sábado, 2 de abril de 2011

Basílio Horta (ou de como é compensador "animar a festa")



Basílio Horta é, (com Ferreira do Amaral, agora na Lusoponte) uma das provas vivas de que, entre nós, melhor do que ganhar eleições, só mesmo perdê-las - como se depreende do seu ensaiado "confronto" com Mário Soares nas Presidenciais de 91. Era preciso alguém que "animasse a festa" e a sorte calhou a Basílio Horta para que estivesse disposto a representar a "direita" e a "imolar-se" pelo regime, que necessita sempre de "challengers" para legitimar o passeio dos vencedores anunciados - caso das recentes "directas" no PS, em que foi exigido aos proponentes de Moções de Estratégia alternativas que se candidatassem a Secretário-geral para possibilitar a Sócrates mais um momento Kim Il Sung (atente-se que mesmo Manuel Serra em 1974, no I Congresso do PS em liberdade, não só não se candidatou, como propôs Mário Soares para o cargo). Afinal quando se mudam os tempos, não se mudam só os Tavares.
Basílio Horta, actual Presidente da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) - afinal este pessoal tem sempre que ser "Presidente" de alguma coisa - vem agora declarar-se "humilhado" com a "imagem que Portugal está a projectar no Mundo" e com "a quebra do investimento estrangeiro". O curioso é que diz que tem vindo a notá-lo desde Janeiro, mas só agora, após a entrada em "gestão" do governo Sócrates II, o afirma em público, o que denuncia um certo "ralenti" controlado e muito "oportuno".
Ainda me lembro do ralhete de Mário Soares num daqueles debates televisivos com tanta credibilidade como certos combates de boxe em Las Vegas, quando o "pexote", extravasando o guião, acusou Mário Soares de "viajar muito à custa do erário público".
O "velho leão", estremunhado, replicou de pronto:
- "Ai é?! Pois fique sabendo que nunca mais o levo"!!!

Nenhum comentário: