Para bom entendedor, meia palavra basta".

domingo, 15 de dezembro de 2013

Eurodisney (Para Quem Ainda Acredita No Pai Natal)



 
 
Desengane-se quem está à espera do Pai Natal, este ano quem está de turno são os Irmãos Metralha.
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

É a Economia, Estúpido ! (Acerca do Conto de "Fadas" da Natalidade)




Já dizia o psicanalista Bruno Bettelheim que os contos de fadas são, na verdade, contos de mais qualquer coisa. E no ano em que Portugal está a atingir o recorde negativo absoluto de nataliadade desde que há estatísticas, essa "estória" tem sido contada vezes sem conta. É um "conto" útil para certas contas, mas não exactamente para as contas certas.
Não, não é a quebra da natalidade que está a comprometer a sustentabilidade da Segurança Social e do sistema de pensões, o que está a dar cabo de tudo  isso é o desemprego e a crise da economia real por obra do desindustrialização e do desinvestimento em actividades produtivas em favor da especulação e da geração de "bolhas" para todos os gostos.
A falácia da demografia tout court é "música para camaleões". Se assim fosse a Argélia devia ter a Segurança Social mais sustentável do mundo. O mesmo se passa com a "Educação", se fosse apenas esse o factor de desenvolvimento e o "ascensor social" por si só, não haveria engenheiros ucranianos emigrados a trabalhar como trolhas.
Na China, que exporta população, mas tem uma demografia pujante,  há a política  do filho único; em Portugal que também exporta a população que não tem, há a política do filho zero.
Ah pois, já me esquecia, a China é uma ditadura totalitária, Portugal uma democracia plena. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Cobardiologias



 
 
 
 


 
O Professor Adriano Moreira do alto dos seus mais de noventa sábios e vigorosos anos, convocando pelo exemplo, dada a gravidade da hora, a emergência da união de esforços de todos os patriotas em ordem à desparasitação do país da "lepra" dos vendidos e traidores - afirmou em entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, que quem teria que responder ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, perante as suas "queixas" em relação a Portugal, seria necessariamente o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva.
Mas este tem preferido "guardar de Conrado o prudente silêncio" não vá "o caldo entornar-se" ainda mais. Esta (não)posição não só não honra Portugal, como também não dignifica o cargo para que foi eleito. Neste como noutros assuntos que envolvem a soberania, demonstra não estar à altura.
Podemos estranhar tal comportamento, mas ele tem explicação: A Angola do MPLA - como a sua antiga mentora, a Rússia (então URSS) - passou do "marxismo-leninismo" à cleptocracia mais descarada, no caso de Angola mesmo chocarreira. Diz-se até que a guerra civil angolana opôs os ladrões aos assassinos, só que os assassinos também eram ladrões e os ladrões também eram assassinos.
Os oligarcas angolanos sabem muito bem com quem costumam lidar em ambiente de "negócios" e que Portugal é também uma cleptocracia, em versão sonsa, pelo que estão à vontade pois estão conscientes dos limites dos "apertos" e dos riscos a que, neste quadro de abjecção nacional, poderão estar sujeitos e também estão perfeitamente conscientes da sua própria “imunidade” sob a ameaça de "porem a boca no trombone". Por essas e por outras não tem havido reação que não seja "pedir batatinhas" e demonstrar que, afinal, "é tudo farinha do mesmo saco".
Perdeu-se toda a vergonha e nem sequer funciona o lugar-comum da "mulher de César".
Enfim, já que estamos em maré de rifões:
"Zangam-se as comadres..." .
("Para bom entendedor...").
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Não Sigamos o Cherne (a Propósito de uma Luta entre Dignidade e Preço)

 
 
 
 
  


"No reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode-se pôr em vez dela qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite equivalente, então tem ela dignidade."

      Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, II

Durão Barroso veio, mais uma vez, ao bolsar pressões explícitas sobre o Tribunal Constitucional Português  (é curioso como ninguém se lembra de o fazer sobre o alemão, por exemplo) para além de demonstrar o enorme servilismo que lhe deu o lugar que (ainda) ocupa, ameaçar que o "caldo estará entornado".
Ora esta persistente situação de chantagem  por parte da direita paroquial e dos "decisores europeus" traz à colação a luta entre a dignidade que a Constituição da República Portuguesa  assume para Portugal como Nação Soberana e os que representam as continuadas diligências em que vale tudo, na incessante tentativa da sua derrogação fáctica, já que têm falhado as  de "profunda revisão constitucional" para a desfigurar.
Sendo certo que, como avisou  o "pragmático" Passos, o texto constitucional não dá emprego e por extensão de comer a ninguém, não é menos verdade que em estados de direito as leis e demais a mais a lei fundamental, são de mister a servir para alguma coisa. Por isso mesmo já o velho Heráclito de Éfeso (não, não estou a imitar Socrate le Jeune) avisa que devemos bater-nos por elas como pelas muralhas da cidade.
O "caldo entornado" de José Manuel (forget about the Durão) Barroso é mais um lembrete de que "quem não tem dinheiro não tem vícios", nem se pode dar ao luxo de ter leis ou democracias. Vindo de quem vem não é de estranhar, nem sequer é original destas horas amargas, que o direitismo mais oportunista e socialmente reacionário venha dos ex-esquerdistas convertidos ao radicalismo de sinal oposto. Barroso foi, nos anos 70, um assanhado militante da "linha vermelha" do MRPP de ideologia Mao/LinPiaoísta, que se inspirava no Bando dos Quatro e na hecatombe humana que foi a chamada Revolução Cultural Chinesa. Linha que  também inspirou os khmeres vermelhos e a "obra" que fizeram no Cambodja.
É claro que  Durão Barroso arrepiou caminho e assumiu um verniz mais "civilizado", mas não nos iludamos, o bichinho ficou lá.
Este é, aliás, um fenómeno recorrente na Crise que mediou entre as duas Grandes Guerras do séc. XX. Aconteceu algo de semelhante a ambiciosos arrivistas que da "esquerda", muitas vezes mais extrema, passaram à direita radical. Sem querer estar a engrandecer o "camarada" Zé Manel, foi o caso de Mussolini e de uma vasta gama de colaboracionistas franceses.
Esses acabaram mal. Por enquanto quem está a passar mal são as massas de cidadãos que em nada contribuíram para esta sangria e sobre quem os arrivistas e colaboracionistas do presente ameaçam "entornar o caldo".
Lembremo-nos de que a Constituição  foi forjada num processo de recuperação da nossa dignidade colectiva enquanto Povo e Nação e isso exclui qualquer preço, demais a mais, sem indícios de "tabelamento" garantido.
Desta vez não sigamos o cherne!!!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Grandes Paineleiros


O (des)governo  quer criar mais uma entidade, parece que a Autoridade da Concorrência não chega, reguladora para os preços dos combustíveis. Deve ser para regular aqueles painéis nas auto-estradas que avisam que dali a um ror de quilómetros há outros painéis que, por sua vez, avisam que dali a outro ror de quilómetros há vários postos de abastecimento de combustíveis que diferem nas marcas, mas têm os preços iguais até à terceira casa.
Grandes paineleiros!!!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Socrate e Sócrates




Numa coisa Socrate Le Jeune se adiantou a Sócrates o Antigo, publicou um livro, o que o outro nunca fez.
Cá para mim também deve ter arranjado algum "Platão"...

domingo, 3 de novembro de 2013

É dos (Maus) Livros.. (ou Alô Daqui Fala o Morto)


Afinal parece que a tradição ainda é o que era. Pelo menos a avaliar pela alegada (e muitíssimo retardada) nova resposta policial portuguesa ao mistério do desaparecimento de Maddie McCann, há mais de seis anos na Praia da Luz, perto de Lagos no Algarve. Agora o  principal suspeito é um morto - um antigo empregado do complexo turístico Ocean Club com antecedentes criminais e entretanto convenientemente falecido. É um clássico do culpado ideal e também uma peça recorrente na "História Universal da Infâmia",  os mortos não costumam, a não ser em circunstâncias muito especiais que envolvem mesas de pé-de-galo, falar e assim o resultado interessa a (quase) todos, tirando obviamente os pais da criança.
Como foi no então Allgarve, está a tentar encerrar-se o caso em passo de corridinho, de maneira que à voz do mandador se possa cantar:
- E, palminhas, acabou e ninguém se enganou !!!
Seria engenhoso, se não fosse tão ascorosamente corriqueiro, para além daquele pequeno pormenor de também ser ignóbil.


Coisas do Carvalho






Proença de Carvalho em entrevista a Henrique Garcia na TVI 24 (ronda dos "presidenciáveis" de direita para  que o Professor Marcelo não se sinta só) declarou que achava lamentável, e cito de memória, que a Procuradora-Geral da República não tivesse pegado no telefone e ligado ao seu "colega" de Angola a dar-lhe os "parabéns" pelo arquivamento do processo de averiguações.
A candura é de facto uma coisa admirável, ainda que colida com o semblante mefistofélico do dr. Proença. Faltou ter dado o "guião", agora que estão na moda, para a chamada:
- Como é madié? Náo vale a pena armares maka por coisa tão pouca. Mas olha meu, não te preocupes, está arquivado. Aquele Abraçaço!!!
Para além da consciência clara da realidade do "espírito santo de orelha" que induz a violação sistemática do "segredo de justiça" (o único segredo em Portugal é o de Polichinello) e do "milagre"  dos arquivamentos providenciais (o que, mais uma vez, vem provar que "neste país" o que tem que ser tem muita força) ficamos, mesmo em tempo de descrença, com uma certeza reforçada:
Ele há coisas do Carvalho !!!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Portas em mais um momento Jonet










Paulo Portas "descaiu-se" em mais um "momento Jonet" ao declarar que os verdadeiros pobres (os "pobrezinhos" quis dizer) não vão a manifestações, nem a protestos. Pois não, os que vão a manifestações e a protestos são aqueles e aquelas que, a páginas tantas, julgaram ter como fruto do seu próprio esforço, construído uma vida digna sem "sacaduras" e sem terem que mendigar as sobras nas portas de serviço ou do lado de fora dos portões das quintas e a quem se possa dizer "bom homem ou mulherzinha, tenha paciência!" depois de se terem posto à mercê da "esmola que aprouver a Vossa Senhoria, meu fidalgo".
Aliás, Portas para além de gozar de uma certa "inimputabilidade estatutária" - que uma velhota castiça explicou a uma amiga minha, exemplificando com o juízo público acerca das infidelidades conjugais por parte das mulheres: se for da "alta", teve um "caso"; se for da "assim-assim", um "deslize" e se for do "povo", é uma "puta" - protagoniza mais um episódio que para além de o requalificar (pena que não como na Função Pública) como um Frei Tomás muito pouco "católico" (ou antes, um católico muito pouco "ortodoxo") reitera o “estilo” a que já nos habituou, uma espécie blasé de "candura" snob. Tendo dito coisas como que tem muita pena que em África, "infelizmente", haja muita gente "sem meios para almoçar ou para jantar". Só faltando ter especificado se à luz das velas, se com rosas (tudo menos cravos) no centro da mesa e se começavam por um gin tónico ou por um dry martini.
Ainda por cima, nesses locais da tal "África" de que fala, nem sequer costuma haver as "sopas dos pobres" para onde quer atirar os "ingratos" e a cambada de "privilegiados" que vão às tais manifestações e a protestos.
Mesmo sendo, em regra, céptico de atitude, costumo ter faro para "meretrizes" (para não usar o vernáculo da outra senhora...).

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

De Maduro a Podre




As recentes declarações do Ministro da Propaganda, o "experto" Poiares Maduro, acerca das pensões de sobrevivência, constituem mais um escabroso exercício de subestimação da inteligência alheia por evidente e primariamente falacioso. Mesmo por absurdo as pensões de 25 000 euros, a existirem (talvez a da avó ou da mãezinha dele), serão uma muito ínfima parte das que irão ser cortadas. Tal só dá conta da miséria moral, da falta de carácter, do cinismo e do "vale-tudo" argumentativo para "justificar" o injustificável. 
E nisso, em falta de vergonha na cara, este governo é coerente, quer interna, quer externamente. Vejam-se  a resposta de Passos no Parlamento acerca da retroactividade dos cortes das pensões: "nenhum pensionista vai ter que devolver seja que importância for"; o caso Machete que vai das "incorrecções factuais" às inconfidências luso-tropicais e o indisfarçado regozijo de Paulo Portas pelo "penta" autárquico do CDS em detrimento das "coligações" em que se terá afundado "só" o PSD (com "amigos" destes...).
Estamos perante uma "lepra", títeres que querem ser bonecreiros de um estado de excepção não declarado em que tudo o que era suposto ser sólido se dissolve no ar, em que a  mais despudorada das petas substitui a confiança institucional e a máscara de uma pretensa "equidade", apenas na desgraça, espalha a cizânia e o ressentimento mercê das mais velhas, relhas e desacreditadas técnicas de "comunicação política" do mundo, o famigerado "dividir para reinar" reiterando o aforismo do sinistro Goebbels acerca da ascensão da mentira, muitas vezes repetida,  à categoria de "verdade" funcional, sem esquecer o salazarento (mas a milhas do original) "em política o que parece é". Estes rapazolas, que passam a vida a encher a boca de "inovação", afinal não inovaram coisa alguma, o livro que andam a ler foi escrito por outros e arrisca-se a, para utilizar a sua própria cretino-terminologia, não ter qualquer tipo de "aderência" à realidade. 
Claro que no conjunto das medidas "justicialistas" também se incluem alguns anunciados beliscões nos verdadeiros interesses corporativos, como aquele do impostos sobre as rendas da energia.
Vai uma apostazinha que ou serão os clientes a pagá-la ou se arranjará uma isençãozita para os chineses da "Garganta Funda", accionistas da EDP.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Ai Não Te Cures, Não...





As Autárquicas 2013 saldaram-se por um vendaval rosa-rubro-independente, mas o vasculho podia ainda ter sido mais eficaz se o PS de Seguro tivesse querido resistir às pressões do aparelho e das chapeladas do costume, se as eleições nacionais tivessem o mesmo grau de transparência que as das concelhias e as distritais era pior do que na Córsega nos livros do Astérix, para indigitar candidatos das clientelas mas perdedores à partida. O que vale é que o PSD também embarcou no "Síndrome da Pagador de Promessas" e contrabalançou em "burrice" eleitoral  - o PS perdeu, para referir assim de memória, ingloriamente Matosinhos, Alcácer do Sal e Grândola e não ganhou outras, por disputas internas em que prevaleceu a hipótese menos adequada, e o PSD fez escolhas lamentáveis, estou a lembrar-me de Sintra, e outras "envenenadas" como Lisboa e o  Porto e no resto da "paisagem" foi o descalabro. O Partido Socialista com uma direcção estratégica  mais, como agora se diz, assertiva podia ter "varrido". Ainda assim foi uma grande vitória e um bom prenúncio.
Os partidos do governo, malgrado algumas importantes vitórias pontuais, como Braga e a Guarda, devidas à usura do poder de décadas, falharam em praticamente toda a linha com a derrota dos candidatos mediáticos Menezes, Seara e Moita Flores, o que prova que o eleitorado não é parvo e sabe "separar as águas" (e, no caso do Porto, até os vinhos). No Porto foi dada mais um vez uma lição de sabedoria política, o povo (e a burguesia) da "Cidade Invicta" sabem muito bem o que não querem e distinguem ainda melhor entre Passos e os Paços do Concelho e entre os interesses da "bola" e os interesses da cidade e da região. Para o que interessa as "forças vivas" não se deixam obnubilar pela devoção ao "papa" do futebol. Aliás, este filme do contra populismo já dá em reprise (a "estreia" foi a eleição de Rio "against all odds").
O fenómeno dos independentes, "verdadeiros" ou "falsos" concorreram e foram aceites a sufrágio como tal, constitui-se como um sério aviso à partidocracia e a um regime em apodrecimento acelerado,  o próximo passo será a forçar a admissão de listas de cidadãos não vinculados a forças partidárias às Legislativas, estes que se cuidem pois como canta o Poeta Aleixo: ´"pode o povo querer um mundo novo a sério".
Na Madeira o vendaval desbancou o Jardim e a oposição conseguiu fazer no Funchal o que podia ter feito em importantes municípios do continente. "Chapeau" à lista encabeçada por Paulo Cafôfo que disse e muito bem, que se "fez Abril". Agora só têm que ter engenho para aguentar o embate da besta ferida e arte para aguentar a coligação sem brechas.
As declarações de Portas foram mais um irrevogável hino à deslealdade. Afinal  se o CDS fez o "penta" camarário, só, não referiu as coligações em que foi por água abaixo, mal acompanhado (com o PSD). Um Maquiavel à moda do Caldas.
O PCP/CDU foi outro dos grandes vencedores da noite com a reocupação do seu espaço "natural" a Sul do Tejo quase voltando às fronteiras vermelhas da antiga cintura industrial e da Reforma Agrária. Já que o tempo parece estar a andar para trás é normal que ande em tudo. Marcando pontos um pouco mais a Oeste (Peniche, que já era "seu" em justa homenagem à memória) e a Sul, Silves (após um longo interregno). Também perdeu alguns concelhos, Vendas Novas,  por exemplo, onde aparentemente estava de pedra e cal.
O Bloco está, infelizmente, a caminhar para a irrelevância autárquica e temo que para a insignificância eleitoral. O eclipse voluntário de Louçã e Rosas, a morte de Miguel Portas, a saída de Daniel Oliveira e Rui Tavares, a renúncia de Ana Drago estão a provocar um efeito que me está a parecer uma "udêpização" do Bloco e a quantidade, ao contrário do que o "marxismo mecanicista esquemático" acreditava, nem sempre se traduz em qualidade.
Temos pena...

sábado, 28 de setembro de 2013

Inventários


Estão a ser feitos, pelas "autoridades (in)competetentes", inventários dos bens do banqueiro Oliveira e Costa.
Dos males nem por isso.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Forças de Expressão






Celebra-se hoje, 28 de Agosto, o 50º aniversário do célebre discurso que ficaria conhecido por "I Have a Dream" proferido numa gigantesca manifestação pelos Direitos Cívicos em Washington.
É importante celebrá-lo e reactualizar a sua força, hoje que as trevas regressam e parece caminhar-se a passos largos para uma sociedade onde "Não Há Direito".
Não posso deixar, no entanto, de registar que uma muito simpática "pivot" disse, esta tarde, numa estação de televisão que a efeméride iria ser comemorada no mesmo local, com um discurso do Presidente Obama, em cerimónia e passo a citar: "presidida por uma fotografia" do próprio Luther King.
Não me espanta. Mal comparado, já assisti a um concerto dos Doors, no Coliseu de Lisboa,  em que Jim Morrison "cantou" em vídeo.
Ele há máquinas para tudo....

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mentirolas


O Professor Marcelo na sua vocação de treinador de bastidor e recorrendo à velha "catequese" entende que como os pecados podem ser "mortais" ou meramente "veniais", as mentiras (já não apenas "inverdades") também podem não ser "substanciais" e a "Miss Swaps" pode safar-se airosamente se escrever uma simples cartinha a dizer que afinal não queria ter dito bem o que disse.
É verdade, sim senhor, se a cartinha for como a do "gato" do outro.

domingo, 7 de julho de 2013

Uma Prenda a Suscitar o Efeito Sousa Franco




Os brincalhões da pulhítica à portuguesa são inenarráveis em praticamente tudo o que fazem. Depois da semana mais louca de sempre, PREC incluído, com episódios em sessões contínuas de fazer os espectadores do Olímpia corar de vergonha, uma rábula assim entre o burlesco e o patético com um cair do pano (até ver) entre a farsa e a ópera bufa, estiveram todos, o "compére" Cavaco  também,  ao seu melhor nível, abaixo de cão. Até a "esquerda" conseguiu ficar de esguelha na fotografia com declarações titubeantes e inseguras, arruadas na Baixa à tarde de um abrasador dia de semana e "mobilizações" para debaixo das árvores de Belém, só para picar o ponto.
Curiosamente, ou talvez não, eles quase nem precisam de adversários, são exímios na arte de se enterrarem, pena é que nos tenham enterrado primeiro, a dupla "Passos em volta", "Portas a dentro" como dote, para selar terem voltado aos braços um do outro, prometem concorrer em lista única para o Parlamento Europeu.
Depois desta cena à "Maquiavel" de pacotilha será bom recordar Napoleão e um seu, hoje, lugar comum da estratégia com a intemporalidade das grandes verdades: "Nunca interrompas o inimigo quando está a cometer um erro".
O PS só precisa de conseguir retomar o efeito Sousa Franco. Por uma vez, deitem fora os "Vomitais" e as "Estrelas", façam uma lista de jeito e terão mais votos do que eles 
(leia-se PPD/PSD e CDS/PP) todos juntos.
Será que é pedir muito ?!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Finantial Sometimes






Sweet Miss Swaps (Swappy).


sábado, 29 de junho de 2013

Má Sorte Ter Sido P...(Professor)




A profissão de professor é, sem dúvida, das mais expostas e das mais escrutinadas, essa exposição por vezes torna-se uma espécie de "maldição", pois do escrutínio à devassa e à maledicência vai um passo curto demais. Sobretudo numa sociedade com fraco sentido comunitário, muito permeável à velha táctica do "dividir para reinar" que induz as pessoas a só olharem para o lado e raramente para cima e, ainda assim, a preocupar-se demais com a vida alheia ou com aquilo que se projecta como tal, como paliativo e escapatória para a sensaboria da própria.
Os professores como agentes de proximidade, de primeira linha, estão sempre debaixo de mira e é por saber isso que os vários poderes os costumam utilizar como bode expiatório para as suas próprias malfeitorias. Reparem, agora a causa de tudo isto, daquilo que como Salgueiro Maia classificou do "estado a que isto chegou" naquele "dia inicial inteiro e limpo" no genial dizer da mãe do "filho da mãe", não se deve à cupidez e à ganância do capital especulativo, aos negócios ruinosos da banca e das negociatas tóxicas com dinheiros públicos engolidos no turbilhão da "crise"(ainda agora o Banif está a pesar no cálculo do défice a ser pago por "todos"). Nada disto, agora a culpa é dos professores e da sua "intransigência". Então os professores deveriam, se não fossem "egoístas" e "intransigentes", ter oferecido o pescoço para a degola.
Já nos pedem o "sacerdócio" (não certamente o do Abade da Travanca, nem o do Padre Amaro), agora exigem-nos o  seppuku (o hara kiri), a aceitação passiva do naufrágio das nossas vidas de cara alegre, através de um imenso coro mediático onde se dizem muitas, muitas mentiras e alarvidades, vindas da má-fé mercenária, da mais crassa ignorância e, as mais das vezes, das duas juntas. Depois de se terem, até ver, calado com "os mais bem pagos da Europa", agora ela é a "excepção das quarenta horas" e "o que são eles a mais do que os outros"? Nesse afã de comparar o que não tem, nem pode ter, comparação, tem-se ido buscar de tudo, desde os médicos e enfermeiros nas Urgências, até às telefonistas que trabalham "fora de horas".
Ora, eu sou filho de uma telefonista e de um contabilista e, bem sei que nessa altura as tecnologias disponíveis não eram propensas ao "tele-trabalho",  não me lembro da minha mãe trazer, até porque dava pouco jeito devido ao peso e às dimensões e ainda por cima aquilo tinha imensos fios e "cavilhas",  o PBX para casa aos fins-de-semana. Já o meu pai trazia trabalho para fazer em casa e acompanhei-o em muitos "serões" e fins-de-semana de "escritas". Só um "pormenor", não eram para a empresa de que era funcionário, eram trabalhos extra, feitos em horário extra e pagos à parte. Os professores também não apenas estão nas "urgências" nas escolas e no pandemónio social em que estão transformadas (se calhar são os professores que matam pessoas à "naifada" à porta dos estabelecimentos, vá-se lá saber...) como trazem as "urgências" dos seus alunos  e não só , também muitas falsas urgências burocráticas a que estão inutilmente escravizados, para casa, com prazos urgentes para as devolver.
Mesmo dando de barato, o que está longe de ser verdade, que estar muito tempo no local de trabalho equivale a trabalhar, como poderá comparar-se o trabalho de um professor, mesmo com as diferenças entre graus e níveis e disciplinas e as circunstâncias dos respectivos alunos terem ou não terem que prestar provas de exame nacional e outros "detalhes", por acaso ou talvez não, todos amalgamados, muito por obra de governos sempre enroupados na linguagem grandiloquente do "rigor" e da "exigência" para inglês ver, com as quarenta horas de permanência no local de trabalho daquele senhor que está sentado numa secretária à entrada dos Ministérios e das Câmaras Municipais?
Como a "troika" tem as costas largas e parece ter ficado indisposta com a "excepção" dada as professores portugueses, ou pelo menos e como a "pulhítica" também é a "guerra" por outros meios, é essa a "notícia" que alimenta a combustão mediática da campanha negra contra os professores, guindados à categoria de "inimigos públicos" pelos verdadeiros inimigos do público que, como é sabido, são muito "amigos do alheio" e se preparam, se deixarmos, para se locupletarem com os despojos do Estado - proponho um pequeno exercício de apuramento factual da verdade - perguntem aos representantes da "troika" em Portugal, os tais da "missão técnica", quantas horas tem o horário dos professores nos seu países de origem que, se não me engano, são a Alemanha, a Dinamarca e a Etiópia. Irão ver que nem na Etiópia os professores têm horários desses. 
Ora, vão mas é "dar banho ao cão" e deixem-nos trabalhar!


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Já a Tinham Fisgada (ou o Conto do Factotum Face às Forças do Bloqueio)


A trapalhada criada pelo Governo e promulgada por Cavaco em tempo record (menos de 24 horas)   do  não pagamento do subsídio de férias a todos os funcionários públicos e pensionistas, é prova de que o, em má hora eleito,  Presidente da República, mesmo não admitindo ser chamado de "palhaço", se porta como um autêntico "Faz Tudo", um verdadeiro "factotum" do Governo de Passos. Mancomunados na defesa de idênticos interesses, com desprezo absoluto por Portugal e pela esmagadora maioria dos portugueses, exibindo ressabiamento e uma atitude provocatória  de evidente e (pouco) ardilosa retaliação contra os funcionários públicos, os pensionistas e as decisões do Tribunal Constitucional  que, na prática, tripudiam. 
Em suma,  atacam as já tradicionais "forças do bloqueio" na expressão consagrada pelo senhor Silva (como o "destratava" o seu correligionário Alberto João Jardim) nos tempos em que ainda não tinha ainda progredido na carreira e se ficava pela analogia fisionómica e em matéria de indumentária (temos que reconhecer que nesse aspecto o homem evoluiu) com os manequins da Rua dos Fanqueiros, hoje improcedente já que são todos chineses.
Contas feitas na íntegra, só lá para Novembro, se "deusnósenhor" quiser e a quadrilha (a troika mais o "tandem" português Passos/Cavaco - de Portas abertas ou fechadas, consoante as "luas") deixar. Dizem que não é por falta de dinheiro, o que a ser verdade, e não é seguro que seja, se "justificará" apenas por birra anti-democrática. Mas atenção,  cheira-me a "estrangeirinha" - a "promessa" para ser paga no próximo "feriado nacional" : o "dia de S. Nunca à tarde".
Como esta gente é perigosa e usa a mentira como método - são capazes de estar já, e para que ninguém veja sequer a cor do dinheiro, a fisgar outra.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Os Professores Portugueses Lutam (Literalmente) Pela Vida




Não foi, enquanto cidadão, professor e pai, de ânimo leve que me decidi por fazer hoje greve ao serviço de vigilância aos exames nacionais para que estava convocado. Foi mesmo com mágoa que o fiz, foi de coração pesado, porque sei o que está em causa para os alunos e suas famílias. Não é o mesmo fazer um exame hoje ou noutro dia qualquer e não dá tranquilidade a ninguém saber se o vamos fazer ou não. Mas o que está em causa é muito, a parada está a um nível muito alto, e quem perder esta oportunidade arrisca-se a perder tudo, até a vida.
A anti-política da quadrilha, a troika mais o (des)governo de Portugal (subserviente e não, com certeza, português), está a destruir, não apenas a escola pública, mas a res publica ou seja,  de uma só penada, toda a evolução social conseguida por dois séculos de sangue, suor e lágrimas, ameaçada de sucumbir pela investida global do "lumpencapitalismo". Pelo capitalismo que já nem é sequer de "casino", é antes de "roleta russa". Totalmente improdutivo, vive da mega-agiotagem, da usura desbragada, do total amoralismo e do completo desprezo pelo destino das pessoas, na adoração do bezerro de oiro que exige sempre mais e mais vítimas para um holocausto infrene. Chama "economia" ao saque e ao esbulho financistas, chama "equilíbrio" à rapinagem. Aposta no dividir para reinar, fazendo os seus agentes lembrar Tulius Detritus, o homenzinho verde dos álbuns do Astérix que atirado aos leões no circo romano, conseguia pô-los a comerem-se uns aos outros.
Os professores portugueses estão com esta greve a lutar pela vida, pela dignidade da Escola Pública, pelos direitos dos seus alunos, que acompanham e acarinham como ninguém. Os professores portugueses, muitos com três e quatro décadas de profissão e a quem, através de barreiras administrativas, regras mudadas a meio do jogo e penalizações pecuniárias exorbitantes, não deixam aposentar,  barrando na prática e para além de todas as retóricas divisionistas,  a entrada de sangue novo no sistema, já andaram de terra em terra, dormindo em quartos alugados, comendo meias doses, separando-se do cônjuge e dos filhos, levando muitas vezes "cada um o seu", sem ganhar mais um tostão que fosse, sem qualquer subsídio de deslocação, que na prática não teve, nem tem limites. Até era célebre o irónico provérbio: "Se queres conhecer Portugal, torna-te professor eventual".
Os professores portugueses já não reclamam pelo confisco de grande parte dos salários e subsídios a que, como muitos dos demais cidadãos, estão sujeitos há mais de dois anos, os professores portugueses que fizeram licenciaturas, pós-graduações, mestrados e doutoramentos, fizeram estágios, relatórios de auto e hetero avaliação, tiveram aulas observadas, acções de formação, grelhas e mais grelhas, actas e mais actas (gostava de saber que outra profissão, jurídicas incluídas, é obrigada sistematicamente a relatar o já relatado, avaliar o já avaliado e "burrocraticamente" - de "burro" e "crato", apesar de ser apenas mais do mesmo - a "chover no molhado") e têm honrado os seus compromissos profissionais até ao excesso, vêm-se agora confrontados com horários de quarenta horas, sabendo-se de antemão que muito mais do que isso já trabalham, perguntando que outra profissão com idênticos vencimentos, leva trabalho para casa até à exaustão para as noites de serão, fins-de-semana e férias roubadas à família e à casa? Agora vêm dizer-nos que, após termos construído uma vida com dignidade e brio profissional, podes estar aos quarenta, cinquenta ou sessenta anos, na iminência de seres despedido sem qualquer justa causa e sumariamente lançado na miséria e na indigência, sem teres sequer direito a mínimas contrapartidas pelos teus muitos anos de descontos e de impostos.
Gostava também de saber que raio de sistema educativo vai ser este  e onde irá o corpo docente, obrigado no quotidiano a confrontar-se com a energia e a vitalidade naturais de dezenas e dezenas  de jovens, nem sempre "fáceis", buscar vigor aos sessenta cinco ou sessenta e seis anos?!
Amigos, neste momento, mesmo perante os enxovalhos e as calúnias de quem lucrou com o regabofe e agora clama por austeridade, de quem promoveu a destruição do aparelho produtivo nacional e agora clama pelo "mar", pela "agricultura" pela "reindustrialização", de quem nos fez embarcar em aventuras que nos hipotecaram a soberania e nos conduziram a armadilhas sem saída, a não ser com custos enormes, os professores portugueses estão irmanados no desígnio ético que proclama a defesa da própria vida como um Dever e não será sem luta que desistirão da sua, da dos seus filhos e da dos seus alunos, futuro de Portugal, para que se constituam elites mais dignas do que estas sanguessugas que agora nos assombram e cidadãos mais cônscios que não deixem que tal se venha a repetir.

sábado, 15 de junho de 2013

Levantou-se a Cristas (Uma Mulher às Direitas)





A Ministra da, entre outras coisas, Agricultura, Assunção Cristas, deu um enxerto ao FMI proclamando, alto e bom som, que o IVA no vinho não subirá em Portugal como os maricas dos  nórdicos "cervejólatras" e o etíope deviam gostar. Fica assim nos treze por cento e não nos gordos vinte e três como esses choninhas pretendiam.
Queriam briga, ora tomem lá seus "coisas" de sabão. Eis uma mulher que tem tudo en su sitio.
Uma verdadeira mulher às direitas.
Ah valente !
Pois fiquem vocemessês sabendo que, neste rincão abençoado, o vinho é que induca e o fado é que instrói !!!
Anda Pacheco !!! 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

FMI, Fora Daqui !!!




O Senhor Presidente da República, talvez para denegar em público e nos mais altos areópagos (pagos e bem pagos com o nosso dinheiro) a sua fama de "comediante" (já que o mais vernáculo é susceptível de procedimentos de lesa-majestade) atirou-se ao FMI no Parlamento Europeu. 
Utilizou a velha táctica de Salazar de dizer para fora muito mais do que diz cá dentro, não vá o indígena entusiasmar-se e tomar o freio nos dentes.
Ora, como o surrealismo institucional só pode merecer comentários surreais, aqui vai um que o meu pai me ensinou, era eu bem pequeno:

Um jovem ancião sentado num banco de pau pedra
Lia à luz de um candeeiro apagado
Um jornal sem letras que assim dizia:
Mais vale no mar criar batatas
Do que peixes em terra navegando

quarta-feira, 12 de junho de 2013

All Good Fellas (Poemeto ao Couto)


Mas eles estavam lá todos (nom de Dieu...)

Ontem, o Couto voltou às lides educativas, acontece que levou sopa, meteu-se, na verdade meteram-no, com a pessoa errada, o Paulo Guinote.
Há já uns aninhos, quando o Couto passou pelo Ministério da Educação e apanhou com uma curiosa exposição pública de rabos estudantis, revoltados contra o aumento das propinas que afirmavam :
"NÃO PAGAMOS !!!"
Publiquei um singelo poema ao Couto, dentro do "espírito" da época, de que vou "ressuscitar" um excerto:

Ó jovens de acto insurrecto
Que sorte tivestes vós
É que ao expor assim o recto
E por ver tanto traseiro 
O Couto que é engenheiro
Ia virando arquitecto...


sábado, 1 de junho de 2013

A Opus Deles (ou o Regresso dos Bórgias)







Ouvi o Professor João César das Neves e o banqueiro  António Horta Osório  discorrerem sobre a "crise" e a sua solução e fiquei, uma vez mais, verdadeiramente impressionado com a irredutibilidade das "mónadas" em que cada um de nós  é capaz de viver. O Professor César das Neves, Catedrático de Economia da Universidade Católica (Católica School of Business and Economics), que é, em aparente paradoxo, o alfobre-mor do mui pouco católico, por especulativo e usurário, neoliberalismo em Portugal, crê na vocação salvífica e redentora da miséria (que não para ele próprio, claro) induzida por esta crise, a que chega a cantar públicas hossanas.
O banqueiro Horta Osório, o tal do "burnout", não se importa de incendiar milhares de vidas alheias que, uma vez queimadas, não terão direito a qualquer período de "convalescença" como ele próprio teve, quando se descobriu que, afinal, não era assim tão à prova de fogo.
O Professor Neves aqui há uns anos, entrevistado para uma rádio, se não me engano a TSF, à trivial pergunta de um desejo para o Ano Novo, pois estávamos na cristã quadra do Natal, respondeu e cito de memória:
"O meu maior desejo, neste momento, é que fossem despedidos  cinquenta por cento dos funcionários públicos"!
Para "católico" estamos conversados. Onde está a caridade, no sentido próprio do termo que é o do amor ao próximo? 
Estes mandarins/mandaretes não têm o comum das gentes como o "próximo" e terão uma noção muito pouco universal, logo nada Católica, de Humanidade. Trata-se, se deixarmos, do retorno a uma avassaladora Idade Média de miséria e obscurantismo para a esmagadora maioria e de opulência para alguns e seus serventuários, onde encaixam muito bem o Professor César das Neves e o banqueiro Osório.
Episódios como estes são manifestações de uma espécie de regresso dos Bórgias, no mais escandaloso dos deboches na versão do esbulho financeiro, da destruição de milhões de vidas que se acreditavam como dignas a coberto do farisaísmo entusiasmado de sicofantas como os Professores Neves e os banqueiros Osórios deste mundo.
Não, não disse Médicis, disse Bórgias...
É a Opus deles!!!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Renova Preto


Toda esta conversa acerca da putativamente justa "equiparação" das condições contratuais, leia-se facilidade de despedimentos, do "sector público" ao "sector privado" não passa de "tinta de choco" ou seja de camuflagem para esconder no bojo, como na nau de António de Faria, o desmantelamento dos serviços públicos (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.), destruindo um embrião de "Estado Social" com cerca de meio-século, entregando a parte suculenta aos "privados" (que por cá e resta saber se por algum lado, estão longe de o ser na verdade) e deixar o resto ao deus-dará.
A campanha negra contra o Estado e os Funcionários Públicos, e, atente-se, não há nada que não precise de reforma, apenas pretende cultivar e navegar a velha onda das rivalidades e dos ressentimentos no mais velho e relho estilo do "dividir para reinar",  na certeza porém que nada irá ficar melhor para quem quer que seja e que a conversa da "equidade" (que bizarra interpretação do conceito, razão tinha o velho Marx quando disse que a "ideologia" era o mundo de pernas para o ar) é apenas "música para camaleões".
Perguntar-me-ão: 
Então e o Renova Preto?
Bem, como tudo isto não passa de tinta de choco é melhor recorrer a um dos nossos mais bem-sucedidos produtos de exportação, ideal para quem come chocos com tinta.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A Fábula do Cavaco e do Bichano









Nenhum destes senhores é um palhaço.

(Quando era menino havia nos circos uns "entertainers" para os tempos mortos, que eram chamados "animadores de pista". Por  sinal pareciam, mas não chegavam a ser, palhaços.)




quinta-feira, 23 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

De Pierrot le Fou a Peter O'Tolo

 
 

Pedro Passo Coelho apanhado, mais uma vez, a tratar a língua portuguesa como trata o País, a pontapé - pelo menos aqui é coerente, desta feita foi o "muito péssimo" - perante a chacota, tratou de "desdramatizar" alegando que se tratara de uma "gaffe deliberada".
Ora, para quem - depois do outro Pedro (Santana Lopes), demais a mais proveniente da mesma "cantera", ter descoberto os concertos para violino de Chopin - teve como livro de cabeceira decerto o original da obra, inédita, de Sartre, "A Fenomenologia do Ser", estará familiarizado com o rigor lógico e argumentativo desta plêiade de autores, não deixa de ser estranho que considere que há "gaffes deliberadas".
E nós que pensávamos (é verdade - a pensar morreu um burro) que a própria definição de gaffe incluía a não deliberação e logo, a involuntariedade.
É normal que intelectuais deste gabarito, que  a partir da investigação de espólios autorais conseguiram dar o grande salto epistémico para o espólio público, se baralhem um pouco e cometam a gaffe de chamar gaffes a algo que "no meu tempo" mereceria a bem mais prosaica designação de asneira!!!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Economia, os Subsídios e as Bejecas





O ministro-sombra do CDS para a Economia, António Pires de Lima, acaba de declarar ao Fórum da TSF que a política fiscal deste Governo asfixia todas as classes (baixa, média, média-alta e até alta) dos que vivem dos rendimentos do trabalho e que isso "não é nada bom para a economia", dando para exemplo o sector em que opera, o cervejeiro, em que "se não fosse a exportação, a queda abrupta do consumo interno traria a ruína".  Acrescentou ainda uma perspectiva negra para este ano, agravada pelas trapalhadas em torno da "devolução" dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e pensionistas.
Começamos agora a compreender as divergências internas do CDS que terão levado a malograda Zezinha Nogueira Pinto a cortar com o partido e a voltar-se para o PSD. Não sei se estão lembrados que ela advogava que nisto de "devoluções" de rendimentos a pensionistas, por exemplo, devia ser aos bochechos (para não dizer às mijinhas, mais consentâneas com as "jolas") pois "eles gastá-lo-iam em cervejas e elas em batons das Lojas dos Trezentos".
Afinal e a Bem da Nação, não há mágoas que não possam ser afogadas num mar de cerveja.





terça-feira, 9 de abril de 2013

Ditadura das Finanças



O Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, fez hoje publicar um Despacho em que avoca a autorização para que sejam contraídas despesas por parte dos órgãos na tutela do Estado. 
Salazar também fez a mesma  exigência.
Está tudo em conformidade. Até já temos o cabeça-de-abóbora.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

ADN ?!



Então quando é que fazem o teste ?


quinta-feira, 28 de março de 2013

Detrás do Arbusto


Segundo Sócrates "desabafou" na entrevista de ontem, 27 de Março, à RTP,  Cavaco foi "a mão por detrás do arbusto" que conspirou para derrubar o seu Governo. Assim e numa primeira abordagem à lógica interna do discurso, poderá perguntar-se que faria Cavaco escondido em tal posição? Estaria agachado? Sendo um homem alto é natural que assim estivesse.
Nisto da topologia arbóreo-herbácea podemos considerar uma axiomática dos lugares relativos em que, dada uma conceptualização espacial para-quântica, não é possível dissociar o observador do observado. Por exemplo: a parte da frente da árvore será sempre aquela em que mija o cão, enquanto a parte de trás será sempre aquela onde mija o homem. Quanto aos arbustos, por serem de menores dimensões e de copa mais rasteira, estar "por detrás do arbusto" poderá evidenciar a ocorrência de necessidades políticas de maior solidez.
Cavaco, depois de ouvir a acusação do parisien retourné, é bem capaz de ter ficado a roer alfarrobas e a cuspir as sementes (que, por sinal, são rijas como cornos). Só lhe fará bem, dadas as propriedades anti-diarreicas dessa vagem (é isso e tremoços), o seu consumo regular evitará ter, de futuro, que recorrer a posições menos próprias como, por exemplo, estar de cócoras atrás de arbustos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Pontaria (A Propósito de Alegados "Princípios Absolutos")


Saliente-se a "pontaria" argumentativa de Paulo Portas em missão diplomática no Japão, quando declara que o confisco de depósitos bancários ordenado pela Troika em Chipre não se enquadra no "espírito europeu" que se rege pelos "valores ocidentais" (o que vale é os japoneses já não ficam com os "olhos em bico"). A propósito do mesmo assunto também Rajoy, durante o encontro com Hollande,  veio fazer profissão de fé na "confiança bancária" como sendo um "valor absoluto" da União Europeia. 
Valor absoluto?! Então para os cipriotas não era também um "valor absoluto" e para os portugueses, gregos e irlandeses (e também, de certo modo, espanhóis e italianos e os que virão a seguir) os salários, as pensões, os subsídios e a estabilidade fiscal não se enquadravam dentro desses tão proclamados "valores absolutos" cuja observância seria garantida pelo Estado como "pessoa de bem"?!
Ou será que contra factos não há argumentos e o que vale é apenas a lei do mais forte e o salve-se quem puder?
A invocação do "estado de necessidade" costuma ter as costas suficientemente largas para justificar todo o tipo de arbitrariedades mas, neste caso, até aos costumes se tem dito nada.
Na verdade, como disse o "velho" Marx, "tudo o que é sólido se dissolve no ar".
O resto é apenas cinismo...

sábado, 16 de março de 2013

A "Casca de Banana" (a Propósito de uma Efeméride)




Passaram trinta e nove anos sobre o chamado "Golpe das Caldas", em 16 de Março de 74, numa altura em que eram esperadas várias iniciativas deste género (discutia-se se seria de "esquerda" ou se dos "ultras" - Kaúlza andava nas "bocas do mundo"), uma coluna militar saiu das Caldas da Rainha com destino a Lisboa com o intuito aparente de dar um Golpe de Estado. O movimento não foi secundado e o Regime facilmente dominou a revolta e aprisionou os seus autores, militares spinolistas, que vieram a ser libertados cerca de quarenta dias mais tarde na sequência do 25 de Abril.
O professor José Hermano Saraiva numa das suas últimas entrevistas, talvez mesmo a última, faz uma curiosa interpretação desses acontecimentos (lembro-me da jornalista entrevistadora ter ficado visivelmente nervosa e ter passado sobre o assunto como gato sobre brasas). É certo que o velho professor se tornou conhecido pelas suas versões, no mínimo, pouco ortodoxas de factos históricos, que até lhe valeram algumas "excomunhões" (estou a recordar-me de uma vez em que foi "proscrito" de Guimarães por ter alvitrado que, afinal, a primeira capital do Reino fora Coimbra). Neste caso porém a memória está demasiado fresca e ele foi uma testemunha privilegiada, tendo sido Ministro da Educação de Marcelo Caetano, por quem não nutre especial simpatia,  tendo-o este mesmo substituído no cargo por Veiga Simão e nomeado Embaixador no Brasil, onde, aliás, se encontrava à data quer do 16 de Março, quer do vitorioso 25 de Abril. Disse, sem papas na língua, que o "Golpe das Caldas" fez parte de uma urdidura entre Marcelo Caetano e Spínola com o propósito de "abrir" o regime limpando-o dos ultras,  para se desenvencilharem em especial do seu chefe de fila, o então Presidente da República, Almirante Américo Tomás, que após o tombo de Salazar tinha, ao que parece, abandonado o seu proverbial low profile e deixado de ser "verbo-de-encher" e mero "corta-fitas". A coisa teria passado por ter sido Marcelo Caetano o verdadeiro autor do  livro "Portugal e o Futuro", assinado por Spínola e caído como uma bomba no "pacato" (e sonso, diga-se de passagem) milieu político do stablishment nacional (Hermano Saraiva duvida da capacidade do velho general de cavalaria para ultrapassar o "peido e coice" e escrever o que quer que fosse). Para levar avante esse desiderato terão acertado encenar uma quartelada para destituir o "cabeça de abóbora" (Almirante Tomás) e substituí-lo pelo General Spínola. Para isso precisavam do apoio do "Movimento dos Capitães", futuro MFA, que terá sido prometido, mas que no dia da verdade acabou por deliberadamente "roer a corda" para se livrarem deles e ficarem com as mãos soltas para fazer o seu próprio golpe, sem empecilhos, que viria (e ainda bem) a ser o 25 de Abril.
Assim se poderá explicar a reacção assertiva, como agora se diz, dos capitães quando Spínola mandou dizer à Cova da Moura (Posto de Comando do MFA) que se "tinha acabado a brincadeira"):
- "Pois acabou meu general. Não se esqueça que quem fez a Revolução fomos nós!"
Spínola havia de se "esquecer" por duas vezes - em 28 de Setembro de 74 e em 11 de Março de 75.
Só não entendo a razão para que, num País tão dado a "mitologias", onde o "Caso Camarate" anda às voltas há mais de trinta anos, se deixe este outro caso tão sossegado e aparentemente ninguém, à excepção da modesta pessoa do escrevedor destas linhas, ligue a esta suculenta pista deixada pelo velho e castiço historiador. 
Se calhar ainda é cedo para mexer na génese da IIIª República, mesmo que pela porta da petite histoire.
É que os mitos costumam ser muito sensíveis e o melhor é deixá-los em paz (nem que seja na paz dos cemitérios)...

domingo, 3 de março de 2013

O Retorno do Social-Fascismo (Agora Sem o "Social")






Depois dos dislates, reveladores quanto ao grau de "sensibilidade" social e, já agora, sensatez política, do Primeiro-ministro e de outros membros do Governo com os "piegas", o convite aos jovens para emigrarem e abandonarem as suas "zonas de conforto", vieram as Jonets com os "bifes" (que afinal eram de cavalo), os Ulrichs com o "aguenta, aguenta" e,  "last (até ver) but not least", o dr. João Salgueiro com a proposta de constituição de uma espécie de Brigadas de Trabalho integradas por "doutores e engenheiros", presume-se que mais ou  menos jovens e desempregados para "trabalhar nas obras" e "limpar matas". Quanto às "obras" não sei de que "obras" estará a falar, pois as obras públicas (e mesmo as privadas) estão praticamente paradas e o desemprego nos profissionais do sector já é elevadíssimo. Quanto às "matas" pergunta-se se  será necessário um tão elevado nível de qualificação para o fazer, se o investimento feito na formação de quadros será rentabilizado nessa tarefa. 
Nada tenho, antes pelo contrário, contra o trabalho braçal e o seu exercício não fará "cair os parentes na lama " de quem quer que seja. Discuto apenas a razoabilidade do seu cometimento a este tipo de profissionais quando a jusante há muito mais mão de obra disponível. Infelizmente o desemprego em Portugal não se limita ao de "licenciados" (e mestres e doutores), sendo esse grupo mais um a somar a todos os outros. Não gosto de fazer processos de intenção, mas no caso concreto, vindo de quem vem - um muito conceituado e experiente economista, que começou a sua carreira ainda "jovem turco" na velhice do Estado Novo como Subsecretário de Estado de Marcelo Caetano, esteve na fundação da SEDES, tendo posteriormente sido Ministro das Finanças do Governo de Pinto Balsemão, sendo também um conhecido banqueiro público, tendo passado pelo cargo de Vice-governador do Banco de Portugal e presidido ao Banco de Fomento Nacional e à Caixa Geral de Depósitos (de que é aposentado com cerca de 30 salários mínimos), presidiu ainda à Associação Portuguesa de Bancos. Também foi ele que no Congresso do PSD da Figueira da Foz, foi subitamente "atropelado" pelo automóvel novo de Cavaco que lá foi para  fazer a "rodagem" e deixou Salgueiro apeado. É rodado de mais para "naif". Das duas uma: ou é mais um "soundbyte" para encher entrevistas ou é uma posição "ideológica" do tipo "vão ver o que a vida custa". Mas, meu caro senhor, estes jovens já o estão a saber por terem que aceitar ser caixas de supermercado ou operadores de "call center", sobre-explorados, sub-remunerados, tendo, na melhor das hipóteses, que emigrar, fazendo de Portugal um "case study" de paradoxo ao vivo, vivendo "acima das suas possibilidades" mas mesmo assim "abaixo de cão", como um manifestante oportunamente lembrava em cartaz artesanal na  Manifestação "Que se Lixe a Troika". Um país em declínio populacional, com um acentuado envelhecimento e que, ainda assim, exporta população, demais a mais, qualificada (como no exemplo que citou dos "engenheiros e professores de matemática" da Ucrânia, mas como muito menos "massa crítica") e em quem investiu vastos recursos na qualificação de que outros vão aproveitar.
Por outro lado, é curioso ver a evolução dessa recorrente "proposta" da "limpeza de matas" - quem está atento aos Fóruns da comunicação social (como os da TSF) e das várias estações de televisão ("Opinião Pública" e outros) verificará que ela é mais popular entre taxistas e comerciantes do Bolhão (que me desculpem os visados pela, quiçá injusta, estereotipia) do que entre economistas (se fizermos excepção de ocasionais dromedárias criaturas como um tal Camilo Lourenço, que botando habitualmente discurso economês - mas também agora quem o não faz? - parece que é jurista de formação). Podemos também verificar que a "proposta", assim ao jeito do "vão trabalhar malandros", se destinava primeiramente a beneficiários do RSI (vulgo "rendimento mínimo") e agora já vai nos "engenheiros", que aliás eram para os próceres do sistema  que arruinou isto tudo, juntamente com os informáticos e em oposição às "letras", cursos que "faziam falta" ao País. Pelos vistos, agora já não fazem e a "proposta" passou quase de ser recomendada  a "indigentes" para ser putativamente aplicada aos "lentes". As voltas que o mundo dá!!!
Será também curioso analisar a filogénese política da dita "proposta": durante o PREC de 74/75 e com o País numa convulsão só comparável com a actual, mas de sinal contrário, o Governo Provisório "gonçalvista" decidiu não abrir o acesso ao Ensino Superior e como solução de recurso, muito dentro do "ar do tempo", promoveu, "à cubana", o "Serviço Cívico Estudantil" mobilizando os estudantes que tinham concluído o Secundário e que foram impedidos de entrar nas Universidades (então muito menos do que hoje e praticamente todas públicas), naquilo que foi um fiasco organizativo e social , (eventualmente com pontuais excepções que se limitaram a confirmar a regra e que acabou por obrigar ao "enxerto" de mais um ano curricular, primeiro o "Propedêutico", depois o 12º), logo apelidado por muitos sectores políticos e da sociedade de então, nomeadamente o MRPP em que se integravam personagens como o actual presidente da Comissão Europeia - Durão Barroso (mas também Franquelim Alves), como medida "social-fascista", perante o aplauso do então PPD (actual PSD ou PPD/PSD, já não sei bem, depende das opiniões internas).
Esta medida, da "reeducação pelo trabalho" dos jovens escolarizados, foi entretanto abandonada em Cuba e na China (com a condenação do "Bando dos Quatro", quando acabou a "Revolução Cultural") e nunca muito praticada por desnecessária (afinal tinham os "Gulags" e a tradição aristocrática da velha Rússia) na, entretanto extinta, União Soviética.
Estamos pois perante uma "proposta" de tipo "social-fascista", já sem o "social", provando que, mal comparado, como Salazar dizia do nacional-socialismo de Hitler e seus capangas, era muito "nacional" e muito pouco "socialista". Também o "liberal-capitalismo" é sempre adepto de "soluções", se não finais, pelo menos drasticamente "socialistas"  desde que se destinem apenas aos outros e  sejam, de preferência, "para inglês ver".

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Queda de um Anjo


Corre hoje e até às 20 horas de Roma, o último dia do pontificado de Bento XVI. Joseph Ratzinger vai voltar a ser, não o que era antes de 19 de Abril de 2005 mas, algo que desde 1415 nunca mais houvera, um Papa renunciante e parece que Papa Emérito (numa novidade titular absoluta). Para este gesto insólito, a resignação, o Papa alega "cansaço". É crível que assim seja, de facto um homem com oitenta e cinco anos deve sentir-se "cansado", mais ainda cansado de toda a envolvente do cargo.
Joseph Ratzinger quando foi entronizado na cadeira de Pedro, que nesse tempo não deve ter passado de um modesto escabelo, sabia, até por ser um homem de "dentro",  ocupava as funções de  Superior da Congregação para a Doutrina da Fé, o que o esperava. Não era nenhum eremita como um dos seus poucos predecessores na renúncia, Celestino V (1215 - 1296), qual personagem camiliano da "Queda de um Anjo", fosse surpreendido pela promiscua perversidade da Cúria Romana de si por demais conhecida. Talvez não tenha avaliado bem a sua capacidade de lidar com a dimensão do "problema", uma coisa é a teoria, o conhecimento indirecto, outra a situação no concreto. Ratzinger cansou-se do estado demasiado humano do Estado que se reclama representar o divino, cansou-se da baixa política, da  constante intriga palaciana, da permanente guerra de facções, das fugas de informação e roubos de documentos que as punham ainda mais a nu, dos escândalos financeiros, dos escândalos sexuais internos (desde a histórica pedofilia, típica dos  ambientes concentracionários, até ao poder do "lobby gay" numa instituição - a Igreja Católica - em que nestas matérias é formalmente interdito o "uso", quanto mais o "abuso"). O teólogo de uma ampla clarividência intelectual, cultíssimo e de grande afabilidade que escreveu dos mais belos textos sobre a Eucaristia:
"Se o pão é o símbolo do que o homem precisa, por seu lado o vinho é o símbolo da superabundância da qual também temos necessidade. Ele é sinal da alegria, da transfiguração da criação. Tira-nos da tristeza e do cansaço do dia-a-dia e faz do estar juntos uma festa. Alegra os sentidos e a alma, solta a língua e abre o coração; e transpõe as barreiras que limitam a nossa existência".
Ferido nos seus sentidos ético e estético, por uma realidade em que a Graça poucas vezes está presente e a vaidade (do latim vanitas, de vanus = vazio) e a vã cobiça demasiadas, acabou por não querer resistir. Fartou-se e vai passar o resto dos seus dias com a Esperança de ter apenas um Único e Absoluto interlocutor.
Assim como assim, o homem continua a ser o único animal capaz de distinguir a água benta da água vulgar, o que nem sempre basta para deixar de cair na tentação de navegar em águas turvas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Tartaranha (ou "A Ilha do Dr. Moreau")







"Anda para ali a tartaranhar" - era uma expressão que a minha avó costumava utilizar sobre quem andava às voltas ou se punha com rodeios. É precisamente isso que o poder político instalado anda a fazer, a andar às voltas, argumentando, se assim se pode dizer, em círculo num diz que sim, mas faz que não.
Alguma oposição benévola vê nisso inépcia ou mesmo estupidez. Lamento, mas não partilho desse optimismo antropológico. Infelizmente não se trata de "burrice", trata-se de, como tempo é dinheiro, encanar a perna à rã para aproveitar a oportunidade de fazer a sua parte na tão almejada desforra histórica do capitalismo na sua pior e mais rapace versão. É o "take the money and run" do maior assalto de todos os tempos: a chamada "reconfiguração" da sociedade ocidental através da pauperização dos povos pela destruição das "classes médias" e o desenho de uma espécie de Terceiro Mundo global, em que só haverá muito ricos e pobres de vários, mas poucos, matizes.
É preciso sacar o mais possível, o mais rapidamente que se puder. O capitalismo esteve em risco no início da crise, aí por 2008, mas as notícias da sua morte foram, uma vez mais, um pouco exageradas. A vitória na "Guerra Fria" sempre terá servido para alguma coisa e não havendo já alternativa real, faltou a oposição no concreto, cuja queda, recente em termos históricos, tinha também provocado, por descrédito, uma espécie de naufrágio ideológico. Por isso e pela algo paradoxal situação de, no auge da crise, faltar pensamento crítico como "cimento"  intelectual a que se junta a terrível eficácia dos mecanismos de sedução mediática (afinal quem compra o automóvel, não compra a "top model"que a publicidade põe lá dentro, mas que saliva, lá isso saliva)  enquanto  fautores de ilusão e de alienação universal.  É o agora ou nunca para o capitalismo selvagem e a tergiversação faz parte da estratégia. 
Não, o "governo de Portugal" não é peco na "resposta" à crise, o "governo de Portugal" fomenta a crise segundo o guião que lhe deram para decorar e desse guião fazem parte o empobrecimento deliberado, o desemprego e a precarização das relações laborais; faz parte o "ajustamento" forçado sem pôr em causa, antes pelo contrário, os verdadeiros privilégios rentistas das grandes negociatas e dos abutres; faz parte o incitamento ao ódio social contra sectores tomados com "bodes expiatórios" para desviar a atenção dos verdadeiros beneficiários do regime, na velha e relha prática do "dividir para reinar". Faz parte o nivelamento por baixo e o apontar dos direitos como "regalias";   faz parte a desvalorização do trabalho e do seu valor simbólico e económico; faz parte o estado sensacionalista  de "novidade" contínua em que são "abolidas" as razões e os nexos de causalidade para que se possa fazer o mesmo à "Razão" que era aceite conduzir a "História"; faz parte atacar o "Estado", mas não  aclarar o "estado" a que isto chegou e nunca elucidar por que será que os que tanto o maldizem se apegam a ele como lapas e o sugam como vampiros.
Não meus caros, estes rapazes não são nabos, estão apenas a "tartaranhar" e a cumprir a encomenda de fazer das nossas vidas uma espécie de "Ilha do Dr. Moreau", ou seja um parque de experimentação biopolítica em que o destino das cobaias não deverá, se assim o deixarmos, ser muito diferente do do cavalo do inglês.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Ética Protestante e o Espírito do Canibalismo




Fala-se da Alemanha como uma nação de gente de trabalho, metódica  e de vontade férrea, obstinada mesmo, indo até ao "excesso" de seriedade e determinação, que não mistura "serviço com conhaque" (também no estado em que ficam, seria impossível). Acontece que essa imagem de marca, por assim dizer, anda a sair chamuscada com a profusão de casos de plágio académico em que se têm visto envolvidos ministros do governo da chanceler Merkel. Primeiro foi o ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, que, em letra de forma para honrar os pergaminhos da linhagem, foi apanhado com a boca na botija; agora foi Annette Schavan, ministra da Educação (no melhor pano cai a nódoa, deve ser do "sistema dual"), que viu ser-lhe retirado o título de Doutora pelo mesmo motivo, plágio da tese.
É certo que entre a  Alemanha de Merkel, zu Guttenberg  e Schavan, e o Portugal de Passos e Relvas há, ainda assim, significativas diferenças quer na substância, quer no método. Enquanto por cá as vigarices se ficam pelas licenciaturas e alguns MBAs, por lá fiam mais fino, estão ao nível do doutoramento.  Também por cá o método escolhido pelos perpetradores é mais "meridional", mais calaceiro. Para obter uma equivalência basta, e quando, uma singela folha de requerimento (e agora com a "desburocratização" nem sequer tem que ser em papel selado), umas palmadinhas nas costas e, vá lá, um ou outro jantarito; já para os doutoramentos na Alemanha exige-se uma metodologia muito mais trabalhosa, onde se revela o verdadeiro afinco "workaholic" (afinal "Arbeit Macht Frei") que caracteriza a raça teutónica, são centenas de páginas de copy paste.
Com a breca, até a ética protestante parece estar a dar de si...