sábado, 20 de março de 2010

O Aniversário do "Burro"


Ouvi hoje de manhã na rádio que a Ford Transit faz 45 anos. Ora, sabendo nós quão importante este furgon é para muitos dos nossos concidadãos, de que é o principal instrumento de trabalho, acho que isto está a pedir festa rija, daquelas que duram vários dias.
Já tive oportunidade de participar numa, há muitos anos, no Outono de 75.
Sendo eu estudante na Faculdade de Letras de Lisboa e politicamente empenhado, como quase toda a gente à época, fui convidado por uns camaradas trotskistas, se bem me lembro do PST (Partido Socialista dos Trabalhadores - no qual, assim de relance, não me lembro de ter visto qualquer trabalhador). Mas pronto, isso agora não interessa nada, é um dos "antepassados" do PSR, que integra o actual Bloco de Esquerda - como ia dizendo - esse grupo controlava uma Comissão de Moradores nos Olivais Sul e foi-lhes pedida por uma família cigana a sede da dita Comissão, uma enorme garagem na base de um prédio, para uma boda de casamento.
Eles cederam o espaço e como retribuição o avô de um dos noivos, suponho que da noiva, convidou os "meninos e os amigos" para a festa.
Nós, que nessa altura passávamos alguma "larica" (a comida da Cantina era, e parece que ainda é, péssima) aceitámos de imediato. Eu, não pertencendo ao Partido, fui como amigo, e eles eram de facto, "radicais pequeno e médio burgueses" muitíssimo simpáticos e nada sectários.
Sem querermos abusar da generosidade, não nos tinha sido posto nenhum limite, fomos para aí uma dúzia de putos guedelhudos (eu tinha dezanove anos), só rapazes, e assim que chegámos, após termos saído do autocarro, à Praceta onde ficava a garagem, ficámos espantados com o que vimos: centenas de homens e mulheres em traje de gala cigana, espetos pelos passeios a assar cabritos e borregos inteiros, uma roulotte, dessas das Feiras, com máquinas de "imperiais" fresquinhas e um camião-palco com banda ao vivo.
Fomos recebibos por um dos patriarcas de chapéu preto e barba branca, o mesmo que fizera o convite, com estas palavras:
- Meninos: sede bem-vindos! "Comem" e "bebem" à vontade: divirtam-se! Só vos pedimos um favor.
Nós, intrigados, respondemos:
- Qual?!
- Por favor - não se metam com as nossas mulheres!
Nunca tal nos tinha passado pela cabeça, mas mesmo assim e após o solene aviso, comemos, bebemos e dançámos, mas como dizia o dr. Branco Pardal, meu velho professor de Filosofia no Liceu D. João de Castro, "só yé yé, nada de agarradinhos". Livra!!!
E como bons "meninos", fomos só no primeiro dia, apesar de terem insistido connosco para voltar nos outros dois e saímos a horas "decentes", aí pela uma da manhã.

3 comentários:

Paulo Goucha disse...

E não ter calhado a banda, à data chamava-se conjunto, do Tó Pinheiro da Silva, Zé Bigodes e Zé "Padeiro" na bateria - a tocar o "E viva Espanha", ou um outro pasodoble qualquer, já foi uma sorte :-)

imank disse...

A banda, que, de facto, à época se chamava "conjunto", que lá estava não era má.
Mas os "Perspectiva" eram outra loiça!
Um abração:
Tozé

ZL da Rocha disse...

O Famoso Prof. Branco Pardal: " Aqui quem pia sou eu!" e realmente os bailaricos quando alguém na turma fazia anos. Bom ensino que guardei para sempre, embora a filosofia não seja de modo algum talento meu.