segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A Nova "União Nacional"

Na última semana, fim de semana incluído, as duas maiores "novidades" nacionais foram a, atribulada, diga-se de passagem, entrega do O.G.E. no Parlamento e o triunfo do "César" dos Açores nas respectivas Eleições Regionais.
No caso do Orçamento, não tanto pelo objecto em si, mas pelo coro louvaminheiro que suscitou da parte de, praticamente toda a comunicação social e das "figuras" e "figurões" que costumam ser convidadas a pronunciar-se publicamente sobre estas ( e muitas outras) "coisas".
Não houve "comentador", "banqueiro", "empresário" ou chefe-de-fila dos lobbies que não aplaudisse embevecido, a "genialidade" e a "habilidade" com que Sócrates e o Ministro das Finanças encararam esta "crise". Como uma "janela de oportunidade" ( e os clichès do costume), para "enfrentar" e dar a "todos os portugueses" a segurança financeira para que tudo seja "como dantes, quartel-general em Abrantes".
O PSD, limitou-se a prosseguir a brilhante "estratégia" do silêncio que o Bloco Central dos interesses conseguiu impor com esta Direcção, (ainda por cima, "amordaçando" o Santana com o "doce" da candidatura à Câmara de Lisboa - que não vai ser "pêra-doce") e que na prática significa conivência com a política governamental, perseguindo os mesmos objectivos "modernizadores" com a inestimável vantagem do PS/Sócrates os ir embrulhando na demagogia da "esquerda moderna"(que na verdade não é uma coisa, nem outra; but who cares ?! ).
Está assim a criar-se o "caldo de cultura" para dar substância ao wishfull thinking dos interesses dominantes em Portugal (Banca, Seguradoras, com os negócios da Saúde, Capital Financeiro, Monopólios de facto : EDP, Galp,Telecom etc.,etc., Grande Distribuição Comercial e Empresariado "Agrícola", leia-se à moda antiga: latifundiários), de dar a que parecia improvável maioria absoluta ao PS/Sócrates para continuar a "obra".
"Há males que vêm por bem", sobretudo com os "opinion makers" aboletados ao Rigth Side of the Force; é verdade: o "Império Contra-Ataca" !
Quanto, e apesar da dimensão da abstenção que não poderá ser inteiramente "técnica", a mais uma retumbante vitória de Carlos César nos Açores, está encontrado o "Jardim" das hortênsias. Nas Ilhas e mais do que para lá do Marão, mandam os que lá estão no Poder, é claro. Pois lá, ainda mais que cá, o Poder tem, literalmente, tudo para dar.
Sócrates aproveitou muito bem a deixa ao vir às televisões assumir como sua a vitória de César, mas ele e César, que já não hesita em "bater o pé", quer a ele quer a Cavaco, sabem muito bem, que nós sabemos que eles sabem , que não é bem assim !

12 comentários:

maria (muito barreirense) disse...

Ó Senhor Professor, pela sua rica saúde,.... o Santana é para queimar.

Não me diga que ainda não reparou ?

E vamos lá ver se a Nélinha se aguenta nas canetas e chega ás eleições.
hummm duvido....

De "modos" que, neste país que é uma grande paródia, vamos ter Sócrates a perder de vista, aí ....... até ao ano 2050.

que maravilha, não acha ?


sempre a estimá-lo.

(apesar de, em matéria de "lelos" não nos entendermos....de todo)

jokinhas

imank disse...

Olá Maria:
Para queimar ou não, ele vai andando entretido e vai deixando "a banda passar" e quanto aos "lelos" eu acho que a Maria não entendeu bem o meu texto.Eu defendo que todos temos os mesmos direitos, mas também os mesmos deveres e obrigaçõese e questões de natureza "étnico-cultural" não podem servir de alibi a ninguém.
jokinhas

Jose Brás dos Santos disse...

Já nada me admira... Quando Gaspar Llamazares (Coordinador General de Izquierda Unida, site http://www1.izquierda-unida.es/index.jsp) nos “Los desaynos de TVE” de hoje veio subscrever as propostas do Paul Robin Krugman.

AntiNeoliberal disse...

Com esta oposição que nem faz nem sai de cima, o neoliberal Sócrates faz o que quer como quer e onde quer, para os monopólios, associações patronais, ou seja Belmiros, Van Zellers, Salgados, Murteira Nabo e outros que tais, este é o melhor governo que lhes poderia cair na sopa dos milhões, o fosso entre ricos e pobres agudizou-se, e que fez o neoliberal Sócrates? alterou o código do trabalho a belo prazer dos papa milhões, deppois de vir a público dizer que as reformas dos portugueses nunca iriam entrar nesta economia de casino, vimos agora saber que só a parte investida, dessas mesmas reformas, na bolsa caiu uns milhões largos, todos sabemos que o dinheiro não pode ficar parado mas investir na bolsa???? onde o perigo especulativo espreita a cada esquina??? não existem produtos mais fiáveis?

E assim vamos nós na pacatez deste império falido.

Jose Brás dos Santos disse...

Caro Antineoliberal,

Investir na bolsa não é um problema. Tudo depende do momento de investimento e do que se compra. Actualmente, muitos dos títulos cotados em bolsa estão muito abaixo do valor real.

Mesmo os investidores mais conservadores, estão neste momento a "perder" dinheiro. Coloco entre aspas perder dinheiro, porque na realidade só perdem caso vendam agora os títulos que têm em mãos.

Anote as cotações actuais, espere dois ou três anos e verifique os valores das cotações. Algumas delas terão ganhos superiores a 50% nesse espaço temporal.

Já agora... Prefiro que seja um fundo de pensões gerido pelo Estado o principal accionista de determinado tipo de empresas como a EDP ou Galp, do que um grupo privado estrangeiro.

AntiNeoliberal disse...

Caro José Braz

Isso tudo que você diz eu também sei, até porque "jogo" na bolsa, só que existem produtos menos voláteis onde as nossas poupanças possam ser investidas e com um risco quase nulo.

AntiNeoliberal disse...

José Braz II

A forma de gerir fundos tão complexos como os da segurança social tem a ver com a previsibilidade dos ganhos em termos de investimento, ora a bolsa tem de tudo menos de previsível, eu coloco uma certa quantia numa carteira de fundos que assenta em acções e não sei ao fim de um certo tempo, por exemplo, 24 meses quanto é que vou lucrar, ou até se vou lucrar alguma coisa, ora isto não pode acontecer com o dinheiro que serve para pagar as minhas pensões e não só

Cumprimentos

Jose Brás dos Santos disse...

Ilustre Antineoliberal,

O grande problema está precisamente nessa espécie de "neo-investidor" que "joga", que "aposta" na bolsa em lugar de investir na bolsa. "Jogam" na margem, no curto-prazo e na especulação. Ora isso, não é investir.

Investir obriga, tal qual aprendi nos bancos da faculdade, a uma permanência mínima de 36 meses do valor investido a "repousar": como diria um professor meu, compram-se um carteira de títulos, coloca-se a mesma debaixo da almofada e dormimos sobre ela uns três ou quatro anos. Até nos esquecemos que ela existe. De outra forma, não é investimento. É especulação.

Concordo. Há investimentos de baixo risco, muito baixo risco, mas estão hoje com retornos muito por baixo da inflação. Ou seja, continuamos a perder dinheiro.

Creia que muitos dos títulos do nosso PSI 20 serão um bom investimento a três ou quatro anos, compráveis hoje a "preços de saldo".

Estou longe de ser liberal ou neo-liberal, mas não desprezo as virtudes de alguns dos mecanismos da economia de mercado. Veja o investimento reprodutivo das «Cajas de Ahorro» espanholas. Um exemplo não seguido em Portugal.

Cumprimentos,
Brás dos Santos

AntiNeoliberal disse...

Tem toda a razão José Braz, essa é a forma correcta de investir, eu faço do meu dinheiro o que quero o estado tem que ter mais cautela ao investir o dinheiro dos contribuintes, existem investimentos com risco quase nulo e com retornos acima da inflação, já agora existe uma acção do PSI 20 que a muito curto prazo, 5 6 meses ou talvez menos pode dar lucros acima dos 50% sabe qual?

pazemgrego disse...

Caro Imank
Como professor de Filosofia e membro do PS, gostaria de saber a sua opinião sobre A Avaliação de professores (este modelo) e a Ética.

Uma vida depois, não resisto a dizer-lhe Olá.

Pazemgrego

imank disse...

Cara Pazemgrego:
Obviamente que este modelo de ADD é mais um número de "engenharia", ou seja, mais uma fraude demagógica e perversa com intuitos economicistas e pior, muito pior, vexatórios.
Trata-se de dar "sangue" a quem o reclama! E como de costume "come" a parte mais fraca!
E os professores são, infelizmente e por motivos vários, uma "classe" profissional muito vulnerável.
Compete-nos, no entanto, resistir e pôr a nu um monumental e grosseiro erro de cálculo.
Paz para si !!!

Jose Brás dos Santos disse...

Para quem queira perceber a razão de o Imank afirmar «que este modelo de ADD é mais um número de "engenharia", ou seja, mais uma fraude demagógica e perversa», sugiro a leitura de um artigo científico de Maria Rotundo disponível em http://www.cda-acd.forces.gc.ca/CFLI/engraph/research/pdf/06.pdf

Para os interessados há mais bibliografia sobre o assunto em http://contributos.blogspot.com/2007/04/o-doutor-mininistro-e-avaliao-do.html