sexta-feira, 6 de março de 2009

O Voto Ordálio

Por cá a "democracia" está a tornar-se, por um efeito de "sul-americanização" (que aliás, excede de longe, a esfera da política tout court), numa espécie de ordálio pelo voto.
Sempre que se levantam suspeitas sobre os actos de quem quer que seja, de Valentim Loureiro a José Sócrates, passando por Fátima Felgueiras e Isaltino Morais ( para não falar do "eterno" Jardim), estes e as suas falanges de apoio invocam a sua "legitimação democrática" através do voto.
Assim, os resultados eleitorais sancionariam a respeitabilidade destes "actores" políticos ( porque não, "comediantes"? Qualidades não lhes faltam!) e seriam mais do que suficientes para os ilibar e os declarar "sem sombra de pecado".
Mais uma vez me ocorre o génio dos Monty Python na sua rábula ao Rei Artur e aos Cavaleiros da Távola Redonda, em que para dirimir casos de suspeitas, recorriam à prova por ordálio.
Quer dizer: ou a duelos em que a razão era sempre atribuída ao vencedor, ou a outro tipo de "julgamentos" e "mecanismos probatórios" como o de atirar uma mulher acusada de bruxaria a um lago convenientemente amarrada e amordaçada e ao mesmo tempo, atirar também um pato.
Se ela flutuasse e o pato se afundasse, estaria inocente.

Um comentário:

Carlos Santos disse...

Tenha calma: com persistência acaba por se apanhar em falso todos esses impostores intelectuais que pululam na blogosfera a defender o liberalismo anarco-capitalista. É possível apanhá-los em contradições flagrantes como sugiro que veja aqui:
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/03/verdades-e-mentiras-sobre-as-causas-da.html